
A Compañía Antonio Gades se apresentou de 19 a 21 de junho no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.
Realização da Dellarte.
O espetáculo contou com duas apresentações: Bodas de Sangre; Suite Flamenca.
A apresentação foi notável, uma mescla de técnica, interpretação e emoção, o refinado do flamenco, e a potencialidade e beleza estética da dança espanhola.
Bodas de Sangre (1974) é um balé em seis cenas inspirado na obra de Federico Garcia Lorca. Deixa transparecer a marca da associação teatro e dança, dramatização e performance.
A última cena na qual os dois amantes empunham um punhal e se matam, em nosso ponto de vista, foi a mais intensa, dramática, e emocionante, revelando todo um conjunto de contrastes e conflitos.
As coreografias criadas por Antonio Gades são marcadas pelo rigor técnico como pela ousadia, deixando transparecer toda uma dramatização.
As músicas são poéticas e revelam melodias agradáveis, expressão máxima do flamenco, bem como contribuem para uma melhor compreensão da apresentação por meio do conteúdo das suas letras, e são muito bem interpretadas pelos cantores, acompanhados por músicos que tocam guitarras.
A dançarina que interpreta a noiva, vestida de branco, cujo nome não conseguimos obter informação, se apresenta de forma contagiante, esbanjando técnica refinada com emoção.
Os figurinos criados por Francisco Nieva são de bom gosto, correto uso de tons, e facilita a movimentação dos bailarinos.
A seguir à exuberante apresentação da primeira parte, a Compañía passou a apresentar Suite Flamenca (1968).
Suite revela o esplendor da dança flamenca, a memória viva das tradições espanholas, aliado ao vanguardismo de Gades, num total de sete peças.

São apresentações de dança espanhola (solos, duos, trios e em grupos) acompanhadas por cantores ao vivo e músicos tocando guitarras. Dançarinos e dançarinas com sapateado ágil e rítmico, deixando transparecer o talento puro dos artistas e a precisão técnica. Este sapateado vai progredindo, em direção a toda uma movimentação emotiva, das pernas para o tronco, dos braços e mãos para as expressões faciais. Aliam-se palmas e castanholas. É uma dança explosiva, intensa e pulsante, e que mexe com o interior, evoca sentimentos, levando o público do Municipal à loucura. Uma catarse!
A apresentação foi uma oportunidade única naquela noite para aqueles que nunca tinham assistido até então a dança flamenca de qualidade.
Os figurinos das dançarinas que trajam vestidos com babados são de puro bom gosto. E apresenta um bonito efeito quando elas manejam suas saias.
Os figurinos não apresentam qualquer elemento decorativo.
Em Suite, na segunda encenação, um bailarino é acompanhado por uma bailarina trajando um vestido branco com babados e uma cauda longa. Ela é feminina, postura de classe, simpatia e beleza. Ela e ele se apresentam entrosados e com uma bonita dança. No nosso ponto de vista o melhor momento da segunda parte.
À coreografia de excelência das diversas danças (intensa movimentação de mãos, braços e pernas, bastante palmas, e muito sapateado) criada por Gades com participação de Cristina Hoyos,
conjuga-se não só à iluminação sofisticada também criada por Gades, mas a música cantada ao vivo e acompanhada por instrumentos.
A música é pulsante e vibrante, interpretadas com qualidade pelos cantores, e acompanhada pelo intenso sapateado dos bailarinos.
Gades integrou com qualidade e requinte o movimento vivo dos bailarinos, da música e da plasticidade cênica.
Excelente produção de dança!




