
A experiência à frente de um Centro Cultural foi determinante porque me permitiu compreender a cultura como um espaço de encontro e circulação de ideias. Trazer exposições internacionais para o Rio de Janeiro e levar projetos brasileiros para outros países ampliou meu entendimento sobre o papel da arte e da cultura como instrumentos de diálogo entre diferentes contextos e sensibilidades.
Em 2007, criei minha agência editorial com o desejo de desenvolver projetos de forma mais independente e integrada. O livro tornou-se uma espécie de território natural da minha atuação, talvez por reunir texto, imagem, conceito, pesquisa, design e experiência estética em um único objeto. Mas, ao longo dos anos, o trabalho foi se expandindo para outras plataformas e linguagens, incluindo arquitetura de espaços, exposições, sinalização, pesquisa histórica e cronologia, artes e ilustrações, uma linha de papelaria com meus desenhos, projetos institucionais e ambientes digitais.
Nunca me interessou pensar a criação a partir de fronteiras disciplinares. Meu processo acontece justamente na interseção entre diferentes campos. Atuo como diretora de criação, editora, pesquisadora, designer, ilustradora, produtora e curadora porque vejo cada projeto como um ecossistema, onde conteúdo e forma precisam dialogar de maneira coerente e sensível.
Mais do que produzir objetos culturais, o que me mobiliza é criar experiências capazes de gerar conexão, reflexão e memória. Acredito que essa seja a linha que atravessa toda a minha trajetória, independentemente do suporte ou da linguagem utilizada.

JP – Qual é a principal atividade dessas empresas?
Diria que dentre todas as áreas de atuação a principal é a editorial.
Atuo desde a criação de uma linha narrativa de construção de uma história que será contada, a pesquisa iconográfica e de textos, na curadoria de imagens e seleção e tratamento das mesmas, as vezes também escrevendo, no design gráfico de miolo e capa até o fechamento de arquivo e acompanhamento do mesmo na impressão gráfica. Também trabalho com cenografia de espaços que vão de exposições à galerias e até uma Farmácia de época que é a Drogarias Pacheco Vintage no Centro do Rio, na esquina com Buenos Aires com Andradas e um trabalho recente que muito me realizou foi toda a sinalização e criação dos totens, com textos e artes para o Parque Orla Piratininga Alfredo Sirkis em Niterói.
Também crio painéis ilustrados com meus desenhos para espaços culturais e residenciais além da minha linha de papelaria, Anouska, que este ano completa 8 anos.
JP – Você é uma mulher empresária e empreendedora. Você se considera uma mulher empoderada?
Sim, mas entendo o empoderamento de uma forma muito particular. Para mim, ele não está apenas ligado à posição que ocupo como empresária ou diretora de criação, mas à liberdade de imaginar, construir e realizar projetos que fazem sentido para mim.
Sempre fui uma pessoa movida pela criatividade. Muitas vezes, um projeto começa como um sonho, uma imagem ou uma ideia aparentemente distante, e o que me motiva é justamente encontrar caminhos para transformá-lo em algo concreto. Ao longo da minha trajetória, aprendi que empreender também é isso: acreditar em uma visão antes que ela exista e ter a persistência necessária para torná-la realidade.
Ser uma mulher empoderada, para mim, significa confiar na própria intuição, assumir riscos, ocupar espaços de decisão e não abrir mão da sensibilidade como força criativa. Significa também compreender que liderança não é apenas conduzir equipes ou negócios, mas inspirar processos, criar oportunidades e abrir caminhos para que outras pessoas possam sonhar e realizar junto com você.
Acredito que meu maior dom está justamente nessa capacidade de transformar ideias em experiências, projetos e narrativas que dialogam com o entorno, que tocam as pessoas.
Acredito que mais que empoderamento eu seja extremamente criativa, inquieta, curiosa e estas características fazem parte da minha identidade e que eu gosto mais de ser considerada esta pessoa criativa, com múltiplas facetas, que carrega um trabalho totalmente autoral do que propriamente uma mulher empoderada. E que minha atuação e sensibilidade estão na capacidade de transformar ideias em experiências, projetos e narrativas que dialogam com as pessoas.
JP – Quais são as dicas que você poderia dar para as mulheres que também querem ser empreendedoras e empresárias?
Vivemos em um mundo cheio de referências, tendências e opiniões, mas acredito que os projetos mais relevantes nascem quando conseguimos preservar nossa identidade e nossa autenticidade. Muitas vezes, o caminho não é o mais óbvio, e justamente por isso é preciso coragem para sustentar uma visão própria.
Também acredito que a curiosidade seja uma ferramenta fundamental. Estudar, pesquisar, observar o mundo e estar aberta a diferentes experiências alimenta a criatividade e amplia as possibilidades de inovação. Nenhum projeto surge do nada; ele é resultado de repertório, dedicação e sensibilidade.
Outra lição importante é compreender que os desafios fazem parte do processo. Nem tudo acontece no tempo que imaginamos, e nem todas as ideias se concretizam da forma como foram sonhadas. A persistência, a capacidade de adaptação e a disposição para continuar aprendendo são tão importantes quanto o talento.
Por fim, diria às mulheres que não tenham receio de ocupar espaços de liderança sem abrir mão daquilo que são. Durante muito tempo, acreditou-se que liderança significava dureza ou rigidez. Hoje, sabemos que sensibilidade, escuta, intuição e colaboração também são formas poderosas de liderar e transformar realidades.
Acredito que empreender é, acima de tudo, um ato de criação. E criar é ter a coragem de imaginar algo que ainda não existe e trabalhar para torná-lo possível.
JP – Quais são os principais clientes das suas empresas?
JP – Você foi esposa do Alfredo Sirkis. Qual foi o legado que ele deixou?
Seu legado é gigante pois sua atuação vai do poder local ao global, onde atuou fortemente contra as mudanças climáticas e o aquecimento global sendo considerado um dos grandes nomes dentro do movimento ambiental global.
JP – Existe algum projeto de preservação da memória do Sirkis?
JP – Quais são os seus projetos futuros?





