
“Quadrophenia Films”: agora com residência artística e um novíssimo estúdio de pós-produção
O talento de Ricca Galdeano não é fruto do acaso. O cineasta brasileiro mostrou seu dom à sétima arte ao abrir as portas de um inovador Hub na cidade de São Paulo: a Quadrophenia. E Ricca literalmente abriu as portas para esta reportagem do JpRevistas em um confortabilíssimo estofado de uma das salas de sua produtora. Mas nem só de talento vive o profissional. Ricca, com esforço e dedicação, idealizou um projeto diferenciado para abrigar todas as etapas da produção cinematográfica, com infraestrutura moderna e soluções sustentáveis, incluindo energia solar e aproveitamento de águas pluviais. O Hub segue tendências internacionais, reunindo diferentes empresas do setor em um único ambiente para estimular a colaboração e o desenvolvimento de projetos autorais. A Quadrophenia ocupa uma casa clássica paulista dos anos 1960, em uma região estratégica, próxima à estação São Paulo Morumbi, da linha 4 amarela do Metrô, na capital paulista. O imóvel foi totalmente reformado dentro do estilo modernista original, preservando suas características arquitetônicas. São 1.000 m² dedicados à produção, em franca expansão, com novos imóveis, além de galpão-almoxarifado independente para guarda de equipamentos. Trata-se de uma das bases de produção mais estruturadas de São Paulo para longas e séries, com sala de reunião para 20 pessoas, diversas salas operacionais, amplo jardim, estúdio blimpado para entrevistas, duas garagens. Ian Haudenschild, profissional com experiência em grandes estúdios como Amazon-MGM, HBO e Globo, além de produções nacionais, como O Naufrágio da Justiça: Bateau Mouche e Barba Ensopada de Sangue, integra a equipe e reforça a capacidade da Quadrophenia em conduzir produções complexas e de alto impacto. Ricca Galdeano, o visionário fundador da produtora, destaca que o novo hub amplia a missão de oferecer excelência e viabilidade para toda a cadeia produtiva do cinema. Entre as parcerias estratégicas estão Vagabond Production Services, Kraft, Kraft Cursos Livres, fortalecendo a atuação da produtora em projetos nacionais e internacionais. Fundada em 1984 e reposicionada em 2023 para o cinema independente, a Quadrophenia busca provocar reflexões por meio de seus projetos, conta com uma equipe fixa de mais de 35 profissionais e 12 projetos em diferentes fases de desenvolvimento, a produtora planeja filmar três longas por ano, inscrevendo seus trabalhos em festivais como Cannes, Veneza, New York Film Festival e Ventana Sur. Sustentados por um núcleo robusto de business affairs, responsável por contratos, compliance e gestão jurídica, e por um núcleo dedicado à captação de recursos e parcerias estratégicas, com ampla musculatura para estruturar financiamentos, coproduções e modelos inovadores de viabilização de projetos.
A “Residência Artística”
Após contribuições inovadoras de Ricca Galdeano ao audiovisual brasileiro, engana-se que o produtor de cinema radicado na cidade de São Paulo não continuaria exibir mais do seu papel de empresário de sucesso. Agora é a vez da “Residência Artística”, cujo espaço físico está em um processo de fase final de construção e lapidação para inauguração em fevereiro de 2027. Mas, afinal, o que será? A residência proporcionará uma imersão criativa com intuito de apoiar talentos da sétima arte. Jovens criadores a partir de 18 anos de idade receberão uma bolsa integral, com direito a financiamento de passagens, acomodação, além de alimentação e lavanderia. Haverá, por exemplo, convidados roteiristas internacionais, “craques’ da área vindos da Europa: Espanha, Portugal, França e Inglaterra. Os profissionais convidados receberão roteiros escritos pelos jovens dos programas, que poderão ser aproveitados pela produtora Quadrophenia Films. A ideia é um espaço com discussão e aprendizado sobre as mais importantes especialidades do cinema, com vários dias para cada programa de desenvolvimento. Serão ministrados cursos técnicos nas áreas de eletricista, maquinista, arte e produção. Todos os projetos ainda estão em fase de desenvolvimento. Segundo Ricca, “ainda também não há uma forma de seleção dos novos participantes, porque cada projeto terá suas regras”.
Um estúdio de pós produção “novinho em folha”
Um novo estúdio de pós produção da Quadrophenia está em fase final de construção. A ala acústica do ambiente está praticamente pronta. “Vamos gravar as trilhas dos filmes, além de produzir música de outros artistas, como o Chayco Amaral, que integrava o grupo de rap “Família Madá”, explicou Ricca Galdeano. Ainda, segundo ele, “teremos toda a parte de finalização em áudio, que está sendo montado 5.2, profissional para cinema. Toda a parte de edição de imagens com correção de cor que estará conectada com o estúdio. Poderemos fazer músicas originais, além de introduzir ruídos, como passos ou foley. Vamos contratar artistas que trabalham nessa área. Os filmes da Quadrophenia serão entregues completos, evidentemente com altíssima qualidade, inclusive com ruído de objetos, por exemplo”, informa. Segundo ele, “os filmes nacionais em geral produzidos na atualidade não apresentam esses sons importantes, portanto sem essa qualidade técnica de áudio”.
A arte visual da Quadrophenia Films
A Quadrophenia está investindo em sua programação visual, e começou a contratar artistas renomados para esse objetivo. Um deles é simplesmente Adão Iturrusgarai, que já integra da equipe do Hub. Adão é cartunista, humorista, escritor e artista visual. Foi roteirista de humor para vários programas de televisão da Rede Globo, como, Casseta & Planeta e TV Colosso, e hoje publica suas tiras no jornal “O Globo”. O Hub está com projeto de ocupação da cidade de São Paulo no formato CowParede e personagens de um metro de altura.
Ricca Galdeano: Da música ao cinema

Antes de seguir carreira no cinema, Ricca atuava com música. “Eu sempre ouvia e estudava música, além de estudar sua história. Na verdade, almejava estudar arquitetura para trabalhar com museologia e contar a história da arte, e acabei me transformando em um músico. Resolvi então criar um estúdio para ingressar no restrito mercado fonográfico”, disse o empresário. Um dos mais importantes trabalhos do estúdio de Galdeano são canções da famosa banda de rock “Ultraje a Rigor” : o disco contém a clássica canção da banda “Independente Futebol Clube”, gravada ao vivo pelo então estúdio musical Quadrophenia. A trajetória no cinema começou nos Estados Unidos. “Fui morar em Los Angeles e trabalhei lá na produção de filmes, que abriu as portas de ‘Hollywood’ para mim, ‘coloquei o pé dentro’ e nunca mais tirei. Atuei como assistente e diretor de som, e fiquei conhecido como o ‘Ricca, o cara do som‘, mas fui aconselhado a fazer produção, porque eu não tinha perfil para trabalhar no som. Quando voltei ao Brasil, já possuía toda experiência da indústria do cinema”. Anteriormente no segmento de filmes publicitários, sua atuação consolidou-se na direção e produção de cinema autor, curtas e longas-metragens.
O presente: O Hub de Artes e o “Cinema de Boutique”
A filosofia da Quadrophenia Films e o Hub de Artes de Ricca Galdeano é “Cinema de Boutique”. De acordo com o cineasta, “produção de Boutique é nosso pensamento em produzir arte com olhos ligados ao artista. Trabalhar com qualidade e investir nos artistas. Esse é nosso diferencial em relação às outras produtoras”, explica. A ideia do Hub de artes é desenvolver todas as artes, incentivar, promover e financiar”, conclui.
A conexão internacional: A parceria com Augustin Gagliardi
A Quadrophenia Films fez uma parceria com o renomado produtor, assistente de direção e ator argentino Augustin Gagliardi. Essa aliança surgiu no momento em que o Hub precisava inicialmente de um profissional local em Buenos Aires, na Argentina. Segundo Ricca Galdeano, “o Augustin é contratado pela Quadrophenia de cada produção feita por ele e com foco em coprodução internacional, com cargo de produtor executivo. Ele tem vasta experiência em cinema de autor, com uma grande produção reconhecida pela Europa”, completa.
As mais recentes produções da Quadrophenia Films
- O curta-metragem “Call Center”
O filme foi adquirido pela distribuidora norte-americana 7 Palms Entertainment. O acordo garante a distribuição global da obra em mais de 70 territórios na Europa, Ásia e América, incluindo inserção no catálogo de gigantes do streaming, como Netflix, Amazon Prime e Apple TV. A parceria estratégica consolida a força do audiovisual brasileiro no mercado internacional, posicionando o filme em um portfólio premium. Sediada em Los Angeles, a 7 Palms Entertainment é reconhecida como uma das maiores distribuidoras de curtas-metragens do mundo, representando mais de 1.000 projetos premiados. “Este acordo é a prova de que a indústria brasileira atingiu um patamar de maturidade técnica e criativa capaz de competir em qualquer território”, celebra Ricca Galdeano. “Nosso objetivo é fortalecer e incentivar cada vez mais as coproduções com o mercado internacional. Queremos mostrar que o Brasil é um parceiro confiável e de alta performance para o cinema global.” Dirigido por Rogério Boo (Taboo Films) e coproduzido pela Quadrophenia Films, “Call Center” atraiu o interesse de distribuidores desde seu lançamento no European Film Market (EFM) da Berlinale em 2024. A narrativa potente e a qualidade da produção foram cruciais para o fechamento do contrato.
- As filmagens para a série “Ben-Hur” pela produtora especializada em filmagens aquáticas CineNautic
A CineNautic integra o hub de produção Quadrophenia Films. Os sócios da CineNautic assumem posições diretas no set da produção. Ian Haudenschild atua como Diretor Técnico da Unidade de Água, Leo Canabarro como Diretor de Produção da Unidade de Água, e Gui Von Schimidt como Coordenador de Náutica. No projeto, os operadores de câmera subaquática são ‘K’. Astrup (K), diretor de fotografia norueguês representado oficialmente na América do Sul pela empresa, e a carioca Ana Catarina Teles. A CineNautic conduz as filmagens subaquáticas e náuticas para a série “Ben-Hur”. O projeto é uma realização da Seriella Productions em parceria com as plataformas Disney+ e Univer Vídeo. A obra conta com direção de Vicente Guerra, direção de fotografia de Ricardo Fuji e produção executiva de Fernando Carrera, Alan Braz e Lorena Rodrigues.






