
Por Henrique Pinheiro – Economista e Produtor Executivo de “Terra Revolta-João Pinheiro Neto e a Reforma Agrária”, organiza “Crônicas que nunca contaram na escola”, autor de “Crônicas de um Mercado sem Pudor” – Colunista convidado.
No próximo dia 23 de agosto é aniversário de Maria Thereza Goulart. A data merece ser lembrada. Porque poucas brasileiras carregam consigo tantas páginas da nossa história.
Maria Thereza foi primeira-dama em um dos períodos mais conturbados da República. Esteve ao lado de João Goulart (1919–1976) quando o Brasil discutia reformas profundas, enfrentava uma crescente radicalização política e caminhava para a ruptura de 1964.
Mas hoje não quero falar apenas da primeira-dama. Já escrevi sobre a jovem elegante que encantava o Brasil, vestia Denner e era comparada pela imprensa internacional a Jacqueline Kennedy.
Quero falar da mulher que permaneceu depois que tudo aquilo desapareceu.
Na madrugada do golpe, não caiu apenas um presidente. Uma família perdeu sua casa, sua rotina, seus amigos e seu país.
Jango deixou o Brasil. Maria Thereza foi com ele.
Vieram os anos de exílio no Uruguai e depois na Argentina. A vida passou a ser feita de mudanças, incertezas, vigilância e medo.
O Palácio da Alvorada havia ficado para trás. O Brasil também.
Em 6 de dezembro de 1976, João Goulart morreu na Argentina.
Maria Thereza voltou ao Brasil acompanhando o corpo do marido e trazendo consigo os dois filhos, João Vicente e Denize.
Era o fim de um exílio para Jango. Ele voltava morto ao país do qual havia saído como presidente da República.
Nem naquele momento a ditadura permitiu uma despedida pública à altura de um ex-presidente. O enterro, em São Borja, ocorreu sob forte vigilância e restrições.
Mas Maria Thereza permaneceu.
E, talvez, essa seja uma das dimensões mais importantes de sua história.
Durante décadas, guardou documentos, fotografias, cartas, objetos e lembranças de Jango. Preservou aquilo que o tempo poderia apagar e aquilo que muitos prefeririam esquecer.
Hoje, Maria Thereza é mais do que a viúva de João Goulart.
É uma testemunha viva de uma democracia interrompida.
Testemunhou o poder e a queda. O entusiasmo e o medo. O Brasil e o exílio.
Há acontecimentos que conhecemos pelos livros. Outros sobrevivem também na memória de quem estava lá. Maria Thereza estava.
No dia 23 de agosto é seu aniversário. Não haverá grandes comemorações. Mas haverá memória.
E, um país que não preserva a memória de quem atravessou sua História corre sempre o risco de repeti-la.
Maria Thereza foi primeira-dama em um dos períodos mais conturbados da República. Esteve ao lado de João Goulart (1919–1976) quando o Brasil discutia reformas profundas, enfrentava uma crescente radicalização política e caminhava para a ruptura de 1964.
Mas hoje não quero falar apenas da primeira-dama. Já escrevi sobre a jovem elegante que encantava o Brasil, vestia Denner e era comparada pela imprensa internacional a Jacqueline Kennedy.
Quero falar da mulher que permaneceu depois que tudo aquilo desapareceu.
Na madrugada do golpe, não caiu apenas um presidente. Uma família perdeu sua casa, sua rotina, seus amigos e seu país.
Jango deixou o Brasil. Maria Thereza foi com ele.
Vieram os anos de exílio no Uruguai e depois na Argentina. A vida passou a ser feita de mudanças, incertezas, vigilância e medo.
O Palácio da Alvorada havia ficado para trás. O Brasil também.
Em 6 de dezembro de 1976, João Goulart morreu na Argentina.
Maria Thereza voltou ao Brasil acompanhando o corpo do marido e trazendo consigo os dois filhos, João Vicente e Denize.
Era o fim de um exílio para Jango. Ele voltava morto ao país do qual havia saído como presidente da República.
Nem naquele momento a ditadura permitiu uma despedida pública à altura de um ex-presidente. O enterro, em São Borja, ocorreu sob forte vigilância e restrições.
Mas Maria Thereza permaneceu.
E, talvez, essa seja uma das dimensões mais importantes de sua história.
Durante décadas, guardou documentos, fotografias, cartas, objetos e lembranças de Jango. Preservou aquilo que o tempo poderia apagar e aquilo que muitos prefeririam esquecer.
Hoje, Maria Thereza é mais do que a viúva de João Goulart.
É uma testemunha viva de uma democracia interrompida.
Testemunhou o poder e a queda. O entusiasmo e o medo. O Brasil e o exílio.
Há acontecimentos que conhecemos pelos livros. Outros sobrevivem também na memória de quem estava lá. Maria Thereza estava.
No dia 23 de agosto é seu aniversário. Não haverá grandes comemorações. Mas haverá memória.
E, um país que não preserva a memória de quem atravessou sua História corre sempre o risco de repeti-la.





