O que o Brasil precisa, senhor candidato?
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Por Henrique Pinheiro – Economista, produtor executivo do documentário “Terra Revolta-João Pinheiro Neto e a Reforma Agrária”, autor de “Crônicas de um Mercado sem Pudor”, organiza “Crônicas que nunca contaram na escola” – Colunista convidado.
O Brasil precisa acreditar no Brasil de novo.
Precisamos mostrar à nossa juventude que ainda somos um país viável. Um país onde vale a pena sonhar, estudar, trabalhar, empreender e construir uma vida.
Somos uma nação extraordinariamente rica. Temos petróleo, terras raras, água, energia, terras férteis e uma produção agrícola gigantesca.
Mas de que vale um país rico se sua população continua pobre em oportunidades?
Não podemos continuar sendo um país onde o dinheiro rende mais do que o trabalho e a produção. Como empreender com uma taxa de juros tão elevada? Sem crédito acessível, não há investimento, inovação, pequenas empresas ou geração de empregos na dimensão de que precisamos.
O brasileiro é trabalhador. Sobrevive e empreende nas condições mais adversas. Imagine o que poderia fazer se tivesse acesso ao mínimo necessário.
E esse mínimo começa pela educação.
Educação básica de qualidade e em tempo integral deveria ser o maior projeto nacional brasileiro.
Sem educação, continuaremos tratando as consequências da desigualdade em vez de enfrentar suas causas.
Também precisamos recuperar a confiança nas instituições. Quando o cidadão deixa de acreditar na Justiça, na política e no próprio Estado, a democracia se enfraquece.
Precisamos enfrentar também nossos privilégios históricos.
Ninguém abre mão de privilégios sem lutar para preservá-los. Muitas vezes, aquilo que parece impossível quando se trata de atender aos mais pobres torna-se perfeitamente possível quando é preciso proteger interesses estabelecidos.
Nossa história também deixou cicatrizes. Os 21 anos de ditadura cassaram, prenderam, exilaram e perseguiram brasileiros. Interromperam trajetórias e afastaram da vida pública pessoas que poderiam ter contribuído para a formação de novas gerações de lideranças.
Mas não existem salvadores da pátria.
Nenhum presidente, partido ou candidato transformará sozinho o Brasil.
Somente uma sociedade organizada, consciente de seus direitos e de suas responsabilidades, será capaz de produzir uma transformação verdadeira.
Não nos enganemos: ninguém fará por nós aquilo que cabe a nós construir.
Estamos diante de mais uma eleição. Em vez de esperarmos milagres, deveríamos perguntar aos candidatos:
Qual é o seu projeto para o Brasil?
Como pretende fazer o país crescer? Como reduzir a desigualdade? Como devolver esperança aos jovens? Como fortalecer nossas instituições?
E, principalmente:
O que pretende fazer pela educação?
Porque talvez a escolha mais importante não seja apenas entre candidatos.
É entre o Brasil que temos e o Brasil que queremos deixar para nossos filhos e netos.
E então me lembro de uma pergunta feita por meu pai, João Pinheiro Neto, há mais de 60 anos, quando o Brasil discutia as Reformas de Base propostas pelo presidente João Goulart.
Meu pai havia sido colaborador de Jango, primeiro como ministro do Trabalho e, depois, à frente da SUPRA, responsável pela política de reforma agrária.
Ele perguntou:
“Quem tem medo de educar o povo brasileiro?”
Mais de seis décadas se passaram.
E a pergunta continua esperando uma resposta.


