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PDRN e skin longevity: por que a nova tendência do skincare está olhando para o futuro da pele?

PDRN e skin longevity: por que a nova tendência do skincare está olhando para o futuro da pele?

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O skincare vive uma mudança de perspectiva. Em vez de esperar que rugas, perda de firmeza, manchas e alterações de textura se tornem evidentes para então corrigi-las, cresce o interesse por estratégias que priorizam a manutenção da qualidade da pele ao longo do tempo. 
 
É nesse contexto que o conceito de skin longevity ganha espaço e que o PDRN, um ativo que vem da estética regenerativa e desembarcou com força na K-beauty, se tornou uma das novas tendências das redes sociais.

O ingrediente passou a aparecer em séruns, cremes e outros produtos de skincare, enquanto também desperta interesse na dermatologia estética. O assunto ganhou ainda mais visibilidade com a adesão de celebridades como Kim Kardashian, associada à popularização do PDRN, e com a multiplicação de conteúdos sobre o ativo no TikTok e no Instagram.

Para além do fenômeno de beleza, porém, o crescimento dessa tendência traz uma questão importante: o que o PDRN realmente pode fazer pela pele e quais promessas ainda estão à frente das evidências?

A discussão também passa pela diferença entre o PDRN utilizado em contextos médicos e as inúmeras formulações cosméticas que passaram a incorporar o termo ao rótulo. Pesquisas recentes apontam potencial relacionado à reparação tecidual, modulação inflamatória, hidratação e qualidade cutânea, mas também ressaltam que ainda existem diferenças importantes entre formulações, protocolos e níveis de evidência.

A tendência abre, portanto, espaço para uma conversa mais sofisticada sobre longevidade da pele: menos sobre perseguir um efeito imediato e mais sobre entender quais estratégias realmente contribuem para preservar a saúde e a qualidade cutânea.

 
Fomos conversar sobre o assunto com a  dermatologista Marcella Alves, da Onne Clinic (RJ). Confira!
JP –  O conceito de skin longevity representa uma mudança real na dermatologia ou é apenas uma nova maneira de apresentar o antigo discurso de anti-aging?

O conceito de skin longevity é uma evolução da ideia tradicional de anti-aging. Durante muito tempo, o foco esteve principalmente em corrigir sinais que já estavam instalados, como rugas, manchas e perda de firmeza. Hoje, a proposta é pensar também em como preservar a saúde, a função e a qualidade da pele ao longo do tempo.

Isso não significa tentar interromper o envelhecimento, que é um processo natural, mas identificar precocemente os fatores que podem acelerar essa deterioração e trabalhar de forma preventiva. A dermatologia passa a olhar para a pele de maneira mais ampla, considerando exposição solar, inflamação, alterações celulares, estilo de vida e a própria capacidade de regeneração dos tecidos.

É uma mudança de perspectiva que já aparece na literatura científica mais recente sobre longevidade cutânea. A ideia é sair de uma lógica exclusivamente corretiva e pensar em estratégias que ajudem a manter a pele saudável e resiliente por mais tempo.

JP –  O que o PDRN consegue fazer pela pele segundo as evidências disponíveis hoje e onde começam as promessas que ainda precisam de mais comprovação?

O PDRN é estudado principalmente pelo seu potencial de estimular processos relacionados à reparação dos tecidos, modulação da inflamação e regeneração. Na dermatologia, os estudos disponíveis apontam resultados promissores em aspectos como cicatrização, qualidade da pele, textura e alguns parâmetros relacionados ao rejuvenescimento.

Por isso,  colocaria o PDRN na categoria de uma tecnologia promissora, mas que ainda está construindo seu nível de evidência. Não devemos transformar resultados iniciais em promessas de rejuvenescimento profundo, regeneração completa da pele ou capacidade de impedir o envelhecimento. A ciência mostra potencial; algumas das promessas que circulam nas redes sociais ainda estão à frente do que os estudos conseguem comprovar.

JP – Existe diferença entre o PDRN presente em cosméticos e os produtos ou procedimentos utilizados em consultório dermatológico?

Sim, e essa é uma distinção muito importante. O fato de um cosmético trazer “PDRN” no rótulo não significa que ele terá necessariamente o mesmo comportamento ou produzirá os mesmos resultados de um produto utilizado em um protocolo médico.

Em consultório, trabalhamos com formulações, concentrações, vias de aplicação e protocolos específicos, que são diferentes daqueles encontrados em um sérum ou creme de uso diário. Além disso, a capacidade de um produto tópico atravessar a barreira da pele é uma questão relevante quando falamos de moléculas e estruturas de maior tamanho.

Por isso, não podemos simplesmente transferir para um cosmético os resultados de estudos realizados com aplicações médicas. É preciso avaliar cada formulação e o tipo de evidência disponível para aquela forma específica de uso. A literatura recente inclusive chama atenção para a diversidade de formulações e protocolos envolvendo PDRN e polinucleotídeos, o que dificulta generalizar os resultados de um produto para outro.

JP – Diante da explosão do PDRN no TikTok e no Instagram, quais critérios uma mulher deveria usar para diferenciar uma tendência de skincare de um tratamento realmente respaldado pela ciência?

O primeiro critério é não confundir popularidade com evidência. Um produto pode viralizar porque uma celebridade está usando ou porque existem milhares de vídeos mostrando resultados, mas isso não significa que aqueles efeitos tenham sido comprovados cientificamente.

Recomendaria observar se existem estudos clínicos publicados, qual foi o tamanho dessas pesquisas, durante quanto tempo os participantes foram acompanhados e, principalmente, se o estudo avaliou exatamente o produto e a forma de aplicação que estão sendo vendidos. Não basta existir um estudo sobre PDRN em geral para concluir que qualquer sérum contendo o ingrediente terá o mesmo efeito.

Também é importante desconfiar de promessas muito amplas, como “regenerar a pele”, “reverter o envelhecimento” ou substituir procedimentos dermatológicos. No caso do PDRN, temos uma literatura que aponta potencial e resultados interessantes, mas ainda com limitações que precisam ser consideradas. A melhor inovação é aquela que consegue sobreviver ao entusiasmo das redes sociais e continuar apresentando resultados quando submetida ao rigor da ciência.