O Desafio do Brasil
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Por Aurélio Wander Bastos – Jurista, Professor Emérito da Unirio, Mestre em Ciências Jurídicas e Doutor em Ciências Políticas – Colunista convidado.
O resultado do primeiro turno das eleições no Brasil, do ponto de vista do presidente Lula foi surpreendente.
O presidente e seus eleitores esperavam que sua biografia e sua história politica teriam efeitos extensivos para garantir mais uma vitória no primeiro turno, em relação ao novato candidato Flávio Bolsonaro, que tem uma biografia eleitoral frágil e não possui uma história politica de lutas e efeitos pelo seu seu trabalho . Flávio levou vantagem no primeiro turno, não propriamente em função da sua força eleitora, mas devido ao somatório de votos de deputados e senadores, candidatos com um discurso ao à direita e ao centro-direita. Que se somaram aos votos do radicalismo golpista de seu pai Jair Bolsonaro.
O filho de Jair Bolsonaro, na verdade, não tem patrimônio eleitoral significativo, e sim um patrimônio residual, que carrega desde a eleição de senador.
Muitos analistas supõem que os votos dados a Flávio Bolsonaro no primeiro turno evoluíram porque o discurso de Lula, na primeira etapa da campanha, não foram tão criativos e inovadores . Mas, na verdade, os votos de Lula foram em função da sua história, de três eleições presidenciais vitoriosas.
É importante saber que na biografia de Lula destacam-se os importantes contatos internacionais que o presidente da República fez, nos seus últimos anos de mandato. Com pouca repercussão interna. A situação agravou-se com a queda de votos do PT, em relação aos seus candidatos à Câmara Federal e ao Senado. Nesse conjunto de variáveis que apareceu o perigo. Essa foi a realidade eleitoral. No primeiro turno, Flávio somou quase dois milhões, que se consolidaram com os votos críticos aos governos de Lula.
O presidente Lula apareceu, com uma amostra de um milhão e meio de votos, o que permitiu ao candidato da direita
um percentual folgado de 48% contra um percentual apertado de 45 % .Todos os nossos argumentos, até agora, mostram que a realidade é difícil para quem apoia Lula.
É importante que a campanha de Lula mostre, em seu discurso, os fatos existentes contra o governo Bolsonaro ( pai do candidato Flávio).
Em seu governo, Bolsonaro transformou os projetos de emendas do Legislativo em uma questão financeira de alta rentabilidade. Devemos lembrar, também, dos efeitos colaterais combinados com o tumulto político do dia 8 de janeiro, na Esplanada dos Ministérios, quando os poderes da República foram invadidos, quebradas suas instalações e danificados seu patrimônio. Esses fatos causaram, inclusive, processos, julgamentos e condenações. Lula tem que explorar isso.
Agora, a campanha de Lula precisa ganhar os votos referentes aos eleitores do Centrão . E de fazer o discurso que seus eleitores aceitam.
Os que não votaram chegam a 20 ou 30 milhões de pessoas. Lula pode atingir esses eleitores. Com falas sobre
a oferta de vagas nas universidades e a abertura do mercado de trabalho. Precisa mostrar o seu explícito compromisso com a criação de novas empresas .
Os trabalhadores CLT ,em tese, estão comprometidos como projeto Lula , mas aqueles que estão nas empresas ou estão a procura de emprego precisam identificar no presidente a possibilidade de abertura do mercado de trabalho.
Por fim, o presidente precisa articular com urgência uma equipe de profissionais que tenham condições de tirar o máximo das redes sociais e que consigam usar, ao máximo, os recursos das big teks, para tecnicamente, na forma dos algoritmos, conseguir fazer a multiplicação corretiva de votos.
O presidente deve preservar o eleitorado do Nordeste e precisa avançar na votação do interior de São Paulo e em todo o sul do Brasil, que é um eleitorado progressista ,mas foi esquecido e, na Região Centro Oeste, não apenas para incentivar a pequena empresa agrícola mas buscar se aproximar dos titulares do agro- negócio, de tradicão.
Há pouco tempo para alcançar esses resultados. O mais importante, nesta campanha é que os jovens se organizaram em passeatas para demonstrar que o poder está nas ruas e não nos gabinetes de lambanças e acordos secretos que fazem do povo instrumento de vilania e desprezo .
As passeatas mostram que os jovens representam o povo, hoje, e amanhã.


