Hoje na “Coluna Passeio Completo” Teatro e gastronomia víboras: Pega a comédia pela proa
Teatro, em alguns momentos, é para dar risadas e se emocionar. Víboras — A Arte do Insulto, de Flávio Marinho, faz exatamente isso. Com quatro personagens muito diferentes, diálogos afiados, implicâncias, ironias e afeto, a peça nos faz reconhecer aquelas pessoas — e até um pouquinho de nós mesmos.
Alice Borges é Mirna, a dona da tasca; Guilherme Dellorto é Jorge, o garotão carioca que sonha em ser famoso; Aloísio de Abreu interpreta Luiz, o galã maduro que canta e aproxima as pessoas; e Marcos Breda é Sílvio, o contador sério cuja relação com a mãe, que mora em Pelotas, rende boas pistas sobre sua personalidade. São quatro personagens, quatro culturas, quatro personalidades e quatro desejos, sem esquematismos nem estereótipos.

A direção movimenta muito bem o espetáculo, os atores estão entrosados e a música, com direção musical de Liliane Secco, parceira inseparável de Flávio, amarra tudo com precisão e delicadeza. Uma comédia deliciosa, com final feliz. E mais não conto!
Serviço:
Teatro Vanucci
Sextas e sábados 19 h
Domingos às 17:30
PROA: O MAR NO PRATO, NO COPO E NA CONVERSA
Denise vai comigo nos passeios gastronômicos. É uma vera oriundi: sabe comer, beber e cozinhar. Mas, no Proa, na Gávea, até ela se surpreendeu: comeu polvo, uma coisa de que nem gosta! Quando a comida consegue convencer até quem chega com resistência, alguma coisa muito boa está acontecendo.
Conversamos horas com Juan Carlos, na cozinha momento, que entende mesmo do riscado. A cozinha do Proa tem a assinatura da chef Joana Carvalho, e os frutos do mar são fresquíssimos. A Panelinha de Frutos do Mar reúne lula, polvo, camarão e mexilhões, finalizados com capim-limão, manga e maracujá. E os pastéis de siri vêm recheadérrimos — porque pastel com recheio tímido não dá!
O ceviche peruano do mar do dia é levemente picante e vem acompanhado de chips de batata-doce. O peixe no vapor chega com nhoque de batata-doce roxa e batata inglesa, molho branco feito com caldo de peixe e perfume de capim-limão e limão-siciliano. Já o filé de peixe florido combina couve-flor picadinha, como um cuscuz, bacon, azeitona preta, tomate confit feito na casa e molho harissa.
Denise não ficou só na degustação. Também sabe dar palpite. Sugerimos ao chef um nhoque feito com três variedades de batata-doce: laranja, roxa e branca. Um luxo só!
A experiência continua no balcão. Denise e eu somos daquelas que adoram saber o que está rolando. A nova carta de drinques, criada pelo mixologista Rod Werner, aproxima a coquetelaria da cozinha. Rod e Joana Carvalho são amigos desde a adolescência, quando fizeram teatro juntos. Joana desejava havia anos ter uma carta criada por ele. A parceria mistura amizade antiga, conhecimento e criatividade.
Entre os drinques que provamos, o Pera Laranja Coentro combina vodca Grey Goose La Poire, suco de laranja e coentro. O Breakfast Martini aparece entre os clássicos da carta. Provamos também o Bloody e o Rabo de Arraia, uma releitura do rabo de galo que leva cachaça envelhecida em carvalho francês, vermute tinto, Cynar, bitter de laranja, Angostura e amarena.
O Rabo de Arraia veio como digestivo. E era tão bom que, se pudéssemos, tomaríamos em canecas — sem o perigo de cairmos pelas ruas da Gávea!
A carta também passeia pelos clássicos: Dry Martini, Savoy, Gibson, Dirty, diferentes versões de Manhattan, Negroni e Boulevardier. Macunaíma, Bitter Giuseppe e Breakfast Martini aparecem na seção “Old School, Forever!”, enquanto gin tônicas, Moscow Mule e Spritz estão reunidos em “O de sempre, atualmente”. Há ainda três drinques da origem do Proa, criados na época da pandemia: Proa, Wave Maracujá e Canoeiro.
Os drinques são maravilhosos. E, quando a cozinha e o balcão conversam tão bem, a experiência ganha outra dimensão. No Proa, o mar não termina no prato: continua no copo, nas conversas e na vontade de ficar mais um pouco.
Serviço:
Proa Cozinha Bar — Praça Santos Dumont, 120, Gávea, Rio de Janeiro. Telefone: (21) 3449-4450. Funciona de terça a quinta, das 12h à meia-noite; sexta e sábado, das 12h à 1h (podendo se estender até as 2h em alguns dias); e domingo, das 12h à meia-noite. Fecha às segundas-feiras.


