Jeans, uma história de sucesso
Nenhum outro tecido conseguiu sobreviver, como o jeans, a tantas mutações estilísticas e sociais, gerações, sendo o material mais manejado há quase dois séculos!
O jeans entrou na história no final do século XIX, mas, foi no século XX, após o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), que ele mostrou seu papel na sociedade, desencadeando um estudo mais completo das variantes sócio-político-econômicas pelas quais o mundo passou, a partir da Revolução Industrial e do vestir como expressão de sentimentos.
E pensar que tudo começou com o comerciante alemão Levi Strauss. Imigrante na América, Strauss, em 1845, que levou algumas peças de um tecido resistente para serem oferecidas aos garimpeiros para tendas de campanha ou coberturas de vagões de minério. Em busca do ouro da Califórnia, nos Estados Unidos, os aventureiros vestiam roupas feitas de aniagem, morim e lonita por serem práticas, mas o trabalho as deixava imprestáveis em pouco tempo. Strauss, em 1853, transformou seu estoque de denin em calças.
Denin foi a expressão americana que denominou aquele tipo de tecido francês, conhecido como toile de Nimes desde a Idade Média (que ficou conhecido como denin – “de nimes). O tecido era usado pelos marinheiros genoveses. Ele foi tingido com índigo, um corante azul, obtido no oriente a partir de plantas Indigofera e Isati tinctoris – com registro na alfândega de Gênova no ano de 1140. O nome Jeans foi uma corruptela da palavra Gênova. Esse denin era tingido por um corante azul, obtido a partir das plantas orientais Indigofera e Isati tinctoris. O que resultou na palavra índigo – que tanto define a cor quanto o próprio tecido.
Assim, o jeans já começou sua trajetória como um elemento globalizado: é um tecido francês, usado por italianos, mas o mérito é do alemão Levi Strauss – e o produto virou “febre” no mundo todo.
Podemos afirmar que a calça jeans foi um produto de design desde as primeiras modelagens. O jeans que começa sua trajetória como uniforme de trabalho ganhou valores agregados – como os rebites em cobre para reforçar os bolsos, em 1873. E o concorrente de Henry David Lee, que colocou um zíper no lugar do abotoamento nas calças. Ambos marcaram a longa trajetória do jeans.
No dia 20 de maio, se comemora o Dia Mundial do Jeans, a roupa resistente para uso dos mineiros, lenhadores e garimpeiros do Oeste americano que virou um ícone da libertação dos costumes, uniforme dos astros de Hollywood e dos libertários hippies, dos punks e dos rappers, dos preppies, dos hipsters do Brooklyn e continua firme como vestimenta social.
Mas o jeans que conquistou vários grupos sociais, é atualmente, um dos produtos mais poluentes e virou um grande desafio: tornar-se um símbolo da sustentabilidade na moda. As empresas têxteis investem em busca por materiais ecológicos como fibras recicladas, algodão orgânico, tingimentos naturais e, também melhores condições de trabalho e com consumidores mais atentos que exigem transparência dentro da cadeia de moda.
Ele, por si só, representa a expressão da individualidade, dos valores da cultura e invade caminhos diversos. De um lado seduz pelas fantasias estéticas que propõe e, de outro, é o próprio elemento de comunicação, divulgando e manipulando as escolhas individuais.


