“Amadeo e o Hipotético Mundo Novo” tem exibição na Mostra Internacional de Cinema de SP
Quantas gerações de crianças negras crescem sem se enxergar como protagonistas das narrativas de aventura e de seus super-heróis? É com o intuito de seguir rompendo com essa hegemonia, ocupar espaços e continuar construindo novos e prósperos imaginários para a infância preta que a animação brasileira “Amadeo e o Hipotético Mundo Novo” cumpre exibições na Mostra Internacional de Cinema São Paulo. As apresentações acontecem entre os dias 22 e 28 de outubro, no circuito competitivo da Mostra e em Centros Educacionais Unificados (CEUs) de São Paulo.
A representatividade na infância vai muito além de ter corpos negros em tela; trata-se de como esses corpos ocupam o espaço. Em “Amadeo e o Hipotético Mundo Novo”, o protagonista negro não está ali para cumprir cota ou ser coadjuvante: ele conduz a própria história com inteligência, curiosidade e autonomia, expandindo as referências possíveis para as novas gerações.
Com direção e roteiro assinados pela cineasta negra Brenda Lígia, o longa desloca os estereótipos historicamente atribuídos a personagens negros no audiovisual. Em vez de forças sobrenaturais ou hiperfoco no sofrimento, o protagonista Amadeo conduz sua própria aventura a partir do conhecimento, da curiosidade e do intelecto.
As exibições acontecem em espaços descentralizados, reforçando o compromisso com o acesso da comunidade preta e periférica ao cinema. Brenda ainda reforça a importância de ter muitas crianças como espectadores. “Assistir ao filme com uma plateia repleta de crianças é uma experiência sensacional: elas são genuínas, espontâneas e não escondem sentimentos. Acredito muito no poder transformador da arte. Uma experiência artística na infância pode ampliar horizontes, despertar novas perspectivas e ajudar a criança a imaginar um mundo novo, colaborando para um Brasil mais justo e democrático. O futuro é ancestral”, pontua a diretora.
A atriz Léa Garcia também participou do longa, emprestando sua voz, talento e sensibilidade a um trabalho tão importante e representativo quanto ‘Amadeo e o Hipotético Mundo Novo’. Este foi o seu último trabalho. Léa faleceu em 15 de agosto de 2023, deixando um legado marcado pela dedicação à arte e pela constante luta antirracista, se posicionando e ocupando lugares que lhe eram de direito. Ao longo de sua trajetória, tornou-se uma referência fundamental para gerações de artistas negros.


