28 de novembro de 2022

Denilson Baniwea e Marcio Botner

Foi inaugurada neste sábado, 12, na   Gentil Carioca a exposição  “Frontera”, primeira exposição individual de
Denilson Baniwa. Na série inédita, desenvolvida especialmente para a mostra, o artista realiza uma imersão
em torno da história dos “descimentos”, processos de migração compulsória de indígenas da Amazônia que, ao longo dos séculos XIX e XX, diante de ciclos econômicos diversos, se deslocaram para trabalhar para indústrias extrativistas, num regime de exploração de sua mão de obra e saberes. Os “descimentos” atravessaram não só a história da violência colonial e capitalista da Amazônia, como também marcaram a própria família de Baniwa, cujos membros serviram a  alguns desses ciclos de extrativismo, a exemplo do pai do artista, que trabalhou na pesca
do tetra neon, peixe colorido oriundo dos rios amazônicos que era vendido no mercado europeu e asiático, recebendo a absurda quantia de 0,3 centavos de dólar a cada mil peixes que recolhia.
A própria migração de Denilson Baniwa, que ainda na infância foi morar em Manaus – depois mudando-se para Niterói (RJ), onde hoje vive –, é compreendida como uma continuidade dos processos históricos dos descimentos, estratégias de sobrevivência e  afirmação étnico-social de milhões de povos indígenas diante do genocídio, do ecocídio e do epistemicídio que os têm perseguido desde a invasão colonial de seus territórios.

Assim, nas pinturas da exposição, Denilson entrecruza imagens de arquivo, petroglifos do povo Baniwa, figuras inspiradas nas histórias em quadrinhos, retratos – como os de sua mãe – e outros signos que, em diálogo com convenções da pintura, do design, do grafite, do lambe e outras mídias contemporâneas, compõem uma narrativa imagética em torno do descimentos e suas profundas implicações políticas, linguísticas, espirituais, ambientais,
afetivas, etc. Confira como foi a abertura nas fotos de Marco Rodrigues.

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