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Meninas sofrem mais com escoliose idiopática?

Luiz Claudio de Almeida 15 de janeiro de 2023 5 minutes read
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Em conversa com o JP, o neurocirurgião Felipe Mourão, especialista em cirurgia de coluna vertebral, revela  que  estima-se que 2 a 4% dos adolescentes com idade entre 10 e 20 anos apresentem o problema, segundo dados da Organização mundial de saúde OMS, 6 milhões de brasileiros tem curvatura acentuada na coluna vertebral e 50 milhões de crianças no mundo. Popularmente chamado de “coluna torta”, a escoliose caracteriza-se pela curvatura lateral da coluna quando observada de frente.  “A escoliose se caracteriza pela curvatura lateral da coluna vertebral.
Pode estar presente desde o nascimento, assim como se desenvolver na infância, em sua maioria dos casos são leves, mas o mais comum é surgir na adolescência durante a fase do estirão puberal que é a fase de crescimento acelerado na fase de puberdade, é mais comum nas adolescentes do sexo feminino”, diz o médico.

Existem diferentes tipos de escolioses em relação a sua origem (degenerativa, neuromuscular, congênita). A escoliose pode ter origem congênita, ou seja, desde o nascimento. Devido à malformação da própria vértebra, podendo ter origem neuromuscular, desta forma problemas de saúde como a paralisia cerebral, lesões medulares e algumas distrofias musculares podem levar ao aparecimento desta curvatura exagerada da coluna vertebral.

“Mais comum na população é a escoliose idiopática do adolescente, ainda não apresenta uma causa conhecida para sua origem. De uma maneira geral é percebido pelos pais ou pelo próprio adolescente através da diferença de altura dos ombros, ou do mesmo do quadril, quando olhado de frente”,  ressaltou Felipe Mourão. 

O sintoma mais marcante para o adolescente é a dor, mas o aspecto social que envolve este tipo de deformidade não pode ser desconsiderado na vida de um adolescente. “O diagnóstico é confirmado através do exame físico, onde avaliamos o dorso e a altura dos ombros e quadril, assim como com exames de imagem principalmente radiografias panorâmicas da coluna vertebral em AP, perfil e com inclinações laterais e a medida do ângulo de Cobb”, completa.

JP – O que causa escoliose?

A escoliose pode ter origem congênita, ou seja, desde o nascimento. Devido à malformação da própria vértebra, podendo ter origem neuromuscular, desta forma problemas de saúde como a paralisia cerebral, lesões medulares e algumas distrofias musculares podem levar ao aparecimento desta curvatura exagerada da coluna vertebral.

Mas, a forma mais comum de aparecimento é a escoliose idiopática do adolescente, recebe este nome por ser mais comum de acontecer na adolescência, durante a fase de crescimento do esqueleto, a coluna nasce normal e vai curvando ao longo do crescimento.

JP – Qual o sintoma da escoliose?

De maneira geral, a acentuação da curvatura lateral da coluna não causa dor. Por isso, em alguns pacientes o diagnóstico acaba sendo tardio, com curvas mais avançadas. Por isso que recomendado acompanhamento médico, uma vez que o diagnóstico precoce faz toda diferença na condução e evolução do paciente. Pais ou cuidadores e até mesmo a própria pessoa percebe o desalinhamento dos ombros ou do quadril (cintura). Esta é a forma mais fácil de perceber a escoliose, percebendo a alteração faz-se necessário a avaliação do especialista em coluna. O Especialista solicita a radiografia panorâmica da coluna vertebral e avaliação do ângulo de Cobb que é uma técnica para medir a deformidade da coluna vertebral, já em crianças a avaliação é feita e a classificação de Risser é usada para classificar a maturidade esquelética.

Outro ponto fundamental é a definição da maturação óssea do esqueleto também medida através da radiografia do punho ou bacia onde avaliamos o índice de Risser. Nesta avaliação é possível identificar a capacidade de progressão da curvatura.  Somente após avaliação da curvatura da maturação do esqueleto o tratamento poderá ser definido.

JP – Como tratar escoliose?

O tratamento pode ser feito de forma conservadora através de fisioterapia e uso do colete dependendo do grau de curva (ângulo de Cobb) e do Risser.

O tratamento cirúrgico deve ser estabelecido em algumas condições, entre elas: Progressão da curva, apesar do uso de órtese.

Cirurgias são feitas em situações de curvas elevadas, aquelas superiores a 40 graus ou em progressão apesar do tratamento conservador.

O Pós-operatório é variável e depende da extensão da cirurgia. Cirurgias mais longas no pós-operatório imediato o paciente fica em observação no CTI nas primeiras 24h, para um monitoramento mais próximo, após essas horas segue para o quarto onde se inicia a recuperação com fisioterapia motora e reabilitação corporal, pois há uma mudança de altura e alinhamento que o corpo precisará de adaptar logo após a cirurgia. De maneira geral, o processo de fusão ocorre no período de 3 a 6 meses quando o paciente está liberado para as atividades físicas.

 

*Felipe Mourão   é membro da Sociedade brasileira de neurocirurgia e professor.

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