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Teatro em Cena

Luiz Claudio de Almeida 18 de abril de 2024 10 minutes read
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Kafka e a boneca Viajante

Um espetáculo que emociona e deslumbra adultos e jovens de todas as idades  tem algo a mais. Quando o sucesso é parte da trajetória com certeza que estamos diante de uma obra prima.  Esse é o caso do espetáculo Kafka e a boneca viajante, que após temporada inicial no Rio de Janeiro seguiu por outras cidades, foi assistido por mais de 17 mil pessoas, com indicações a prêmios e retorna ao Rio de Janeiro emocionando mais platéias. Esta em final de temporada, mas merece muito ser apreciado.

A peça tratado encontro do famoso escritor Kafka e uma menina.  Até hoje não se tem certeza da veracidade da história.  A encenação, que conta com quarto atores exponenciais com uma direção completamente acertada.

Kafka, renomado e dos mais respeitados escritores do sec. xx, no final de sua vida, já adoentado, teria tido um encontro com uma menina que perdeu sua boneca. Sensibilizado com a dor da menina, o renomado escritor passa a criar uma história para essa boneca e torna-se amigo da menina que passa a aceitar aos poucos a ausência de sua boneca.  Conquistam uma amizade profunda, capaz de tocar intimamente ambos. Uma história tocante que não se tem certeza da veracidade  e conta com eximia interpretação de Alessandra Maestrini no papel da boneca, André Dias como Kafka, Carol Garcia  dá vida a menina, Lilian Waleska a esposa. Um quarteto em estado de graça. Plenos em cena.

Os demais criativos contribuem decisivamente para a fluência e beleza do espetáculo. A trilha sonora sob batuta do exímio Tony Lucchesi é um dos pontos altos que passa por canções de Chico Buarque, Caetano Veloso, Djavan, Lenine, Rita Lee.  Cenografia de Nello Marrese, iluminação primorosa de  Paulo Cesar Medeiros, figurino sensacional e funcional  de João Pimenta, visagismo incrível de  Everton Soares  ajudam a contar com maestria a história. A direção de João Fonseca propõe uma perfeita interação com o texto que não é linear, outro ponto alto da peça ecom dramaturgia impecável de Rafael Primot.  Um time de craques.

A narrativa muito bem construída  emociona e traz reflexão. Kafka e a boneca viajante é um daqueles espetáculos que podemos dizer que é um acerto  do inicio ao fim e ficam guardados na memória e no coração, daqueles que não encontramos com freqüência.  Impecável.

Teatro Clara Nunes – 6ª e sábado às 20.30h, domingo às 19h

Rua Marques de são Vicente  52/  Shopping da Gávea

Nara

         

Falar de Nara Leão abraça um universo de possibilidades. Foi muito além de uma cantora e compositora.  Representou uma geração de mulheres, cantoras, artistas.  Em seu apartamento na Copacabana dos anos 1950 vivenciou a maior transformação que música popular brasileira conheceu naqueles idos, quiçá até hoje. Ali nasceu um cenário que iluminou a música brasileira. Nara não só estava lá como conviveu com nomes que viriam a ser expoentes da música e da cultura brasileira. Casou-e inclusive com o cineasta Cacá Diegues, freqüentador assíduo dessas rodas de música. Filha de pais a frente do tempo, Nara experimentou uma liberdade pouco conhecidas pelas moças daquele tempo.  Aos 12 anos impunha seu violão e saia a fazer, aprender e ensinar música . Menescal, por exemplo, foi de seus companheiros e primeiros alunos.

Nara desde cedo mostrou ao que veio. Desenvolveu prodigiosa carreira e soube conduzir sua vida com desejou. Nunca se impôs ou se adaptou as caixinhas preestabelecidas.

No espetáculo ‘Nara’ pode-se reviver sua trajetória artística e pessoal de forma poética, com uma dramaturgia muito bem escrita por Miguel Falabella que também assina a direção. Daqueles textos que só Miguel sabe construir.

Zezé Polessa vive Nara sem estereótipos, traz a essência e a alma da cantora. Emociona e encanta por sua interpretação acertada e feliz.

A concepção da peça não obedece à ordem linear e nem cronológica, mas perpassa a história de Nara rica de encontros e desencontros, curiosidades e lendas que envolvem seu nome, sua história e seu estilo único.

Nara foi uma das vozes mais potentes que não se refutou a apresentar a música do morro para o chamado ‘asfalto’, que passou a admirar e cantar. Nem tampouco se importou com reputação, foi em frente e fez o quis. O que lhe tocava o coração. O show Opinião redesenhou a cena musical brasileira e Nara estava lá protagonizando esse momento único e histórico que lançou outro ícone da MPB, Maria Betânia.

Essa história chega ao palco com primor, trazendo Zezé Polessa em estado pleno, aquele em que o ator interpreta levando o público ao deleite.

Todos os criativos propõem atuações certeiras com um cenário lúdico de Dina Salem Levy e Ricardo Vivian que permite elementos surpresas, o figurino de Nathalia Duran é simples e com um recurso extraordinário adequando Zezé a realidade de Nara e sua época, Josimar Carneiro que assina a trilha sonora dá um brilho especial resgatando os grandes sucessos de Nara e Sarah Salgado completa o time com desenho de luz pra lá de acertado. Zezé Polessa nos da à impressão que mesmo sendo dona de atuações brilhantes só ela poderia para interpretar Nara tão bem, e neste espetáculo a eterniza mais uma vez, sobretudo para as novas gerações que não a conheceram. Imperdível.

 

Quintas e sextas, 19h e sábados e domingos às 18h

Teatro Sesi Centro- Rua Graça Aranha,01/ Centro -RJ

 

 

 

Boas da Semana

 

Fernanda Montenegro lê Simone De Beauvoir

Fernanda Montenegro apresentará a leitura dramática extraída da obra “A Cerimônia do Adeus”, de Simone de Beauvoir, no Teatro Casa Grande, no Rio de Janeiro.

Trata-se de uma obra poderosa, cuja temática é a visão libertária, estruturada por Simone de Beauvoir sobre o feminismo. E, de forma comovente, sua ligação de vida junto a Jean-Paul Sartre.

Quartas às 20h

Teatro Casa Grande : Av. Afrânio de Melo Franco, 290 / Leblon/ RJ

 

Alguma Coisa Podre é uma história que se passa em 1595, na Inglaterra, antes de Shakespeare escrever Hamlet, considerada sua obra de maior destaque, chega ao Rio de Janeiro depois de excelente temporada nos palcos paulistas.  Na época em que acontecem os fatos, o dramaturgo já fazia enorme sucesso com Romeu e Julieta, entre outros trabalhos. Concorrentes do Bardo, Nick e Nigel do Rêgo Soutto precisam montar uma nova peça, mas a falta de criatividade para lançar algo que faça mais sucesso que os trabalhos de Shakespeare os deixa em apuros. Assim se desenrola o espetáculo cheio de humor, com competente elenco. Direção artística de Gustavo Barchilon,  Versão Brasileira – Cláudio Botelho. No elenco principal Marcos Veras, Leo Bahia, George Sauma, Wendell Bendelack, Rodrigo Miallaret, Bel Lima como Portia.

Quintas e sextas às 20h30, sábados, às 19h30 e domingos, às 17h30

Teatro Casa Grande / Av. Afrânio de Melo Franco, 290 a – Leblon, Rio de Janeiro –

Uma Peça Para Fellini com atriz diretora e produtora Márcia do Valle faz homenagem a um dos gênios da sétima arte ocupa o Cine Teatro Jóia, como uma grande novidade: pela primeira vez no espaço um espetáculo teatral com foco na vida e obra de Federico Fellini, um dos maiores e mais influentes nomes do cinema de todos os tempos.

 

 Sextas e sábados, às 19h.

Cine Teatro Jóia – Av. Nossa Senhora de Copacabana 680 subsolo/ RJ

 

 

Aos Sábados conta a história de Jandira e suas duas filhas, Regina e Malu, ao longo de três décadas. A peça mostra o amor entre as personagens que vivem alegrias e dores, e os altos e baixos da relação familiar. Os encontros divertidos que elas têm todos os sábados passam a ter novos tons quando o Alzheimer acomete Jandira. Mas com ternura, esperança e improvável otimismo, essas mulheres juntas enfrentam a doença de maneira surpreendente. Texto e Idealização: Adyr de Paula, Direção: Danilo Salomão. No Elenco: Nedira Campos, Nina da Costa Reis e Isabel Castelo Branco, com participação: Sophia Fried e Pedro Baião.

Teatro Fashion Mall, sala 1 – Estrada da Gávea, 899 – São Conrado- RJ

Sábados e domingos às 19h

O Elixir do Amor chega abrindo temporada lírica no Theatro Municipal. O cativante Nemorino, de puro coração, com bela música de Gaetano Donizetti conta a história de Nemorino, um agricultor apaixonado pela proprietária Adina, que não lhe dá atenção. Na tentativa de conquistar Adina, o camponês é enganado por um médico charlatão que lhe oferece um poderoso elixir que cura todos os males físicos e amorosos. A ópera conta com Coro e Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Regência do Coro: Edvan Moraes, Concepção e Direção Cênica: Menelick de Carvalho, Direção Musical e Regência: Felipe Prazeres e Direção Artística do TMRJ: Eric Herrero. Haverá uma palestra gratuita no Salão Assyrio uma hora antes do início do espetáculo.

26 de abril – 19h / 21 e 28 de abril – 17h

Theatro Municipal do Rio de Janeiro / Endereço: Praça Floriano, s/n° – Centro

 

Os Bruzundangas é a primeira adaptação da célebre literatura de Lima para o teatro, a peça é uma comédia satírica que bebe da fonte do teatro de revista, apresentando a vida brasileira nos primeiros anos da Primeira República com números de vedetes, questões políticas e canções, unido a uma dramaturgia que foi formatada através de várias crônicas sobre o mesmo assunto: a temática social brasileira sob um viés político. Bruzundanga é um país fictício, com o qual o nosso Brasil tem afinidades – diversos problemas sociais, econômicos e culturais. Em cena, os quatro atores cantam, dançam e interpretam suas aventuras através da ironia tipicamente carioca, embaladas por canções originais cantadas ao vivo.   No elenco Dani Ornellas, Hugo Germano, Jean Marcell Gatti e Renato Carrera, direção de Renato Carrera e Dani Ornellas, Direção Musical de Maíra Freitas

Quinta a sábado às 19h | Domingo às 18h

    Centro Cultural Banco do Brasil / Rua Primeiro de Março, 66 – Centro – RJ

 

O Auto da Compadecida famoso texto de Ariano Suassuna que já ganhou diversas montagens no teatro, no cinema e na TV transporta o publico para o sertão nordestino com uma trupe de circo que recria um retrato abstrato da região, através das incríveis aventuras e confusões dos conhecidos e amados personagens João Grilo, o típico anti-herói brasileiro, e Chicó, seu fiel escudeiro. O destaque do espetáculo fica por conta da inspiração nas origens do circo-teatro. Direção de Claudio Ventura e Alexandre Dantas, com 21 atores em cena como prática de montagem da In Cena Produções.

Sextas-feiras, às 20h

Teatro Candido Mendes: Rua Joana Angélica, 63, Ipanema/ RJ

 Nosso contato : teatroemcenanoradio@gmail.com

 

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