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Exclusivo: entrevista com o bailarino de O Lago dos Cisnes, Gustavo Carvalho. 

Luiz Claudio de Almeida 18 de julho de 2024 5 minutes read
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Essa semana mergulhei no mundo da dança e fui conversar com o gigante bailarino internacional Gustavo Carvalho.
Em nosso bate-papo ele fala de sua rotina, da dedicação necessária para viver Siegfrid, em O Lago dos Cisnes, de projetos  futuros e muito mais. Confira!
JP –  Olá Gustavo! Você está integrando o elenco do ballet O Lago dos Cisnes que fez temporada no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, quando interpretou Siegfrid. Como está sendo para você esse retorno aos palcos brasileiros? Quais são as suas expectativas?

Estou muito feliz e animado com a minha volta aos palcos brasileiros, o público é sempre muito caloroso e receptivo.
A última vez que me apresentei no Rio foi em 2018, a convite da Escola Estadual de Dança Maria Olenewa com a Primeira bailarina Claudia Motta.

JP – O ballet Lago dos Cisnes exige muita dedicação, e muita técnica. Como foi a sua preparação?

Aqui na Alemanha a rotina é bem intensa, trabalho 6 dias por semana de 10h às 18h, isso quando não tenho espetáculos a noite.
Mas para fazer um ballet completo como “O Lago dos Cisnes” sempre tento focar no que vou precisar durante o espetáculo. É um ballet que exige muita dedicação e concentração, são 4 atos, quase sem sair de cena. Para o homen é muito importante a preparação para os “Pas de Deux”, os duetos com a minha partner.

JP – Como surgiu o interesse pela dança? Qual foi o espaço de sua formação? Quais foram os seus primeiros passos como bailarino?

Sempre pedi para a minha mãe, Sônia Carvalho, para me colocar no ballet, não sei de onde veio essa vontade mas sempre me interessei muito, na época morávamos em Volta Redonda, então não tinha muito contato com a dança.
Só quando mudamos para Cabo Frio que comecei meus estudos, aos
8 anos.
Um dia saindo da minha aula de música, no Teatro Municipal de Cabo Frio, vi a bailarina Vivian Navega dançando, naquele momento percebi o que queria para minha vida. Então entrei no Cabo Frio Ballet, logo depois, orientado pela Vivian fui fazer aula em uma outra escola, o Ballet Márcia Sampaio, onde conheci o meu professor, Jorge Texeira. Um ano depois me mudei para o Rio de Janeiro, e ingressei no Curso de Formação Profissional do Conservatório Brasileiro de Dança, lá me formei e passei a fazer parte da Cia Brasileira de Ballet.

JP – Ainda no âmbito da sua formação, quais foram os seus principais mestres?

Meu primeiro e grande professor foi o Jorge Texeira, foi quem me deu toda a base e consciência corporal para crescer como bailarino.
Depois dele, tive o prazer em trabalhar com o grande bailarino e meu diretor na época, Julio Bocca.
Julio foi meu coach por 5 anos no Uruguai, e com ele aprendi muito.
Mas durante minha carreira tive a oportunidade de trabalhar com grandes coreógrafos e professores que acrescentaram muito, cada um com um detalhe especial.

JP – Como se deu a sua inserção na Companhia Brasileira de Ballet? Qual foi a importância da Companhia para sua formação?

Logo após de me formar no Conservatório Brasileiro de Dança, entrei na Cia Brasileira de Ballet. Era uma companhia jovem, conectada com a escola, onde dançávamos todos os ballets do repertório clássico.
Isso me ajudou muito, pois quando entrei na minha primeira Companhia profissional, já tinha uma ideia de como era a rotina de uma cia e como era fazer ballets completos também.

JP – Por que você optou por uma carreira internacional em sua trajetória como bailarino?

Desde quando iniciei meus estudos da dança recebi bolsas para ingressar em escolas de ballet no exterior, mas por conta da minha idade e apego à minha família, deixar o Brasil naquela época foi uma ideia que nunca passou pela minha cabeça. Na minha opinião, no Brasil temos muitas escolas com um trabalho excelente.
Mas quando recebi o convite do Julio Bocca para ingressar o Ballet Nacional del Sodre no Uruguai, não pensei duas vezes.
As coisas foram acontecendo naturalmente. Sempre fui muito focado, e trabalhei para conseguir tudo, mas ter uma carreira internacional foi consequência de tudo isso.
Hoje moro na Europa também pelo motivo de ter sido convidado pelo diretor da companhia aqui na Alemanha.

JP – No âmbito da dança, você prefere mais o clássico ou o contemporâneo? Justifique.

Minha paixão sempre foi o clássico, mas aqui na Alemanha fazemos de tudo um pouco, o nosso repertório é bem variado, o que no início foi um pouco difícil para mim, mas também foi um dos motivos de ter aceitado o convite de vir para a Europa. Acho que está tudo conectado, os ballets contemporâneos e neo clássicos tem sua dificuldade técnica, mas que no final te ajudam a melhorar muitas coisas no clássico.

JP – Quais são os seus projetos futuros?

Desde o começo minha carreira foi uma junção de muito trabalho e paixão por essa arte.
Para o futuro pretendo seguir trabalhando, dando meu melhor sempre e aproveitando da melhor maneira possível as oportunidades que a dança me dá.
Espero poder voltar mais vezes ao meu país que amo tanto, e poder ajudar os futuros talentos do Brasil.

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Luiz Claudio de Almeida

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