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Um Pedro Popular Que Passeia e Constrói Amizades Pelas Ruas da Cidade do Rio de Janeiro

Alex Varela Gonçalves 9 de julho de 2025 4 minutes read
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Estreou Fico no  âmbito da mostra teatral “Três histórias que mudaram a história”, residência artística da Companhia Tryo Teatro Banda, no teatro do CCBB RIO 3.

 

A coordenação geral e a curadoria é de Julio Adrião.

 

O texto de Francisco Sánchez e Julio Adrião mescla história e ficção, é crítico, cômico, musical e poético. Nos apresenta um Dom Pedro popular, que andava pelas ruas, praças, praias, jardins e cachoeiras. E, numa dessas caminhadas, ele encontrou com o chileno Vicente Pérez Rosales, com quem passou a estabelecer diálogos, e se tornaram íntimos. Dom Pedro chegou a convidar Vicente para ir ao Paço.

 

Tal fato aconteceu num contexto de tensão política, quando as Cortes Portuguesas exigiam o seu retorno a Portugal e a volta das condições do Brasil anteriores ao ano de 1808 e a 1815. Ficar ou não ficar, eis o dilema. É encontro imaginário entre o Príncipe Regente e o chileno que o texto narra.

 

Se há imaginário no texto, uma vez que o encontro é uma invenção, por outro lado, há também crítica ao processo de independência do Brasil. Pedro ficou e se tornou Príncipe Regente. Manteve a continuidade da dinastia dos Braganças, e impediu que assim despontassem rebeliões que poderiam fragmentar o território. Por sua vez, ele proclamou a independência, transformou o Império Luso-Brasileiro no Império do Brasil, e se tornou Imperador. Contudo, o Império nasceu elitista e excludente, pois não incorporava os nativos, as mulheres, os homens livres e brancos, e os pretos escravos. A escravidão foi mantida! Vitoria do proprietários de terras e escravos. Nascemos sob a égide da exclusão, e até os dias de hoje não conseguimos completar a construção da nação.

 

Francisco Sanchez tem uma atuação impecável, digna de louvor, aplausos e reconhecimento. Quem assistiu teve a oportunidade de conferir! Não me deixa mentir!

 

O ator é acompanhado por um conjunto de músicos com seus respectivos instrumentos: Simón Schriever (violão), Karin Peres Verthein (violino), Maria Clara Valle (violoncello) e Renata Neves (viola). Eles complementam e auxiliam o ator na narrativa do texto, dando ao mesmo caráter musical e poético.

 

Convém informar que Francisco Sanchez toca trombone ao longo da apresentação.

 

No nosso ponto de vista, o momento de ápice do espetáculo se dá quando o ator apresenta o extenso nome completo do futuro Imperador, por meio de colagens em folhas de papel e de forma musical e poética. Ele emocionou, foi aplaudido, e, convocou o público a recitar em parceria com ele, numa terceira vez, o nome completo.

 

A direção de Julio Adrião focou no texto, e deixou o ator a vontade, livre e soberano no palco para realizar a notável interpretação.

 

O figurino produzido por Pedro Grameña é simples. O ator veste camisa, calça e sapato. Sanchez faz um Pedro popular, que circula pelos espaços da cidade.

 

A cenografia é nula.

 

A iluminação criada por Matías Ulibarry apresenta um bonito jogo de luzes, que contribui para realçar a interpretação do ator de seu personagem.

 

Fico é uma peça de teatro que mescla realidade e ficção; um ator com uma atuação notável; e a música como elemento central da narrativa, dando ao texto um caráter musical e poético.

 

Excelente produção cênica!

 

 

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Alex Varela Gonçalves

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