Skip to content

JpRevistas

Revista eletrônica de informação, cultura e entretenimento.

Primary Menu
  • Home
  • Quem somos
  • Boa Leitura
  • Carnaval
  • Colunistas
  • Contato
  • Entrevista
  • Publicidade
Light/Dark Button
Contato
  • Home
  • 2025
  • novembro
  • Depois da catástrofe ambiental: Caminhos não capitalistas para um mundo ferido
  • Arlindenor Pedro
  • Colunistas

Depois da catástrofe ambiental: Caminhos não capitalistas para um mundo ferido

Arlindenor Pedro 30 de novembro de 2025 10 minutes read
WhatsApp Image 2025-11-26 at 17.48.22
Redes Sociais
           
Por Arlindenor Pedro  –  Professor de História, Filosofia e Sociologia, editor do Blog, Revista Eletrônica e canal YouTube Utopias Pós Capitalistas.

Vivemos um colapso energético travestido de debate técnico. A temperatura média do planeta se eleva ano após ano, sistemas hídricos entram em colapso, a desertificação avança e a queima de combustíveis fósseis segue como espinha dorsal da matriz produtiva global. A chamada transição energética, tão evocada em relatórios e cúpulas, ainda não encontrou sua forma histórica real.

    Em seu lugar, temos um impasse que expressa não somente uma crise ambiental, mas uma tragédia energética estrutural: o capitalismo depende da energia fóssil para manter seu metabolismo, mas o próprio uso dessa energia mina as condições de vida no planeta.
É neste contexto que a COP30, realizada em Belém do Pará, apresentou ao mundo o “Mapa do Caminho”:um plano para mobilizar ao menos US$ 1,3 trilhão por ano até 2035 para financiar ações climáticas em países em desenvolvimento. Seu objetivo declarado é viabilizar uma transição para economias de baixo carbono, garantir a adaptação a eventos extremos e estruturar formas de justiça climática financeira.
    A proposta, formulada conjuntamente pelas presidências da COP29 (Baku) e COP30 (Belém), foi recebida com entusiasmo técnico e ceticismo político. O resultado é que ela foi rejeitada e não foi incluída no documento final da Conferência, tendo em vista que não era consensual. Mas, obviamente, mesmo que o Mapa do Caminho tenha sido rejeitado, sabemos de sua importância. E sabemos também que ele guiará os debates para muitos nos próximos anos. Mas, afinal, o que revela este documento? E, mais importante, o que ele escamoteia?
Para responder, é necessário situar o Mapa do Caminho no quadro mais amplo das três grandes respostas contemporâneas à crise energética planetária. São elas:
A gestão adaptativa do capital verde.
Esta é a posição assumida pelas instituições multilaterais, organismos técnicos e coalizões de Estados desenvolvimentistas. O mapa do Caminho é sua expressão mais sofisticada. Nela, reconhece-se que o mundo está em crise, mas aposta-se em sua superação por meio da reorientação de fluxos de investimento, da reforma do sistema financeiro internacional e da ativação de mecanismos de mercado para mitigar o desastre.
   A natureza contínua sendo tratada como ativo, o carbono como passivo monetizável, e a floresta como estoque de compensações. O capital é mantido, mas “verificado”. O problema, neste modelo, não é a forma social, mas sua má gestão.
A manutenção da matriz fóssil sob a  negação ou o  cinismo estratégico.
Representada por Estados macroeconômicos como Arábia Saudita e Rússia, por setores negacionistas como os EUA e por grandes corporações de energia, esta linha defende a continuidade da extração e queima de combustíveis fósseis como “necessária”, “realista” ou “inevitável”.
   Na COP30, essa posição impôs-se na retirada do termo “phase out” dos documentos finais. O Mapa do Caminho, ao evitar menções explícitas aos fósseis, mostra que sua própria formulação já nasceu condicionada a esse veto geopolítico. Trata-se da defesa da valorização capitalista imediata, sem mediações verdes, ainda que ao custo do colapso.
A crítica radical da forma de vida capitalista. Este campo, minoritário e disperso, não tem representação diplomática nem protagonismo institucional. Surge nas margens — em assembleias populares, comunidades indígenas, críticas teóricas não reformistas. Aqui, a crise energética não é vista como problema de gestão, mas como expressão do próprio modo de produção. Propõe-se não transitar de matriz energética, mas socialmente. Romper com o valor, com a mercadoria, com o trabalho abstrato. O Mapa do Caminho, nessa visão, é parte do problema: ele tenta governar a catástrofe com os mesmos instrumentos que a produziram.
A análise do Mapa do Caminho, portanto, revela sua ambivalência. Por um lado, reconhece a urgência climática, propõe metas financeiras significativas e inclui termos como “transição justa” e “acesso equitativo ao financiamento”. Por outro lado, é dependente do capital privado, mediado por instrumentos de dívida, moldado pela arquitetura financeira que perpetua a desigualdade e esvaziado de força normativa real. Seu foco na mobilização de recursos não altera as determinações estruturais da acumulação.
O Mapa do Caminho é um documento da tentativa de adaptação do capital à escassez planetária. Ele não rompe com a lógica que transforma natureza em ativo e tempo em rentabilidade. Tampouco confronta as estruturas de dominação norte-sul que sustentam a dívida ecológica. Está preso entre o cinismo dos que negam a crise e a ausência de alternativa prática por parte dos que querem superá-la radicalmente.
É possível que sirva, no curto prazo, para abrir espaço fiscal e canalizar recursos para projetos pontuais. Mas não haverá verdadeira transição se ela for mediada por um sistema que só reconhece valor quando pode extrair mais-valia. O colapso não será evitado por um roteiro de investimentos, mas por uma ruptura com a própria forma de reprodução social que nos trouxe até aqui. E essa ruptura ainda não foi mapeada.
A fragilidade do Mapa do Caminho não reside somente em suas lacunas técnicas ou em sua falta de obrigatoriedade. Suas limitações são mais profundas e estruturais, ancoradas nas próprias condições históricas e institucionais que o moldam. Há, pelo menos, quatro barreiras centrais que impedem que essa iniciativa se torne uma resposta efetiva ao colapso ambiental em curso.
A primeira barreira é a mediação pelo capital privado. A meta de US$ 1,3 trilhão por ano até 2035 depende, em larga medida, da disposição de investidores institucionais, bancos multilaterais e mercados de capitais para canalizarem recursos para ações climáticas. Isso implica que o financiamento da transição está subordinado à lógica do lucro, à rentabilidade dos projetos, à previsibilidade jurídica e ao retorno sobre o investimento. Não se trata de reconstruir o mundo, mas de transformá-lo em um portfólio atraente para fundos de pensão e bancos de investimento. O risco climático é internalizado não como imperativo ecológico, mas como variável financeira.
A segunda barreira é a reprodução da arquitetura da dívida. Apesar de reconhecer a necessidade de instrumentos “não endividados” e “concessões”, o Mapa do Caminho não rompe com o regime de endividamento estrutural dos países do Sul global. Os fluxos de financiamento continuam a ser condicionados por exigências de ajuste fiscal, garantias e metas de desempenho. O paradoxo é evidente: espera-se que países profundamente afetados por desastres climáticos e colapsos econômicos invistam pesadamente em mitigação e adaptação sem que lhes seja permitido escapar das amarras do serviço da dívida. A lógica da financeirização da crise continua intacta.
A terceira barreira é a inexistência de mecanismos vinculantes. O Mapa do Caminho é uma proposta, não um tratado. Ele não impõe obrigações jurídicas, não prevê sanções, não define responsabilidades proporcionais entre emissores históricos e países vulneráveis. É um roteiro voluntário, e como tal, depende da boa vontade dos atores que justamente têm mais a perder com a transição: os que lucram com a continuidade da matriz fóssil e da destruição ambiental. Isso significa que, mesmo que a meta de financiamento seja formalmente acordada, nada garante que os fluxos ocorram de forma contínua, equitativa ou eficaz.
A quarta barreira é de ordem mais profunda: o caráter estrutural da crise ecológica. O Mapa do Caminho pressupõe que a crise possa ser resolvida sem transformar as formas fundamentais de mediação social do capitalismo. Ele opera com a crença de que o mundo pode continuar sendo movido por crescimento econômico, inovação tecnológica e rentabilidade de mercado — somente com uma matriz energética mais limpa. Mas o problema não é somente o carbono, é o modo como o capital organiza a produção, o tempo, o espaço e a vida. Sem romper com a lógica do valor, da mercadoria e da concorrência generalizada, todas as transições serão superficiais, e os custos ecológicos serão somente deslocados.
Portanto, o Mapa do Caminho não é propriamente uma farsa, mas uma tentativa incompleta e contraditória de salvar um mundo em ruínas sem tocar na forma que o arruinou. Ele busca mobilizar recursos sem transformar o fundamento social da devastação. E assim, talvez consiga adiar sintomas, mas não evitar o colapso. A verdadeira transição energética não será comandada por fóruns financeiros, mas por uma ruptura histórica ainda por vir. Uma ruptura que coloque no centro não o investimento, mas a vida. Não o retorno, mas a regeneração. Não o mapa, mas o caminho que ainda precisa ser inventado.
Talvez o verdadeiro Mapa do Caminho ainda esteja por ser traçado :não como instrumento financeiro, mas como horizonte civilizatório. Um mapa que não mire a conversão do carbono em ativos, mas a reconexão entre humanidade e natureza fora das formas fetichistas da mercadoria, do trabalho abstrato e do dinheiro. Um mapa que reconheça a Terra não como estoque, mas como condição comum de existência. Para isso, será necessário romper com os vínculos estruturais que organizam o mundo como mercado, o tempo como produtividade, o espaço como fronteira de extração e a vida como recurso. Este outro caminho não será fruto de conferências, mas de insubmissões cotidianas, de reapropriações do tempo e do comum, de práticas sociais que escapem ao automatismo da valorização. Somente assim se poderá vislumbrar uma sociedade onde o valor não seja o centro, mas a vida:plural, concreta, irrepetível.
Mas mesmo esse novo mapa, por mais necessário que seja, não poderá apagar o que já foi feito. O mal está consumado. As espécies extintas não voltarão, os solos envenenados não se regeneram por decreto, os ciclos climáticos desfeitos não retornam à ordem anterior. A devastação imposta pelo capitalismo é, na maioria, irreparável. Não se trata mais de restaurar um equilíbrio perdido, mas de criar formas de vida viáveis num mundo transformado pela catástrofe. É neste terreno instável que a humanidade terá de reinventar-se e, talvez, a única saída esteja naquilo que o próprio capital sempre tentou sufocar: a criatividade coletiva, a solidariedade concreta, a recusa ativa à dominação e o cultivo de laços que não se medem em cifras. Não é, somente, tentar salvar o planeta, mas, sim,  refazer o humano fora da lógica que quase o destruiu. O futuro, se houver, será obra da negação e da imaginação.

About the Author

Arlindenor Pedro

Editor

View All Posts

Post navigation

Previous: Painel “Sustentabilidade e Agenda 2030” em Madrid
Next: Treinamento Permanente em Prerrogativas

Postagens Relacionadas

4a68fa73-4209-43ef-8533-0d215b1362c7
  • Colunistas
  • Ricardo Cravo Albin

LUIZ CARLOS BARRETO, companheiro de uma geração que acreditou no cinema brasileiro

Ricardo Cravo Albin 22 de julho de 2026
images (4)
  • Colunistas
  • Vicente Limongi Netto

CBF incompetente

Vicente Limongi Netto 22 de julho de 2026
Screenshot_20260720_135909_Instagram
  • Alex Gonçalves Varela
  • Colunistas

De Ser Humano a Inseto

Alex Varela Gonçalves 22 de julho de 2026

Recent Posts

  • LUIZ CARLOS BARRETO, companheiro de uma geração que acreditou no cinema brasileiro
  • CBF incompetente
  • Charge do Dia
  • De Ser Humano a Inseto
  • Vertiginoso Amor

Recent Comments

Nenhum comentário para mostrar.

Archives

  • julho 2026
  • junho 2026
  • maio 2026
  • abril 2026
  • março 2026
  • fevereiro 2026
  • janeiro 2026
  • dezembro 2025
  • novembro 2025
  • outubro 2025
  • setembro 2025
  • agosto 2025
  • julho 2025
  • junho 2025
  • maio 2025
  • abril 2025
  • março 2025
  • fevereiro 2025
  • janeiro 2025
  • dezembro 2024
  • novembro 2024
  • outubro 2024
  • setembro 2024
  • agosto 2024
  • julho 2024
  • junho 2024
  • maio 2024
  • abril 2024
  • março 2024
  • fevereiro 2024
  • janeiro 2024
  • dezembro 2023
  • novembro 2023
  • outubro 2023
  • setembro 2023
  • agosto 2023
  • julho 2023
  • junho 2023
  • maio 2023
  • abril 2023
  • março 2023
  • fevereiro 2023
  • janeiro 2023
  • dezembro 2022
  • novembro 2022
  • outubro 2022
  • setembro 2022
  • agosto 2022
  • julho 2022
  • junho 2022
  • maio 2022
  • abril 2022
  • março 2022
  • fevereiro 2022
  • janeiro 2022
  • dezembro 2021
  • novembro 2021
  • outubro 2021
  • setembro 2021
  • agosto 2021
  • julho 2021
  • junho 2021
  • maio 2021
  • abril 2021
  • março 2021
  • fevereiro 2021
  • janeiro 2021
  • dezembro 2020
  • novembro 2020
  • outubro 2020
  • setembro 2020
  • agosto 2020
  • julho 2020
  • junho 2020
  • maio 2020
  • abril 2020
  • março 2020
  • fevereiro 2020
  • janeiro 2020
  • dezembro 2019
  • novembro 2019
  • outubro 2019
  • setembro 2019
  • agosto 2019
  • julho 2019
  • junho 2019
  • maio 2019
  • abril 2019
  • março 2019
  • fevereiro 2019
  • janeiro 2019
  • dezembro 2018
  • novembro 2018
  • outubro 2018
  • setembro 2018
  • agosto 2018
  • julho 2018
  • junho 2018
  • maio 2018
  • abril 2018
  • março 2018
  • fevereiro 2018
  • janeiro 2018
  • dezembro 2017
  • novembro 2017
  • outubro 2017
  • setembro 2017
  • agosto 2017
  • julho 2017
  • junho 2017
  • maio 2017
  • abril 2017
  • março 2017
  • fevereiro 2017
  • janeiro 2017
  • dezembro 2016
  • novembro 2016
  • outubro 2016
  • setembro 2016
  • agosto 2016
  • julho 2016
  • junho 2016
  • maio 2016
  • abril 2016
  • março 2016
  • fevereiro 2016
  • janeiro 2016
  • dezembro 2015
  • novembro 2015
  • outubro 2015
  • setembro 2015
  • março 2015

Categories

  • Agenda
  • Alex Cabral Silva
  • Alex Gonçalves Varela
  • Arlindenor Pedro
  • Arte Moderna
  • Boa Leitura
  • Carlos Monteiro
  • Carnaval
  • Category
  • Charge
  • Chico Vartulli
  • Cinema
  • Cinema
  • Civil Society
  • Cláudia Chaves
  • Climate
  • Colunistas
  • Conflict
  • Crônicas
  • Cultura
  • Democracy
  • Desfile das Campeãs
  • Divaldo Franco
  • Elda Priami
  • Entrevistas
  • Flávio Filipe
  • Gastronomia
  • Geopolitics
  • Geraldo Nogueira
  • Giuseppe Oristanio
  • Grande Rio
  • IMpério da Tijuca
  • Internacional
  • João Henrique
  • livro
  • Livros
  • Lu Catoira
  • Luis Pimentel
  • Luisa Catoira
  • Mangueira
  • Miguel Paiva
  • Mocidade Independente
  • Mostra
  • Musica
  • Negócios
  • News Analysis
  • Nosso Camarote
  • Odette Castro
  • Olga de Mello
  • Paraiso do Tuiuti
  • Patrícia Morgado
  • peça
  • política
  • Political Trends
  • Portela
  • Power
  • Ricardo Cravo Albin
  • Rogéria Gomes
  • Salgueiro
  • Samba
  • São Clemente
  • Sapucaí
  • Saúde
  • Show
  • Society
  • Teatro
  • Uncategorized
  • Unidos da Tijuca
  • Variedades
  • Vicente Limongi Netto
  • Vila Isabel
  • Viradouro
  • Viviana Navarro

Top News

  • 4a68fa73-4209-43ef-8533-0d215b1362c7
    LUIZ CARLOS BARRETO, companheiro de uma geração que acreditou no cinema brasileiro
  • images (4)
    CBF incompetente
  • (sem título)
  • (sem título)

Meta

  • Acessar
  • Feed de posts
  • Feed de comentários
  • WordPress.org

O que você perdeu...

4a68fa73-4209-43ef-8533-0d215b1362c7
  • Colunistas
  • Ricardo Cravo Albin

LUIZ CARLOS BARRETO, companheiro de uma geração que acreditou no cinema brasileiro

Ricardo Cravo Albin 22 de julho de 2026
images (4)
  • Colunistas
  • Vicente Limongi Netto

CBF incompetente

Vicente Limongi Netto 22 de julho de 2026
IMG-20260722-WA0000
  • Charge
  • Miguel Paiva

Charge do Dia

Miguel Paiva 22 de julho de 2026
Screenshot_20260720_135909_Instagram
  • Alex Gonçalves Varela
  • Colunistas

De Ser Humano a Inseto

Alex Varela Gonçalves 22 de julho de 2026

Recent Posts

  • 4a68fa73-4209-43ef-8533-0d215b1362c7
    LUIZ CARLOS BARRETO, companheiro de uma geração que acreditou no cinema brasileiro22 de julho de 2026
  • images (4)
    CBF incompetente22 de julho de 2026
  • IMG-20260722-WA0000
    Charge do Dia22 de julho de 2026

Tags

Arte beija-flor Blocos de Carnaval Brasil Brasília Carnaval Carnaval de Rua Carnaval Rio 2026 Carnaval SP Centro Cultural Correios Cinema crime Cultura eleição Espetáculo Exposição Filme Flamengo Folia food Futebol Imperio Serrano Justiça LGBTQIA+ literatura Livro livros Lula Mangueira Mostra Natal OAB-RJ Política Portela Rio Rio de Janeiro RiodeJaneiro samba Sapucaí Senado sports teatro tech TJRJ travel

Site Produzido por Infomídia Digital | MoreNews by AF themes.