Skip to content
15 de abril de 2026
  • Facebook
  • Instagram
  • Linkedin
  • Threads

JpRevistas

Revista eletrônica de informação, cultura e entretenimento.

Sem título-1
Primary Menu
  • Home
  • Quem somos
    • Administração
  • Categorias
    • Agenda
    • Boa Leitura
    • Carnaval
    • Cultura
    • Cinema
    • Variedades
    • Entrevistas
    • Publicidade
    • Charge
  • Publicidade
  • Contato
  • Colunistas
    • Alex Cabral SilvaAlex Cabral Silva é petropolitano, vascaíno, jornalista e contista. Estudou roteiro na Escola de Cinema Darcy Ribeiro e é colaborador de longa data do JP Revistas. É autor da coletânea de contos Na Altura dos Olhos, lançada pela Editora Primata.
    • Arlindenor PedroProfessor de História, Filosofia e Sociologia, editor do Blog, Revista Eletrônica e canal YouTube Utopias Pós Capitalistas. Pode colocar qualquer email porque sou eu quem vai postar os textos que ele enviar
    • Divaldo FrancoDivaldo Pereira Franco – Embaixador da Paz, orador e palestrante espírita. Divaldo Franco é um dos mais consagrados oradores e médiuns da atualidade, fiel mensageiro da palavra de Cristo pelas consoladoras e esperançosas lições da Doutrina Espírita. Aos 95 anos de idade e 75 anos de oratória espírita, Divaldo atinge surpreendente e exemplar performance, com mais de 20 mil conferências e seminários em 71 países – em muitos deles, por várias vezes –, dos cinco continentes. Há 71 anos, ao lado do amigo Nilson Souza Pereira, fundou a Mansão do Caminho, cujo trabalho de assistência social a milhares de pessoas carentes da cidade de Salvador tem conquistado a admiração e o respeito da Bahia, do Brasil e do mundo.
    • Elda PriamiJornalista que transita pela arte de viver bem. Depois de muitos caminhos impressos, agora é a vez do digital.
    • Geraldo NogueiraAdvogado e Presidente da Comissão dos Direitos da Pessoa com Deficiência OAB-RJ. E-mail: contatogeraldonogueira@gmail.com
    • Giuseppe OristanioNos últimos 10 anos participou dos seguintes espetáculos teatrais : “Doidas e Santas”, baseado no livro homônimo de Martha Medeiros com e direção de Ernesto Picollo (o espetáculo permaneceu 9 anos em cartaz e encerrou sua carreira em turnê por Portugal), “Gerturdes Stein, Alice Tocklas e Pablo Picasso” (texto de Alcides Nogueira e direção de Paulo Goulart Filho), “A Atriz” (de Peter Quilter , direção de Bibi Ferreira) . Em anos anteriores destacam -se, entre outros, os seguintes trabalhos : “A Mandrágora” (Maquiavel, com o Grupo Tapa e direção de Tolentino), “Salve Amizade” e “Um Dia Das Mães” (texto e direção de Flávio Marinho), Mephisto (de Klauss Man, com direção de José Wilker), “A Maracutaia”, adaptação da “Mandrágora” de Maquiavel, com texto e direção de Miguel Falabella ; “O Inimigo Do Povo”, de Ibsen, com direção de Domingos de Oliveira ; Nos últimos 17 anos foi contratado da RecordTV, onde já fez 12 novelas e séries : “Poder Paralelo”, “Ribeirão Do Tempo”, “Chamas Da Vida”, “Gênesis”, Os Dez Mandamentos, Jesus, entre muitos outros . Giuseppe também é autor do livro “Sempre Existe Um Porém, A vida é feita de histórias”, lançado em 2022 em comemoração aos 50 anos de carreira…
    • João Henrique
    • Lu CatoiraJornalista e consultora de Moda
    • Luis PimentelCresceu e teve sua formação básica na cidade de Feira de Santana de onde mudou-se para o Rio de Janeiro para estudar teatro. Ali, contudo, dedicou-se ao jornalismo e à literatura.[2] Trabalhou em várias publicações e jornais, como O Pasquim (1976-1977), na Mad do Brasil, Última Hora, O Dia e outros.[2] Como escritor, é autor de dezenas de obras, em vários estilos, e dedicadas aos públicos infantil ou adulto, além das biografias de Wilson Batista[3] e Luiz Gonzaga,[4] havendo ganho vários prêmios literários. Foi, ainda, roteirista em programas de humor da televisão, como Escolinha do Professor Raimundo.[2] Seu trabalho também é voltado para a música do Brasil, havendo editado a revista Música Brasileira, que ainda encontra sua versão no meio digital.[2] Coordenou, também, a publicação de Paixão e Ficção – Contos e Causos de Futebol, no qual escreveu um texto, ao lado de figuras como Zico, Armando Nogueira, Aldir Blanc, entre outros.[
    • Luisa CatoiraFormada em  fonoaudiologia no Rio de Janeiro, morou  em São Paulo por 17 anos, onde fez  pós graduações em psicomotricidade, psicanálise, motricidade oral, cursos de especialização em bebê de alto risco, acupuntura sistêmica e auricular. de volta ao Rio de Janeiro, em 2010, fez uma pós em audiologia clinica, para entender como estava o mercado de fonoaudiologia no Rio. Nessa época, entrou em seu consultório, uma atriz, dubladora e locutora, que precisou cuidar da voz, pois teria uma peça no final de semana, várias locuções e dublagens para fazer, mas ficou impedida por ter ficado subitamente rouca. Ela, sendo muito disciplinada, fez tudo o que foi orientado  e, no dia seguinte conseguiu cumprir suas funções vocais. Como era uma pessoa bem famosa, acabou  apresentando Luisa para o mundo da arte, o que  mudou o rumo de  sua vida. A partir daí, fez cursos na área de voz, com as melhores fonoaudiólogas do Brasil, além de 2 cursos em eletroestimulação, laser, ultrassom e uma pós graduação em fisiologia do exercício. Acompanhava as aulas de dublagem que ela dava, deu  várias palestras em cursos de teatro e dublagem e acabou montando um método de trabalho que dura 5 semanas, para trabalhar com…
    • Rogéria GomesJornalista, apresentadora, editora, roteirista e pesquisadora
    • Ricardo Cravo AlbinAdvogado, jornalista, escritor, Pesquisador de MPB e presidente do Instituto Cultural Cravo Albin.
    • Miguel PaivaMiguel Paiva é um cartunista, diretor de arte, escritor, autor de teatro, ilustrador, publicitário, diretor, roteirista e comentarista de televisão, roteirista de cinema e jornalista brasileiro.
    • Odette CastroAutora de “Rubi”, “Na beira do mar o amor disse ‘oi’” e crônicas do cotidiano. Mãe da Laura e da Beatriz. Avó da Ana Catarina. Ativista da inclusão e criadora dos projetos “Fale Certo — Linguagem Inclusiva” e “Uma flor por uma dor”, onde flores de crochê são amarradas em árvores para ‘falar’ sobre capacitismo, racismo, homofobia e todas as formas de preconceito e exclusão.
    • Olga de MelloOlga de Mello é jornalista há 30 anos, carioca por nascimento, convicção e insistência. Obsessiva-compulsiva por literatura, cinema, música e pelo Rio de Janeiro. A militância pela cidade a levou a criar o blog Arenas Cariocas (www.arenascariocas.blogspot.com), sua primeira experiência pública de escrevinhar fora do jornalismo.Tomou gosto, abriu o Estantes Cariocas (www.estantescariocas.wordpress.com) para tratar de livros, sua companhia predileta quando distante dos quatro filhos e dos amigos. Assessora de imprensa, deixou fisicamente as redações há seis anos, porém continua escrevendo para sites, jornais e revistas, principalmente sobre cultura, que considera gênero de primeira necessidade. Mora no Rio, cercada por filhos, gatos, pássaros, plantas e livros.
    • Patrícia MorgadoPsicóloga Clínica, Jornalista, Instrutora de yoga, meditação, massoterapeuta e desenvolve um trabalho em prol da saúde mental, corporeidade/ psicossoma e desenvolvimento humano. Está em processo de especialização em psicologia Clínica, com ênfase em Gestalt Terapia e Mindfulness. Quarentona e mãe solo de uma criança de 5 anos.
    • Vicente Limongi NettoLimongi é jornalista. Aposentado do Senado e membro da ABI, há 51 anos.
    • Víviane FernandesTurismóloga , Jornalista, pós graduada em marketing Presidente da Associação dos Embaixadores de Turismo do Estado do Rio de Janeiro Diretora da ABAV Diretora do Instituto Preservale Diretora do INPETUR Radialista Band Apresentadora de TV nos canais 6 e 11 da NET CEO da Nice Via Apia Luxury
    • Viviana NavarroNutricionista formada pelo IBMR Pós-graduada em Terapia Nutricional Pediátrica pela UFRJ Especialização em Modulação Intestinal. Atendimentos presenciais e online.
Contato
  • Home
  • 2025
  • novembro
  • Entrevista exclusiva com Sandra Coelho: duas faces de uma mesma busca.
  • Chico Vartulli
  • Colunistas

Entrevista exclusiva com Sandra Coelho: duas faces de uma mesma busca.

Chico Vartulli 20 de novembro de 2025 17 minutes read
IMG-20251028-WA0167
Redes Sociais
           
Minha entrevistada de hoje é Sandra Coelho: Psicologia e Artes Cênicas – duas faces de uma mesma busca.  Artista-pesquisadora com incursões em Teatro, Artes Visuais e Literatura. Mestranda em Artes Cênicas pelo PPGAC – UDESC, estuda o conceito de protagonismo das crianças em artes cênicas. É autora e co-autora de Pô!Ema: criação poética com crianças, performance multimídia de criação e incentivo a escrita poética, que deu origem ao livro Pô!Ema – poesia de criança (selecionado pelo programa Eu Faço Cultura e adquirido pelo Sesc SC como acervo de suas bibliotecas no estado).Também é co-autora de #Mergulho – experiência teatral para crianças, O Barquinho Amarelo e Os Pequenos Mundos (Palco Giratório 2022), todos voltados a primeira infância. Mantém pesquisas permanentes em escolas públicas da cidade de Itajaí em teatro e criação dramatúrgica para as infâncias.

JP – Olá Sandra! Como você aproxima a psicologia das artes cênicas?

Para mim, a Psicologia e as Artes Cênicas dialogam como duas faces de uma mesma busca: a de tornar visível aquilo que pulsa no invisível: os desejos, os medos, os sonhos, os mitos, e convidar o espectador a entrar numa zona de imaginação e presença. No meu trabalho, uso a formação em Psicologia (de orientação analítica / junguiana) para sensibilizar o processo cênico: o ator, a criança, o público não são apenas intérpretes ou receptores, mas sujeitos simbólicos, que se relacionam com imagens, projeções, memória, corpo e sonho. As artes (teatro, performance, literatura, animação) nos permitem construir espaços onde o inconsciente emerge de modo vivo: por meio de corpo, imagem, som, relação. Quando criamos para a primeira infância, por exemplo, ou para públicos imersos na poesia visual, introduzimos propositalmente onírismo, suspensão do tempo, de modo que a tecnologia, o corpo, a projeção, atuem como mediação e favorecedores de algo que não é apenas “entretenimento”, mas acesso simbólico.

Especificamente no Eranos, trabalhamos com o conceito de “protagonismo infantil”, onde a criança é compreendida como sujeito ativo de suas experiências! E aí a Psicologia ajuda a entender os modos de percepção infantil, seus tempos, sua potência imaginal, suas sensações. Por exemplo, o uso de projeção digital em nossos espetáculos é pensado para respeitar o ritmo da criança (mais sensível), para evocar e não saturar, para abrir o espaço de contemplação e de invenção, em vez de sobrecarregar com estímulos.

Também considero o universo onírico: o sonho, a metáfora, os arquétipos como chão vital para a cena. O sonho não é apenas matéria individual, mas material compartilhado, simbólico, que se presta à arte cênica: quando introduzimos nas cenas imagens projetadas que se transformam, bonecos que se animam, corpos que se fundem com luz ou sombra, estamos convocando uma lógica de sonho: onde os limites se esgarçam, onde o real e o imaginário co-existem. Então a Psicologia oferece a escuta, a compreensão dos processos internos do sujeito, da infância, do imaginário; as Artes Cênicas oferecem o corpo, o espaço, a imagem, o fazer artístico. Juntas, permitem criar experiências estéticas que transformam percepção, afeto e pensamento, convocando o público a imaginar e sentir de modo sensível.

JP – No campo da psicologia, qual é a sua principal referencia (teórica e prática)?

Sou especialista em Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung, orientação psicológica que me fornece a base para a compreensão do inconsciente como dimensão simbólica e criativa, onde as imagens são manifestações vivas da psique. Nesse sentido, compreendo a arte como um campo de emergência dessas imagens, um espaço onde o inconsciente pode se expressar corporalmente, visualmente e poeticamente.  Ainda trago a Psicologia Arquetípica de James Hillman para ampliar a perspectiva ao deslocar o foco do “eu” para a imaginação, colocando a imagem no centro do pensamento e da criação. A Psicologia Arquetípica propõe uma escuta poética da alma, uma forma de perceber o mundo por meio das imagens que ela produz . Em meu trabalho, as imagens não apenas ilustram ideias: elas são o próprio pensamento da alma, são modos de existência da imaginação.

JP – Quando se deu o seu interesse em trabalhar com o universo infantil?

No início do meu trabalho com o público da primeira infância em meados de 2013, percebi que muitas obras voltadas para crianças eram construídas a partir de um olhar adultocêntrico: subestimavam suas capacidades, caricaturavam suas experiências ou reproduziam diversos estereótipos. Essas obras frequentemente não consideravam os corpos das crianças, seus ritmos, tempos, imaginação, vozes e modos de perceber o mundo.

A partir dessa constatação, percebi que era necessário refletir sobre as artes cênicas neste contexto e também a própria relação com o público infantil. Inspirados pela Sociologia da Infância, que compreende a criança como um agente ativo de suas experiências, capaz de criar significados, explorar mundos, experimentar sensações e dialogar com a arte de maneiras próprias começamos um trabalho dentro do Eranos junto a este público.

Essa visão nos levou a desenvolver uma pesquisa direta com as crianças, observando seus modos de brincar, interagir e interpretar o mundo. Cada encontro revelou que a infância tem seus próprios tempos, ritmos e linguagens, e que o papel da arte é acompanhar, provocar e expandir essas experiências, sem dominá-las ou reduzi-las a estereótipos.

A partir dessa escuta e desse respeito profundo pela agência infantil, começamos a criar obras contemporâneas que respeitam à curiosidade e à imaginação das crianças, oferecendo espaços onde elas podem ser protagonistas de sua própria experiência artística. O trabalho tornou-se, assim, um convite à criação conjunta, em que a arte não é apenas recebida, mas vivida, explorada e transformada por quem a encontra pela primeira vez.

JP – Como se deu a criação da Eranos Círculo de Arte? Quais são os objetivos? Quem integra?

As atividades do Eranos tiveram início no ano de 2010 . Quem integra o núcleo criativo e de produção somos eu e Leandro Maman e contamos com várias parcerias criativas ao longo deste tempo. O Eranos Círculo de Arte tem como objetivo, a produção de arte voltada à primeira infância, promovendo experiências estéticas significativas que despertem a sensibilidade, a imaginação e o encantamento das crianças em seus primeiros contatos com o mundo da arte. Através de propostas que integram diferentes linguagens, como teatro, artes visuais e literatura, buscamos criar espaços de encontro respeitando o ritmo, tempo e a potência criadora das crianças na primeira infância. O grupo entende a arte como um campo de descoberta e escuta, em que o brincar, o sentir e o imaginar se entrelaçam como formas de conhecimento. Assim, o Eranos Círculo de Arte propõe-se a contribuir para o desenvolvimento integral da criança, estimulando o olhar poético sobre o mundo e fortalecendo vínculos entre arte e sociedade.

JP – Quais têm sido as principais iniciativas da Eranos?

  Espetáculos Teatrais para a Primeira Infância,  Oficinas de Capacitação Artística e Pedagógica,  Mostras e Ocupações Culturais, Circulações Estaduais e Nacionais,  Pesquisa e Experimentação Artística, Produções Literárias e Audiovisuais.

JP – Você poderia comentar sobre o protagonismo das crianças nas produções do Eranos? Como se dá o protagonismo?

No Eranos, o protagonismo infantil não é apenas um conceito abstrato ou um gesto simbólico: ele está presente em todas as dimensões do trabalho artístico, desde o processo criativo, passando pela recepção do público, até a experiência física e sensorial do espaço. Inspirados pelos princípios da Sociologia da Infância e da Psicologia Analítica, compreendemos a criança como sujeito social e poético pleno, capaz de influenciar, transformar e ser sujeito ativo de suas experiências e aprendizados.

Entendemos a criança não como um receptor passivo, mas um agente com voz, desejo e capacidade de decisão. No Eranos, esse reconhecimento se traduz em práticas concretas: as crianças participam em todas as etapas do processo de criação que se estende até à apresentação. Ao invés de esperar que as crianças se adaptem a um modelo rígido de fruição, procuramos construir espaços acolhedores e sensíveis, onde elas podem escolher permanecer ou não, mover-se, explorar ou simplesmente observar. O cuidado com a ambientação: cores, sons, texturas, circulação e conforto, reconhecem o direito da criança de sentir-se segura e ativa no ambiente artístico. É um protagonismo que se expressa no direito de decidir, de interagir, de se afastar ou se aproximar, sem pressões externas.

Para mim, protagonismo infantil também não é simplesmente dar voz à criança ou colocá-la no centro de uma narrativa. É, sobretudo, reconhecer a criança como sujeito pleno, com desejos, percepção, imaginação e capacidade de agir no mundo. É entender que a infância tem sua própria lógica, seu próprio tempo e sua própria linguagem, e que a arte precisa escutar isso para existir de fato. No Eranos Círculo de Arte, o protagonismo infantil se manifesta de forma concreta em todos os momentos do trabalho artístico. Desde a criação das obras, as crianças são convidadas a experimentar, brincar, explorar materiais, sons, imagens e palavras. Não apenas reagir: elas influenciam as escolhas estéticas, sugerem caminhos, e muitas vezes nos ensinam soluções que nós, adultos, jamais imaginaríamos.

O protagonismo também está presente na experiência de fruição: a criança é livre para decidir se quer ou não participar, se quer observar, aproximar-se ou se afastar. Os espaços são pensados e cuidados com atenção, garantindo que elas se sintam seguras e respeitadas, com liberdade de movimento, de atenção e de escolha. Cada gesto, cada silêncio, cada olhar da criança é considerado parte viva da obra. Em projetos como PÔ!Ema por exemplo, percebemos claramente que o protagonismo infantil não se limita ao palco: ele é poético, simbólico e relacional. A criança interage com imagens, cores, sons e palavras de maneira sensível, e essa interação altera a própria obra.

Por fim, protagonismo infantil, para mim, é respeito e escuta profunda: é perceber que a criança sabe, sente e cria. É reconhecer que a infância tem força e inteligência próprias, e que a arte só se realiza plenamente quando permite que essa força se manifeste. No Eranos, o protagonismo infantil é, portanto, um princípio ético, estético e poético: é o coração da criação que nos conecta à imaginação, ao sonho e à capacidade de espanto que só a infância possui.

JP – Como se produz a escrita teatral para o universo infantil?

Para nós no Eranos Círculo de Arte, a escrita teatral para a infância nasce menos de uma intenção pedagógica e mais de uma escuta poética da criança e do mundo. É uma escrita que se produz quando conseguimos silenciar o adulto que explica, ensina, e favorecemos espaço para que o olhar da criança nos mostre o que ainda pulsa como mistério. No Eranos, nosso processo não começa com o texto, mas com a experiência junto das crianças em espaços construtivos (escolas, cena, oficinas, etc), acolhendo as imagem que surgem, os sons, os gestos. A escrita vem depois, como quem recolhe rastros de uma travessia que é resultado de um tempo de presença e observação. Quando escrevemos para crianças, não pensamos em simplificar o mundo, mas em aprofundar o sensível. A criança habita naturalmente o território do símbolo e da metáfora; ela compreende por imagens, por sensações. Então a dramaturgia precisa se fazer imagem também como uma dramaturgia imaginal, onde cada palavra tenha corpo, cor, textura, respiração. A Psicologia Analítica e a Psicologia Arquetípica me ajudam muito nesse caminho: penso a escrita como um campo simbólico, onde o texto é uma paisagem da alma, povoada por arquétipos, sonhos e forças que pertencem ao inconsciente pessoal e coletivo. O teatro para a infância, nesse sentido, não é “sobre” a criança, mas sim um encontro entre mundos: o da criança e o do adulto.  Muitas vezes, a escrita teatral surge a partir de uma imagem onírica, como um barco amarelo que navega entre mundos, uma ema que se alimenta de poemas, uma casa que respira, um bebê que viaja por universos. Essas imagens são como sementes onde a dramaturgia cresce delas, e não de uma narrativa linear racional. Também procuramos escrever a partir do tempo da criança, que é mais circular, contemplativo, permeado de pausas e descobertas. Por isso, a escrita teatral precisa acolher o silêncio, a repetição, o ritmo do olhar que ainda se espanta e que não precisa ser guiado, mas acolhido e respeitado. Em síntese, produzir a escrita teatral para o universo infantil é escrever com a alma desperta e o corpo escutando. É permitir que o texto não ensine, mas revele. Que a palavra não diga tudo, mas abra espaço para o sonho. E que o teatro seja o lugar onde a imaginação (infantil e adulta ) possa brincar, respirar e se reconhecer como parte de um mesmo universo simbólico.”

JP – Quais são os principais temas que você trabalha para o universo infantil?

Dentro do processo de criação dentro do Eranos Círculo de Arte, o que me move na criação para o universo infantil são os temas que falam à alma da criança e também àquela parte de nós, adultos, que ainda é capaz de sonhar. Trabalhamos com imagens que pertencem à infância da humanidade: o mar, o voo, o sono, o nascimento, a travessia, a luz, a sombra, o tempo, o silêncio, o mergulho. São temas arquetípicos, que atravessam culturas e idades, e que chegam à criança como presenças vivas e não apenas como conceitos. Compreendo que a criança habita o imaginário com naturalidade. Ela reconhece o símbolo antes da palavra. Por isso, nos trabalhos do Eranos, buscamos criar experiências poéticas em que esses símbolos possam emergir por meio de imagens visuais, sonoras e corporais: o barco que parte, o vento que sopra, o corpo que flutua, a palavra que vira cor. o teatro pode ser esse espaço do sonho compartilhado. Gosto de criar narrativas que se movimentam entre o real e o imaginário, onde o impossível é natural e o cotidiano ganha outra luz. Também me interessa o tema da escuta e do tempo. A criança ensina o adulto a desacelerar, a perceber o instante. Por isso, o tempo das cenas é mais lento, respirado, cheio de pausas e de descobertas. Por fim, falo muito sobre o ato de imaginar:  a imaginação como potência criadora e como forma de conhecimento. A criança imagina para compreender o mundo. O teatro, a literatura e as artes visuais se tornam, então, pontes entre o sensível e o invisível, entre o que se vê e o que se sente.

JP – No campo da poesia, como se dá a sua poética voltada para o universo infantil?

A minha poética particular e dentro do Eranos, nasce desse encontro entre o imaginário da infância e a escuta simbólica da alma. O projeto PÔ!Ema – experiência poética com crianças, por exemplo, surgiu justamente dessa vontade de reconhecer a criança como poeta, lá em meados de 2013. O livro e a performance nasceram do encontro com crianças e de pequenas palavras-imagem que criamos junto com elas, através de um modo lúdico, verdadeiro e profundo de nomear o mundo. Em Pô!Ema, a poesia brota naturalmente da experiência, troca e da escuta, do gesto e da palavra. A partir também desse universo, nasceu o Cine.EMA, uma série de curtas poético-visuais em que a “Ema”: essa ave simbólica, híbrido (anagrama de Mãe) se alimenta de poemas e os transforma em imagem, cor, movimento e som. No Cine.EMA, a palavra se faz imagem, e a imagem, por sua vez, devolve à palavra a sua dimensão sensorial. É uma experiência de poesia expandida: uma escrita que se move, que canta, que sonha.

Mas, na verdade, toda a criação do Eranos parte da poesia. Mesmo quando fazemos teatro, performance, audiovisual ou artes visuais, o ponto de partida é sempre a imagem poética, uma imagem que não descreve o mundo, mas o revela de outro modo. Por isso, digo que minha poética para o universo infantil é uma poética da imaginação e do espanto. Ela nasce do olhar que ainda se surpreende com o simples, que transforma o cotidiano em símbolo, que reconhece no gesto, na sombra e na luz a presença do sagrado. Nos espetáculos para a primeira infância e nas outras experiências visuais do Eranos, a poesia não está apenas no texto: ela está no ritmo, nas pausas, nas cores, na respiração da cena. Cada elemento é uma palavra do poema. Acredito que a poesia, para a criança, é uma forma de pensar o mundo com o coração desperto. Ela não explica mas sugere, convida, toca. E quando o adulto cria a partir dessa escuta poética, ele se reconecta com o que há de mais essencial na existência.

JP – Quais são os seus planos futuros?

Meus planos futuros no Eranos Círculo de Arte estão muito ligados à pesquisa e à criação, sempre buscando aprofundar a compreensão sobre o imaginário simbólico e arquetípico das crianças brasileiras. Tenho interesse em mapear como os mitos, contos populares, folclore, símbolos coletivos e, especialmente, os sonhos das crianças que se manifestam na percepção, no brincar e na criação delas, e como isso pode ser incorporado em processos artísticos que respeitem seu protagonismo. Os sonhos são particularmente ricos, porque revelam medos, desejos, fantasias e formas únicas de compreender o mundo, agindo como pontes entre a vida cotidiana e o universo do imaginário.

Paralelamente a essa pesquisa, pretendo desenvolver novas produções teatrais e literárias que dialoguem com esses universos simbólicos e oníricos, criando obras que sejam, ao mesmo tempo poéticas, lúdicas e profundamente conectadas às infâncias. O objetivo é que essas criações estimulem a imaginação, a sensibilidade favorecendo que elas reconheçam seus próprios mundos internos como valorosos e que se vejam refletidas nas histórias e sintam-se autoras de suas próprias experiências.

Acredito que o trabalho artístico baseado no protagonismo infantil não transforma apenas a experiência da criança, mas também impacta a sociedade como um todo. Ao favorecer que crianças participem ativamente da fruição artística, estamos cultivando uma cultura de escuta, respeito e sensibilidade, que reflete valores de cidadania, empatia e participação social. Cada obra, cada oficina e cada experiência artística é uma oportunidade de fomentar uma sociedade mais consciente, inclusiva e criativa, em que as vozes mais jovens são reconhecidas como agentes de mudança.

About the Author

Chico Vartulli

Editor

View All Posts

Post navigation

Previous: Lançamento
Next: Lexa faz show no casamento do estilista Gugu Fernando

Postagens Relacionadas

IMG-20250520-WA0028
  • Colunistas

A viagem de João Pinheiro Neto à URSS

Luiz Claudio de Almeida 14 de abril de 2026
imagem_materia (1)
  • Colunistas
  • Vicente Limongi Netto

Gol contra

Vicente Limongi Netto 13 de abril de 2026
IMG-20260412-WA0031
  • Agenda
  • Colunistas

Eduardo Chuahy: o capitão que viu o golpe antes de todos

Luiz Claudio de Almeida 13 de abril de 2026

O que você perdeu...

WhatsApp Image 2026-04-13 at 23.28.53
  • Charge
  • Miguel Paiva

Charge do Dia

Miguel Paiva 14 de abril de 2026
Lucio Salvatore e Constanca Basto_1
  • Cultura
  • Variedades

Lucio Salvatore lança livro e documentário média metragem homônimos “Anni Venti”

Luiz Claudio de Almeida 14 de abril de 2026
Feijoada
  • Carnaval
  • Samba

Rosas de Ouro promove feijoada dedicada a São Jorge

Rogério Tadeu 14 de abril de 2026
doppler-vascular1
  • Agenda

Doppler Venoso Solidário

Luiz Claudio de Almeida 14 de abril de 2026

Site Produzido por Infomídia Digital | MoreNews by AF themes.