Skip to content

JpRevistas

Revista eletrônica de informação, cultura e entretenimento.

Primary Menu
  • Home
  • Quem somos
  • Boa Leitura
  • Carnaval
  • Colunistas
  • Contato
  • Entrevista
  • Publicidade
Light/Dark Button
Contato
  • Home
  • 2025
  • dezembro
  • Racismo estrutural
  • Agenda
  • Colunistas

Racismo estrutural

Luiz Claudio de Almeida 7 de dezembro de 2025 5 minutes read
WhatsApp Image 2025-12-07 at 20.42.12
Redes Sociais
           
Guilherme Fainberg  – Médico com formação winnicottiana – Colunista convidado.
       Um país que sonha com espelhos quebrados.
      Há algo de ancestral na ferida que não cicatriza, como se o país inteiro carregasse uma memória que nunca pôde ser confessada. O racismo        estrutural não nasce nos atos explícitos, mas no silêncio que molda a linguagem, no olhar que se desvia, na norma que se repete sem nome. Ele se infiltra na arquitetura invisível da vida cotidiana, como poeira antiga que ninguém percebe e que, ainda assim, cobre todas as superfícies.
   Não é apenas injustiça, é herança sedimentada, um modo de organizar corpos, destinos e possibilidades. É a paisagem emocional de um país que ainda se recusa a reconhecer a própria história.
    O racismo no Brasil opera como sombra que antecede o sujeito, como marca que chega antes do nome. A sociedade se alimenta do mito de si mesma, fantasia uma harmonia que nunca existiu, insiste na narrativa fraturada de que todos somos iguais por decreto.
   Mas há desigualdade tatuada no chão que pisamos. A cada esquina, a cor determina o risco, o futuro possível, a dignidade permitida. Vivemos em uma nação que se pretende cordial, embora sua cordialidade dependa do silenciamento de uns e da amplificação de outros, do apagamento de vivências que não convêm à imagem idealizada que construímos de nós mesmos.
   Pela lente psicanalítica, o racismo é um pacto de recusa, uma defesa coletiva que impede o país de se reconhecer. É recalque histórico, retorno do que foi violentamente expulso. A sociedade repete o trauma porque não o elaborou. Repete porque teme.
    Repete porque admitir a verdade significaria desmontar privilégios cuidadosamente protegidos. O racismo, nesse sentido, é menos um erro moral e mais um modo de sustentação narcísica, mecanismo que mantém inalterada a fantasia de superioridade que atravessa gerações e se infiltra nos afetos, nas relações, nas escolhas aparentemente neutras.
   A desigualdade racial no Brasil se construiu como arquitetura afetiva. Uma criança negra cresce sabendo, antes de qualquer explicação complexa, que o mundo lhe exige mais, que sua existência precisa justificar-se, que seu corpo é lido como ameaça ou excesso. O racismo molda subjetividades antes de moldar biografias. Ele atravessa o modo como alguém aprende a desejar, a amar, a esperar.
   É violência contínua, golpe silencioso que reorganiza fronteiras internas e forma identidades feridas pela antecipação do julgamento.
  A branquitude, por sua vez, vive o privilégio como naturalidade. Como se fosse mérito, não herança. Como se fosse destino, não construção histórica. A branquitude não percebe sua centralidade porque ela é o chão em que se pisa, luz constante que nunca chama atenção para si mesma. Nomear isso é o início da transformação. Admitir o privilégio é romper o pacto narcísico que mantém a desigualdade intacta. É olhar para a estrutura e reconhecer que ela não é neutra, não é acidental, não é ocasional. Ela é projeto.
   O racismo estrutural é a cicatriz inaugural do país, lembrança que arde porque nunca foi enfrentada. A infância da nação é feita de açoites, exclusão, silêncios impostos. Nada amadurece sem que o passado seja convocado. Não há justiça sem memória, não há futuro sem releitura radical da própria origem. A cicatriz inaugural continua pulsando porque fomos incapazes de tocar o que dói, preferindo a fantasia confortável de que superamos o que nunca enfrentamos de fato. A superação do racismo exige mais que leis e discursos.
   Exige transformação da sensibilidade, reconfiguração afectiva e coragem para abandonar o conforto da ignorância.
   As estruturas só ruem quando os alicerces simbólicos se quebram. E isso exige desconforto e, ainda, admitir que a sociedade que idealizamos nunca existiu, que a igualdade proclamada era ficção, que o mito da democracia racial serviu como anestesia para a consciência histórica. A cura possível nasce no encontro, quando o outro deixa de ser objeto de projeções e passa a ser sujeito inteiro.
   O antirracismo não é virtude, é dever ético. É devolver ao outro aquilo que sempre lhe foi negado, o lugar de voz, de presença, de destino próprio. É a reparação da humanidade que se perdeu no pacto do silêncio. Não se trata apenas de corrigir desigualdades materiais, mas de reinventar o modo como o país se percebe e se narra. O país só se tornará inteiro quando admitir, sem eufemismos, que sua história foi construída sobre corpos que ainda hoje pagam o preço da exclusão. Não haverá paz enquanto houver silêncio. Não haverá pertencimento enquanto houver hierarquia. Não haverá futuro enquanto continuarmos a repetir o passado como destino inevitável. A cicatriz inaugural precisa ser vista, tocada, dita. Só assim deixará de comandar o presente como sombra.           Racismo estrutural é o incêndio que fingimos controlar. Apagá-lo exige renúncia do mito, enfrentamento radical do espelho estilhaçado, transformação da memória coletiva. O país ainda sonha com uma versão de si que nunca existiu. Talvez nossa maior tarefa histórica seja acordar desse sonho. Só então será possível inaugurar uma nova história, onde a cor não determine o limite, onde a ausência não preceda o sujeito, onde cada existência possa respirar sem pedir licença.

About the Author

Luiz Claudio de Almeida

Administrator

View All Posts

Post navigation

Previous: Treinamento Permanente em Direito Civil
Next: Charge do Dia

Postagens Relacionadas

Roxy Dinner Show -
  • Agenda

Roxy Dinner Show celebra mais uma conquista no “Prêmio Travellers’ Choice – Awards 2026”

Luiz Claudio de Almeida 20 de junho de 2026
II-Ciclo-A-Descoberta-das-Americas
  • Agenda

III Ciclo de leituras dramatizadas 2026

Luiz Claudio de Almeida 20 de junho de 2026
vac_abr2804232516
  • Colunistas
  • Vicente Limongi Netto

Lula e Trump

Vicente Limongi Netto 20 de junho de 2026

Recent Posts

  • Charge do Dia
  • Roxy Dinner Show celebra mais uma conquista no “Prêmio Travellers’ Choice – Awards 2026”
  • III Ciclo de leituras dramatizadas 2026
  • Biblioteca Parque recebe o lançamento de “As Pantufas Mágicas”
  • Lula e Trump

Recent Comments

Nenhum comentário para mostrar.

Archives

  • junho 2026
  • maio 2026
  • abril 2026
  • março 2026
  • fevereiro 2026
  • janeiro 2026
  • dezembro 2025
  • novembro 2025
  • outubro 2025
  • setembro 2025
  • agosto 2025
  • julho 2025
  • junho 2025
  • maio 2025
  • abril 2025
  • março 2025
  • fevereiro 2025
  • janeiro 2025
  • dezembro 2024
  • novembro 2024
  • outubro 2024
  • setembro 2024
  • agosto 2024
  • julho 2024
  • junho 2024
  • maio 2024
  • abril 2024
  • março 2024
  • fevereiro 2024
  • janeiro 2024
  • dezembro 2023
  • novembro 2023
  • outubro 2023
  • setembro 2023
  • agosto 2023
  • julho 2023
  • junho 2023
  • maio 2023
  • abril 2023
  • março 2023
  • fevereiro 2023
  • janeiro 2023
  • dezembro 2022
  • novembro 2022
  • outubro 2022
  • setembro 2022
  • agosto 2022
  • julho 2022
  • junho 2022
  • maio 2022
  • abril 2022
  • março 2022
  • fevereiro 2022
  • janeiro 2022
  • dezembro 2021
  • novembro 2021
  • outubro 2021
  • setembro 2021
  • agosto 2021
  • julho 2021
  • junho 2021
  • maio 2021
  • abril 2021
  • março 2021
  • fevereiro 2021
  • janeiro 2021
  • dezembro 2020
  • novembro 2020
  • outubro 2020
  • setembro 2020
  • agosto 2020
  • julho 2020
  • junho 2020
  • maio 2020
  • abril 2020
  • março 2020
  • fevereiro 2020
  • janeiro 2020
  • dezembro 2019
  • novembro 2019
  • outubro 2019
  • setembro 2019
  • agosto 2019
  • julho 2019
  • junho 2019
  • maio 2019
  • abril 2019
  • março 2019
  • fevereiro 2019
  • janeiro 2019
  • dezembro 2018
  • novembro 2018
  • outubro 2018
  • setembro 2018
  • agosto 2018
  • julho 2018
  • junho 2018
  • maio 2018
  • abril 2018
  • março 2018
  • fevereiro 2018
  • janeiro 2018
  • dezembro 2017
  • novembro 2017
  • outubro 2017
  • setembro 2017
  • agosto 2017
  • julho 2017
  • junho 2017
  • maio 2017
  • abril 2017
  • março 2017
  • fevereiro 2017
  • janeiro 2017
  • dezembro 2016
  • novembro 2016
  • outubro 2016
  • setembro 2016
  • agosto 2016
  • julho 2016
  • junho 2016
  • maio 2016
  • abril 2016
  • março 2016
  • fevereiro 2016
  • janeiro 2016
  • dezembro 2015
  • novembro 2015
  • outubro 2015
  • setembro 2015
  • março 2015

Categories

  • Agenda
  • Alex Cabral Silva
  • Alex Gonçalves Varela
  • Arlindenor Pedro
  • Arte Moderna
  • Boa Leitura
  • Carlos Monteiro
  • Carnaval
  • Category
  • Charge
  • Chico Vartulli
  • Cinema
  • Cinema
  • Civil Society
  • Cláudia Chaves
  • Climate
  • Colunistas
  • Conflict
  • Crônicas
  • Cultura
  • Democracy
  • Desfile das Campeãs
  • Divaldo Franco
  • Elda Priami
  • Entrevistas
  • Flávio Filipe
  • Gastronomia
  • Geopolitics
  • Geraldo Nogueira
  • Giuseppe Oristanio
  • Grande Rio
  • IMpério da Tijuca
  • Internacional
  • João Henrique
  • livro
  • Livros
  • Lu Catoira
  • Luis Pimentel
  • Luisa Catoira
  • Mangueira
  • Miguel Paiva
  • Mocidade Independente
  • Mostra
  • Musica
  • Negócios
  • News Analysis
  • Nosso Camarote
  • Odette Castro
  • Olga de Mello
  • Paraiso do Tuiuti
  • Patrícia Morgado
  • peça
  • política
  • Political Trends
  • Portela
  • Power
  • Ricardo Cravo Albin
  • Rogéria Gomes
  • Salgueiro
  • Samba
  • São Clemente
  • Sapucaí
  • Saúde
  • Show
  • Society
  • Teatro
  • Uncategorized
  • Unidos da Tijuca
  • Variedades
  • Vicente Limongi Netto
  • Vila Isabel
  • Viradouro
  • Viviana Navarro

Top News

  • IMG-20260621-WA0001
    Charge do Dia
  • Roxy Dinner Show -
    Roxy Dinner Show celebra mais uma conquista no “Prêmio Travellers’ Choice – Awards 2026”
  • (sem título)
  • (sem título)

Meta

  • Acessar
  • Feed de posts
  • Feed de comentários
  • WordPress.org

O que você perdeu...

IMG-20260621-WA0001
  • Charge
  • Miguel Paiva

Charge do Dia

Miguel Paiva 21 de junho de 2026
Roxy Dinner Show -
  • Agenda

Roxy Dinner Show celebra mais uma conquista no “Prêmio Travellers’ Choice – Awards 2026”

Luiz Claudio de Almeida 20 de junho de 2026
II-Ciclo-A-Descoberta-das-Americas
  • Agenda

III Ciclo de leituras dramatizadas 2026

Luiz Claudio de Almeida 20 de junho de 2026
Laura Viana, Denise Bernardes e Barbara Coimbra
  • Cultura
  • Variedades

Biblioteca Parque recebe o lançamento de “As Pantufas Mágicas”

Luiz Claudio de Almeida 20 de junho de 2026

Recent Posts

  • IMG-20260621-WA0001
    Charge do Dia21 de junho de 2026
  • Roxy Dinner Show -
    Roxy Dinner Show celebra mais uma conquista no “Prêmio Travellers’ Choice – Awards 2026”20 de junho de 2026
  • II-Ciclo-A-Descoberta-das-Americas
    III Ciclo de leituras dramatizadas 202620 de junho de 2026

Tags

Arte Blocos de Carnaval Bolsonaro Brasil Brasília Carnaval Carnaval de Rua Carnaval Rio 2026 Carnaval SP Cinema crime eleição Espetáculo Exposição Filme Flamengo Folia food Futebol Imperio Serrano Justiça LGBTQIA+ literatura Livro livros Lula Mangueira mulher NetFlix OAB-RJ Política Portela rapper Rio Rio de Janeiro RiodeJaneiro samba Sapucaí Senado sports teatro tech TJRJ travel violência

Site Produzido por Infomídia Digital | MoreNews by AF themes.