
Já estava com saudades de tantas nuances, desse trem das cores abusado em códigos Pantone® do alvorecer, do o céu explodindo em ancenúbio ton sur ton, prenunciando um sol mais impoluto que nunca. Surgindo no horizonte, literalmente na linha do firmamento. Vaidoso, fazendo seu espetáculo malabar sob e sobre as nuvens que, carinhosamente, o refletem, acolhem e embalam.
Já clareia mais cedo, antes das 5h temos os primeiros raios rútilos no firmamento. São os primeiros brilhos, os primeiros acordes da sinfonia chamada “Alvorada Carioca” que dará o tom ao dia que se inicia em pompa e verso. Composta em tons não musicais, mas de cores e acontecimentos. Podemos dizer que cada uma das nuances, das cores, representam uma nota e que, este conjunto de notas uma ode ao Rio. O Astro-Rei marca presença!
A construção de concreto armado, encimada pela ‘Parabólica Camará’, enciumada com tamanha beleza, apenas olha longamente e contrastava com tantos tons e semitons de amarelo-lilases.
Através da objetiva, o percebo, entre raios, luminosidade e equilíbrio sobre a cumulus nimbus. Há um pássaro como uma das fragatas que, ainda ensaiam seu balé matinal, com todo açúcar e muito afeto, muitas vezes descompassadas de amor.
Os pássaros de aço que agora, insistem em dividir o firmamento com o Febo, só se apresentam em aterragens e decolagens após a primeira hora do Ângelus e já são muitos. Logo com o Astro do Dia que já divide os céus com a Lua que anda toda faceira a iluminar, vespertinamente, a Cidade Maravilhosa, porque há nos céus guanabarinos uma irresistível e impassível Lucina minguante.
Não há nuvens densas no éter, onde se equilibrará o Sol para seus malabares? O páramo está translúcido, límpido. Ainda é possível ver Nictheróy.
Já que não há nuvens, safo, o sol ensaia seus movimentos de equilibrista na encosta da montanha. Vem como se fosse uma bola de sabão incandescente.
Completando a consonância, ao longe os sons de sabiás-laranjeira, bem-te-vis e maritacas-cara-preta espalhafatosas a fanfarronas, concluem os acordes deste hino, poema musicado.
O Rio é a ‘Flor do Lácio’ bilaquiano.

















