Getúlio Vargas, 143 anos de um legado que ainda divide o Brasil

Por  Henrique Pinheiro –  Economista e Produtor Executivo do documentário “Terra Revolta-João Pinheiro Neto”, autor de “Crônicas de um Mercado sem Pudor” – Colunista convidado.
     No último domingo, Getúlio Vargas (foto), nascido em 19 de abril de 1882, completaria 143 anos. Uma das figuras mais influentes da história brasileira, faleceu em 24 de agosto de 1954.
    No ano de 2024, foram lembrados os  70 anos da morte do estadista que entrou  para a história com seu legado trabalhista.
     Das poucas coisas que ouvi meu pai, João Pinheiro Neto, contar sobre Getúlio, é que ele ainda era jovem e, naquela época, os jovens já estavam acostumados com a presença dele.
     Ninguém questionava. Era “Deus no céu e Getúlio na terra”.
     Getúlio não era apenas um presidente.           Era o próprio Estado.
     Depois de 1945, com o fim do Estado Novo, ele voltou  ao jogo do poder e mostrou sua habilidade política.
     Ajudou a estruturar o PSD, sustentado pelas elites e pela máquina pública, e criou o PTB, voltado aos trabalhadores. Ficou  com os dois lados, o poder institucional e a base popular.
     Foi isso o  que garantiu  sua volta, pelo voto, em 1950.
      Mas foi exatamente isso que acendeu  a reação.
      A oposição se organizou e ganhou  voz com Carlos Lacerda e a União Democrática Nacional.
       Não era só disputa política. Era um enfrentamento de projeto de país.
       De um lado, um Brasil mais estatal, com direitos trabalhistas e presença forte do governo.
       Do outro, uma elite que via nisso um risco.
       Getúlio passou  a ser atacado, todos os dias, na imprensa, no Congresso, nos bastidores.
       Chamado de populista, de manipulador, de ameaça.
        Mas o que estava em jogo era o controle do Estado.
       A crise se aprofundou , denúncias, desgaste, pressão militar.
       O atentado da rua Tonelero virou o ponto de ruptura. O cerco se fechou, de vez.
       Para aquela geração, foi o colapso de um poder que parecia absoluto. Getúlio, que era intocável, passou a ser pressionado até o limite.
      E, a história terminou como todos sabem. Não era só um presidente. Era um projeto de país em disputa. E foi isso que derrubou Getúlio.
      É difícil não relacionar essa história com a de João Goulart, herdeiro político de Getúlio, que também sofreu a mesma pressão.
       Novamente Carlos Lacerda. Novamente a União Democrática Nacional.
        O mesmo discurso, as mesmas acusações, o mesmo medo de um projeto mais popular.
        A história não se repete igual, mas rima. E, naquele caso, terminou ainda pior.

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