
Por Henrique Pinheiro – Economista e produtor executivo do documentário “Terra Revolta-João Pinheiro Neto”, autor de “Crônicas de um Mercado sem Pudor” – Colunista convidado.
Poucos personagens ajudam tanto a entender o colapso de 1964 quanto Eduardo Chuahy.
Capitão do Exército, atuando como ajudante de ordens no Gabinete Militar da Presidência, ele estava no coração do poder durante o governo de João Goulart.
Não falava de fora.
Falava de dentro.
E, o que viu foi um governo que acreditava ter força onde havia vazio.
O chamado “dispositivo militar” era tratado como garantia de sobrevivência.
Mapas eram abertos, comandos classificados, tropas listadas.
Tudo parecia sob controle.
Mas Chuay via outra realidade. Não havia plano.
Não havia estrutura defensiva.
Não havia comando efetivo.
Quando alertava sobre o avanço da conspiração e a ausência de preparo, era ignorado.
A resposta era sempre a mesma.
“- Não há nada.”
” – O sistema é cem por cento seguro.” Para ele, aquilo tinha nome. Jactância.
A ilusão de controle foi um dos pilares da queda.
Chuahy também desmontou outro mito. O de que os militares eram majoritariamente golpistas. Não eram.
A maioria era neutra.
Oficiais que queriam distância da política.
Mas, neutralidade exige comando.
E, foi isso que faltou.
Ao observar os generais próximos de Jango, Chuahy foi incisivo.
Não eram necessariamente conspiradores. Mas eram frágeis.
Sem autoridade plena. Sem controle sobre suas tropas.
Sem capacidade de organizar uma resposta.
A hierarquia começava a se dissolver.
E, com ela, a confiança.
Crises como a dos marinheiros aprofundaram a ruptura.
O que antes era neutralidade virou inquietação.
E a inquietação virou deslocamento.
Os oficiais não aderiram ao golpe por ideologia.
Aderiram por ausência de alternativa.
Quando o comando desaparece, a ordem passa a ser procurada onde estiver.
E naquele momento, ela estava do outro lado.
Chuahy viu isso antes.
Percebeu que o problema não era apenas a conspiração.
Era a incapacidade de enfrentá-la.
O governo não caiu apenas porque foi atacado.
Foi derrubado porque acreditou estar protegido.
Cassado e exilado após o golpe, Chuahy carregou consigo a marca de quem não apenas participou da história, mas a compreendeu por dentro.
Mais tarde, já na redemocratização, aproximou-se de Leonel Brizola, participou da fundação do Partido Democrático Trabalhista e seguiu na vida pública, chegando à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
Não falava de fora.
Falava de dentro.
E, o que viu foi um governo que acreditava ter força onde havia vazio.
O chamado “dispositivo militar” era tratado como garantia de sobrevivência.
Mapas eram abertos, comandos classificados, tropas listadas.
Tudo parecia sob controle.
Mas Chuay via outra realidade. Não havia plano.
Não havia estrutura defensiva.
Não havia comando efetivo.
Quando alertava sobre o avanço da conspiração e a ausência de preparo, era ignorado.
A resposta era sempre a mesma.
“- Não há nada.”
” – O sistema é cem por cento seguro.” Para ele, aquilo tinha nome. Jactância.
A ilusão de controle foi um dos pilares da queda.
Chuahy também desmontou outro mito. O de que os militares eram majoritariamente golpistas. Não eram.
A maioria era neutra.
Oficiais que queriam distância da política.
Mas, neutralidade exige comando.
E, foi isso que faltou.
Ao observar os generais próximos de Jango, Chuahy foi incisivo.
Não eram necessariamente conspiradores. Mas eram frágeis.
Sem autoridade plena. Sem controle sobre suas tropas.
Sem capacidade de organizar uma resposta.
A hierarquia começava a se dissolver.
E, com ela, a confiança.
Crises como a dos marinheiros aprofundaram a ruptura.
O que antes era neutralidade virou inquietação.
E a inquietação virou deslocamento.
Os oficiais não aderiram ao golpe por ideologia.
Aderiram por ausência de alternativa.
Quando o comando desaparece, a ordem passa a ser procurada onde estiver.
E naquele momento, ela estava do outro lado.
Chuahy viu isso antes.
Percebeu que o problema não era apenas a conspiração.
Era a incapacidade de enfrentá-la.
O governo não caiu apenas porque foi atacado.
Foi derrubado porque acreditou estar protegido.
Cassado e exilado após o golpe, Chuahy carregou consigo a marca de quem não apenas participou da história, mas a compreendeu por dentro.
Mais tarde, já na redemocratização, aproximou-se de Leonel Brizola, participou da fundação do Partido Democrático Trabalhista e seguiu na vida pública, chegando à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
Foi eleito, inclusive, presidente da Assembleia Legislativa.
No fim, a História registrou generais, discursos e batalhas.
Mas, dentro do Palácio, houve também, um capitão que viu antes.
E, não foi ouvido.
No fim, a História registrou generais, discursos e batalhas.
Mas, dentro do Palácio, houve também, um capitão que viu antes.
E, não foi ouvido.




