Caio Leitão, Tatiana Sampaio e Bel Kutner
Festival O Que Move Você? reúne cerca de mil pessoas e traz o protagonismo da pessoa com deficiência por meio da arte com 2 dias de evento na Barra da Tijuca
A segunda edição do Festival O Que Move Você? ocupou a Cidade das Artes no último fim de semana e reuniu cerca de mil pessoas em dois dias de programação gratuita. Mais do que um evento cultural, o festival se firmou como um espaço de encontro, escuta e troca entre pessoas com e sem deficiência, tendo a inclusão como ponto central.
No sábado, a ciência entrou em cena com a palestra da Dra. Tatiana Coelho, que apresentou a polilaminina, uma proteína sintética com potencial de estimular a regeneração de conexões do sistema nervoso. Ao aproximar o público de avanços científicos que impactam diretamente a vida de pessoas com deficiência, o festival amplia o debate sobre autonomia, acessibilidade e futuro.
No domingo, o palco foi tomado por histórias que emocionam e provocam reflexão. O artista cearense Guilherme Dantas compartilhou sua trajetória como pessoa com deficiência visual desde o nascimento e reforçou a importância da esperança e da alegria como escolhas possíveis mesmo diante dos desafios.
A atriz Yohama Eshima trouxe um relato íntimo sobre a maternidade atípica após o diagnóstico precoce do filho com Esclerose tuberosa. Já Maria Teresa Stengel destacou que transformações coletivas começam a partir de atitudes individuais, reforçando o papel de cada pessoa na construção de uma sociedade mais inclusiva.
A programação também contou com uma exposição fotográfica com jovens com Síndrome de Down, marcada por um olhar sensível e potente sobre identidade e pertencimento.
À frente da curadoria, Caio Leitão celebrou o crescimento do festival, que nesta edição passou a ocupar dois dias e integrar diferentes linguagens, como teatro, música, oficinas e painéis de conhecimento. Ele também destacou a importância de ampliar o debate sobre inclusão ao longo de todo o ano, fazendo referência ao trabalho da Embaixadores da Alegria.
Entre os artistas, o músico Rodrigo Sha destacou a potência do encontro entre diferentes expressões e trajetórias dentro do festival.
“É maravilhoso, estou no paraíso. Eu adoro agregar, iluminar, dar espaço para quem precisa ser visto e valorizar essa diversidade. A gente tem projetos lindos acontecendo, artistas com histórias potentes e uma troca muito generosa entre todos. É uma agenda muito positiva para a cultura e para a sociedade”.
Sha também falou sobre a proposta de levar experiências de conexão interior para o público.
“A espiritualidade está em tudo. A ideia é tornar isso acessível, levar para além dos espaços tradicionais. Trazer esse tipo de experiência para um festival também é inclusão. É plantar uma semente para que as pessoas olhem para dentro e entendam que a transformação começa de dentro para fora”.
Outro destaque foi a oficina de musicalização de Luis Carlinhos, que transformou o público em parte ativa da experiência, promovendo interação por meio de instrumentos, corpo e improvisação.
O pianista Jonathan Ferr também marcou presença, trazendo sua mistura de jazz, música brasileira e sonoridades contemporâneas.
“Não vim aqui pra entreter, mas pra conectar. É sobre acessar sentimentos, permitir que eles transbordem e usar a música como um caminho para se compreender e, quem sabe, transformar a própria realidade”.
Encerrando o evento, o mestre de cerimônias Gigante Léo destacou a importância do festival ao promover a convivência entre diferentes realidades. “Eu acho que esse evento tem uma importância diferenciada das outras iniciativas de inclusão porque reúne pessoas com deficiência, pessoas sem deficiência, pais, mães, todo mundo no mesmo ambiente, no mesmo movimento, tratando todos de igual pra igual. E isso traz uma reflexão importante: as pessoas com deficiência são como quaisquer outras, têm suas necessidades específicas, assim como todo mundo tem. O festival joga luz sobre isso e mostra como esse movimento é fundamental para a sociedade”.
Ao longo dos dois dias, o público acompanhou encontros musicais inéditos entre artistas com e sem deficiência, além dos “Encontros que Movem”, rodas de conversa que ampliaram o debate sobre inclusão. As peças de teatro também tiveram papel de destaque na programação e contribuíram para evidenciar o crescimento e a consolidação do festival.
Com boa adesão do público e uma programação plural, o Festival O Que Move Você? se consolida como um movimento que vai além do palco e propõe novas formas de enxergar o outro e a si mesmo.




