
Estreou Eu Sou Minha Própria Mulher, no teatro Poeira.
O texto de Doug Wright é verídico, real, de caráter biográfico, de construção de memória, reflexivo, critico, humanista, anti-intolerância, anti-homofóbico, antitotalitário, e contemporâneo. Narra a trajetória de Charlotte von Mahlsdorf, travesti que nasceu e viveu a maior parte da sua vida na Alemanha Oriental, nos apresentando suas lutas, enfrentamentos, conflitos, afirmação identitária, o projeto de construção de um museu de antiguidades, a boate clandestina no porão do museu para o público LGTBQIAPN+, suas aproximações e distanciamentos. Portanto, sua trajetória foi de resistência e luta contra a opressão, contra os desmandos daqueles que insistem em subjugar e humilhar aqueles que assumem as suas identidades.
Edwin Luisi tem uma atuação gigante e merecedora de infinitos elogios. Impressionante a capacidade do ator que interpreta com qualidade diversos personagens (vinte no total) para narrar a vida de Charlotte. Ele se transforma no palco, mudando de face e voz num instantâneo de tempo. E emociona também, comove a plateia, encanta, deixa a todos perplexos. Frequentamos os teatros de forma intensa. E, até então, nunca tinha visto uma atuação desse porte. Edwin é o cara! Portanto, um trabalho de excelência! Que capacidade de interpretação!
A direção de Herson Capri valorizou o texto, e deixou Edwin a vontade naquela ribalta para realizar sua atuação arrebatadora e comovente.
O figurino criado por Marcelo Marques é criativo, de bom gosto, em tom preto, serve para ambos os sexos, e facilita o deslocamento do ator pelo palco. Como acessório utiliza um colar de pérolas.
A cenografia criada por Marcelo Marques é simples, bem distribuída pelo palco, sendo composta por duas mesas com duas cadeiras, além de um gramofone. Sobre uma das mesas, há uma maleta com diversos objetos, que integram o museu organizado por Charlotte.
A iluminação criada por Aurélio de Simoni apresenta um desenho de luz que contribui para realçar a interpretação do ator. A variação luminosa acompanha o contexto das cenas, criando ritmo e dinamismo e complementando as falas dos diversos personagens interpretados por Edwin Luisi.
A Trilha Sonora organizada por Jerry Marques é funcional e adequada.
Direção, ator protagonista, cenografia, figurinos, iluminação e trilha sonora formam um conjunto harmônico e equilibrado, dando o tom de excelência ao espetáculo.
Excelente e Imperdível produção cênica!
Foto Livio Campos






