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Entrevista com cantor, percussionista e compositor Nego Álvaro

Chico Vartulli 14 de maio de 2026 5 minutes read
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O meu convidado  dessa semana é o cantor, compositor e percussionista Alvaro dos Santos Carneiro, o Nego Álvaro. Nascido e criado Catiri, comunidade do bairro de Bangu, na zona oeste do Rio, começou a tocar pandeiro aos 10 anos de idade. Começou a trabalhar como músico profissional aos 15 anos, tocando no Pagode da Tia Ciça, no bairro do Irajá, no Rio de Janeiro. Daí nao parou mais. Passou pelo Cacique de Ramos, Samba do Trabalhador com Moacyr Luz, ate lançar seu primeiro CD solo, em 2016. Recebeu três indicações  ao Grammy Latino e ganhou o Prêmio da Música Brasileira.  Em nosso bate-papo ele falou da parceria com Beth Carvalho, de como tudo começou  e fos planos futuros.  Confira!

 

JP – Olá Nego Álvaro! Qual é o balanço desses dez anos anos de carreira como sambista?

Só posso agradecer, o samba tem sido bem generoso comigo . Foram três álbuns, duas indicações ao Latin GRAMMY, tantos palcos, tantas rodas, alguns países.

Sou grato a minha primeira década de fonograma como cantor .

 

JP –  Onde e quando você começou a dar as suas primeiras batucadas?

Em casa, numa fita cassete, ainda criança observava meu irmão mais velho e uns amigos nos pagodes que rolavam pelo bairro. Quando eu ganhei o primeiro pandeiro dos meus pais, eu ja sabia fazer um ritmo.

Mas daí, montamos um grupo da família e logo eu já estava enturmado com os mais experientes músicos do meu bairro. Falo da Zona Oeste do Rio de Janeiro. Da favela Vila Catiri.

 

JP – Quais são as suas referências no mundo do samba?

Eu tenho alguns ídolos e, para a minha sorte, alguns deles hoje são meus amigos.

Um mais velho, que não é do meu tempo nessa linha do tempo, rs… e que eu admiro muito pela luta e pelo sambista que foi, é Antônio Candeia Filho, o Candeia. Portelense, assim como eu, sempre defendeu com firmeza o seu povo e o nosso sagrado samba. Mas eu carrego no colo uma bandeira: o repique de mão, instrumento criado por Ubirany, com quem tive a honra e o privilégio de conviver, de ser amigo e de ganhar um repique que guardo com muito carinho. Ubirany, do grupo Fundo de Quintal, é minha principal referência.

 

JP – Quais são as suas referências no mundo do samba?

Musicalmente, minha formação como músico deve-se aos discos do Fundo de Quintal; deve-se às minhas noites de roda embaixo da tamarineira abençoada do samba, no Cacique de Ramos.

Meus professores viraram meus amigos. Bira Presidente sempre trazia um pandeiro novo para eu testar na roda antes de subir aos palcos do Brasil.

Sou fã de toda a geração caciqueana: Zeca, Almir, Arlindo, Sombrinha, Bira, Ubirany, Aragão, entre outros.

 

JP – Qual é o tipo de samba que você mais gosta? Justifique.

O tipo de samba que mais gosto é aquele feito com alma, como escrevia Luiz Carlos da Vila, como fazem os mestres que citei acima. Como Cartola fazia, como escreve, na minha geração, João Martins. Gosto do samba que o samba abraça — aquele que tem verdade.

 

JP – Qual foi a importância para a sua trajetória da sua participação no show da estrela norte-americana Alicia Keys, no Palco Mundo do Rock in Rio, em 2017?

Pisar no Palco Mundo do Rock in Rio foi mágico. Um mar de gente em um dos principais festivais de música do Brasil, ao lado dos meus irmãos de som: Pretinho da Serrinha, Feyjão e Charlinhos.

Dá muito mais sentido quando estamos acompanhados dos nossos. Alícia, que eu ouvia desde sempre na minha casa — família preta que adorava “charme”. Meu irmão Alex, dançarino, não perdia uma noite de sábado no Viaduto.

Um filme passava pela minha cabeça naquele palco e, cá para nós, também acendeu uma vontade enorme de cantar, para toda aquela gente, as minhas próprias músicas.

 

JP – Qual foi a importância da Beth Carvalho para a sua trajetória?

Beth, uma realização de um sonho. Com ela, saí do Brasil pela primeira vez, cantei para muita gente e sempre estive ao lado dela para dividir o clássico “Ainda É Tempo Pra Ser Feliz”, de Arlindo Cruz, Sombrinha e Sombra.

A madrinha me mostrou um mundo que, das rodas, eu não conseguia enxergar. Beth é muito importante para mim e para o samba. Com todo respeito.

JP – Quais são os seus planos futuros?

Meus próximos passos são rodar o Brasil com a minha turnê “Festa do Samba”, que a gente iniciou com o pé direito no palco do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Com convidados mais que especiais: Diogo Nogueira, Altay Veloso, Moacyr Luz, Marina Íris, Marcelle Motta e algumas surpresas.

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