
A pré-estreia do filme “Raízes do Sagrado Feminino”, realizada na noite desta segunda-feira, 4 de maio, no Rio de Janeiro, provocou uma reflexão interessante entre o público após a sessão: E se a desigualdade entre homens e mulheres não fosse apenas cultural — mas sagrada?
No documentário, dirigido por Carla Camurati, especialistas e líderes das cinco maiores religiões do mundo com escrituras, como Hinduísmo, Budismo, Judaísmo, Cristianismo e Islamismo, analisam como textos sagrados influenciaram a opressão e o papel subalterno da mulher ao longo dos séculos.
O lançamento ocupou três salas do Estação Net Gávea e contou com a presença de personalidades entrevistadas no filme, como a psicanalista Regina Navarro Lins, o médico psiquiatra e monge zen budista Alcio Braz, o filósofo Renato Nogueira, a teóloga Maria Clara Bingemer, o historiador André Chevitarese, o mentor de meditação e espiritualidade André Elkind, além de convidados como as atrizes Bel Kutner e Teresa Seiblitz, o diretor João Jardim, a coreógrafa Dalal Aschar, entre outros.
“Eu comecei a fazer esse filme em 2017 e no primeiro dia em que assisti ele pronto, recebi uma mensagem do Levante das Mulheres Vivas. Naquele momento eu decidi que todo o valor referente à bilheteria das pré-estreias seria destinado a esse movimento para que o ajude a continuar realizando esse trabalho tão importante contra a escalada de feminicídios, e pelo fim da violência de gênero”, disse Carla Camurati.
Alcio Braz destacou a importância do documentário como um resgate de memória ancestral na sociedade. Segundo ele, o sagrado sempre foi associado ao feminino, por outro lado, sempre existiu uma raiva ancestral por parte dos homens. “Esse filme é importante para um processo educativo masculino e para os homens entenderem qual o seu papel nessa luta contra a violência de gênero”, disse.
Para Renato Nogueira, “Raízes do Sagrado Feminino” é um filme necessário para homens, mulheres e para todos aqueles que querem um mundo mais plural. “Os homens precisam curar o ressentimento. Precisamos nos abrir ao encanto, ao afeto e ao amor”, afirmou o filósofo.
“Esse filme dá uma aula e é muito bonito. A fronteira entre o masculino e o feminino está se dissolvendo e o filme nos faz refletir sobre o papel da mulher nessa sociedade tão patriarcal”, disse Regina Navarro. A convite de Camurati, a psicanalista participará de uma sessão debate após nova exibição do filme no próximo sábado, dia 9/05 às 11h, no Estação Net Rio, em Botafogo.
“Raízes do Sagrado Feminino” entrará em cartaz no Estação Net Gávea.
Fotos Eny Miranda











