
A exposição “Nossa América”, com curadoria de Camilla Rocha Campos e Claudia Jaguaribe, foi inaugurada nesta quinta-feira,11, na Casa Museu Eva Klabin, no Rio de Janeiro.
“Nossa América” parte das formas que atravessam diferentes objetos, vegetações, animais, espíritos e paisagens do continente ao longo de séculos. Ao olhar para o céu, para as águas, para os corpos humanos e não humanos, a exposição propõe compreender parte da produção visual latino-americana como um campo crítico, capaz de confeccionar leituras históricas e reposicionar a imagem empírica como território de argumentação simbólica.
A mostra se orienta pela noção de temporalidade ch’ixi, formulada pela socióloga boliviana Silvia Rivera Cusicanqui, entendendo essas produções como campos de coexistência em que o ancestral e o contemporâneo não se sucedem, mas se mantêm em tensão. Nesse sentido, práticas como cerâmicas, grafismos, pinturas e imagens fotográficas não são evocadas como vestígios de um passado apenas, mas, sobretudo, como presenças que seguem informando o hoje. A exposição reconhece a permanência de múltiplas temporalidades e a autonomia conceitual dos sistemas visuais produzidos nas Américas. Ao propor esse encontro, buscamos ampliar o repertório institucional da Casa Museu Eva Klabin e também confrontar seus próprios fundamentos, afirmando essas práticas como modos próprios e persistentes de conceber o mundo.
Fotos Cristina Lacerda




































