
Está disponível no canal YouTube Uniapac Adce’Rio, o primeiro bloco das entrevistas do ex-secretário de Saúde do Estado do Rio de Janeiro e conselheiro do Centro Brasileiro de Estudos da Saúde (Cebes), José Carvalho de Noronha, e do ex-ministro da Saúde, José Gomes Temporão, para o Programa Conexão com Valores, apresentado por Elmair Neto, na Rádio Catedral.
Médicos da Fiocruz e idealizadores do Sistema Único de Saúde, José Noronha e José Gomes Temporão contaram detalhes da 8a Conferência de Saúde, realizada em Brasília, em 1986, e sobre a criação do SUS.
Noronha e Temporão participaram da direção do Inamps, a partir do governo Sarney, quando Waldir Pires e Raphael de Almeida Magalhães eram os ministros da Previdência Social e as mudanças no sistema de saúde começaram a mudar, em benefício da população brasileira.
José Noronha lembrou de Dom Eugênio Sales, ex-cardeal do Rio de Janeiro, e do apoio que ele deu aos movimentos populares:
“Queria fazer a minha homenagem ao querido Dom Eugênio. Que fazia aqueles encontros memoráveis, com lideranças da sociedade civil, no Sumaré, nos anos 80, época da redemocratização. Desde quando foi bispo, no Rio Grande do Norte e em Salvador, Dom Eugênio teve importância no fortalecimento dos
movimentos populares que tiveram o apoio da igreja. Principalmente, nas reivindicações sobre a democratização da saúde. Aqui no Rio, ele criou a Pastoral de Favelas. Esses movimentos, inclusive, foram importantes para a realização da Otava Conferência Nacional de Saúde, em 1986, que fará 40 anos, no segundo semestre. Tem um artigo na Constituição Federal, o artigo 196, referente ao Direito da Saúde, que deveria ser lido, todos os dias, pelos médicos, como uma espécie de mantra. Sempre digo isso aos meus alunos, quando dou aulas na UERJ e na Fiocruz. É um mantra. O artigo 196 diz que a saúde é direito de todos. Que deve ser um direito garantido por políticas sociais e econômicas que minimizem as doenças. Com acesso igualitário para todos e universal, sem barreiras”, disse Noronha.
Para ex-ministro José Gomes Temporão, a Oitava Conferência de Saúde foi um marco histórico:
“Essa conferência rompeu com os paradigmas das conferências anteriores à de 1986. As anteriores, eram técnicas. Na Oitava Conferência, foi diferente. Tivemos quatro mil participantes de. O relatório da Oitava Conferência foi uma espécie de síntese do capítulo sobre saúde da Constituição de 1988. Até então, quem trabalhava por conta própria passou a ter o direito à saúde. Todo o processo e formas organizadas do sistema de saúde foram discutidos pela população. Criamos os conselhos estaduais, municipais e o Conselho Nacional de Saúde, vinculado ao Ministério da Saúde, em Brasília. As conferências de saúde, hoje, são resultado de amplo debate popular, com a participação do governo federal, também”, afirmou Temporão.
O segundo bloco das entrevistas de José Noronha e José Gomes Temporão será exibido, pela Rádio Catedral, no próximo sábado, dia 13 de junho, às 17h.




