
Produtor executivo do documentário “Terra Revolta-João Pinheiro Neto e a Reforma Agrária”, autor de “Crônicas de um Mercado sem Pudor”, o economista Henrique Pinheiro, cronista da história brasileira, afirma que o “reconhecimento oficial do assassinato de Juscelino Kubitschek reabre uma das páginas mais obscuras da história brasileira e impõe ao país o dever de buscar toda a verdade”.
Amigo de seus pais, João Pinheiro Neto e sua esposa, Leda Pinheiro, também nascidos em Minas Gerais, Juscelino Kubitschek foi encontrado morto em agosto de 1976, no Km 165 da Via Dutra. O ex-presidente estava no Opala conduzido pelo motorista e amigo Geraldo Ribeiro.
Os trabalhos da Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) tinham sido encerrados em 2022,no governo Bolsonaro. E, foram reabertos no terceiro governo Lula. Em 2025, a comissão decidiu voltar a investigar o caso da morte de Juscelino.
Ouviu parentes e amigos, entre eles o fiel Serafim Jardim, que está, atualmente, com 90 anos e é diretor da Casa de Juscelino, em Diamantina.
“Após quase cinquenta anos de dúvidas, investigações e silêncio, o Estado brasileiro reconhece que Juscelino Kubitschek não morreu em um simples acidente de automóvel. A pergunta que surge agora é inevitável: e agora, Brasil? As reportagens publicadas, recentemente, com a decisão da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, mostram um marco histórico. Pela primeira vez, uma instância oficial do Estado brasileiro conclui que a morte de Juscelino Kubitschek de Oliveira (1902-1976) foi resultado de violência política durante o regime militar “, disse Henrique Pinheiro.
“As dúvidas sempre estiveram presentes.A rapidez com que a cena foi desmontada, as falhas na investigação, o desaparecimento de evidências e as inúmeras contradições do caso alimentaram suspeitas desde o primeiro momento. O fiel motorista de JK, Geraldo Ribeiro, segundo relatos posteriores, chegou a comentar que percebia algo diferente no veículo antes da viagem. O alerta jamais foi devidamente esclarecido.
Mas a morte de JK não pode ser analisada isoladamente, para compreender sua dimensão política, é preciso voltar a 28 de outubro de 1966, data da criação da Frente Ampla. O movimento reuniu três figuras centrais da política brasileira: Juscelino Kubitschek, João Goulart e Carlos Lacerda. Poucas alianças causaram tanto temor ao regime militar”, afirmou o economista.
“Após quase cinquenta anos de dúvidas, investigações e silêncio, o Estado brasileiro reconhece que Juscelino Kubitschek não morreu em um simples acidente de automóvel. A pergunta que surge agora é inevitável: e agora, Brasil? As reportagens publicadas, recentemente, com a decisão da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, mostram um marco histórico. Pela primeira vez, uma instância oficial do Estado brasileiro conclui que a morte de Juscelino Kubitschek de Oliveira (1902-1976) foi resultado de violência política durante o regime militar “, disse Henrique Pinheiro.
“As dúvidas sempre estiveram presentes.A rapidez com que a cena foi desmontada, as falhas na investigação, o desaparecimento de evidências e as inúmeras contradições do caso alimentaram suspeitas desde o primeiro momento. O fiel motorista de JK, Geraldo Ribeiro, segundo relatos posteriores, chegou a comentar que percebia algo diferente no veículo antes da viagem. O alerta jamais foi devidamente esclarecido.
Mas a morte de JK não pode ser analisada isoladamente, para compreender sua dimensão política, é preciso voltar a 28 de outubro de 1966, data da criação da Frente Ampla. O movimento reuniu três figuras centrais da política brasileira: Juscelino Kubitschek, João Goulart e Carlos Lacerda. Poucas alianças causaram tanto temor ao regime militar”, afirmou o economista.
De acordo com Henrique Pinheiro, “JK morreu em 22 de agosto de 1976, João Goulart morreu no exílio argentino em 6 de dezembro de 1976, em 2013, a presidente Dilma Rousseff determinou a exumação dos restos mortais de Jango na tentativa de esclarecer as suspeitas de envenenamento. Quase quarenta anos haviam se passado. O tempo destruiu vestígios fundamentais. O laudo não conseguiu comprovar o assassinato, mas também não conseguiu descartá-lo. Em 21 de maio de 1977, Carlos Lacerda morreu aos 63 anos. Em menos de nove meses, os três líderes da Frente Ampla desapareceram da vida política brasileira.
Foi essa sequência de acontecimentos que levou Carlos Heitor Cony a publicar, em 2003, o livro “O Beijo da Morte”. Cony teve a coragem de formular uma hipótese que muitos preferiam ignorar: as mortes de JK, Jango e Lacerda poderiam estar ligadas por um mesmo contexto político.
Quem ordenou? Quem executou? Quem encobriu? Quem destruiu provas? Quem trabalhou durante décadas para que a verdade não viesse à tona?
Essas perguntas não pertencem apenas à família Kubitschek. Pertencem ao Brasil”, concluiu o produtor de cinema.
Foi essa sequência de acontecimentos que levou Carlos Heitor Cony a publicar, em 2003, o livro “O Beijo da Morte”. Cony teve a coragem de formular uma hipótese que muitos preferiam ignorar: as mortes de JK, Jango e Lacerda poderiam estar ligadas por um mesmo contexto político.
Quem ordenou? Quem executou? Quem encobriu? Quem destruiu provas? Quem trabalhou durante décadas para que a verdade não viesse à tona?
Essas perguntas não pertencem apenas à família Kubitschek. Pertencem ao Brasil”, concluiu o produtor de cinema.





