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Por Henrique Pinheiro – Economista e Produtor Executivo de “Terra Revolta-João Pinheiro Neto e a Reforma Agrária”, autor de “Crônicas de um Mercado sem Pudor”, organiza “Crônicas que nunca contaram na escola” e a série “Entre Duas Cidades” – Colunista convidado.
A história brasileira está cheia de militares que colocaram tropas nas ruas para derrubar governos. Henrique Teixeira Lott (1894–1984) fez o contrário. Colocou os tanques nas ruas para garantir que um presidente eleito tomasse posse.
A história brasileira está cheia de militares que colocaram tropas nas ruas para derrubar governos. Henrique Teixeira Lott (1894–1984) fez o contrário. Colocou os tanques nas ruas para garantir que um presidente eleito tomasse posse.
Era 1955. Getúlio Vargas (1882–1954) estava morto havia pouco mais de um ano, mas o getulismo continuava vivo. E isso assustava uma parcela importante das elites políticas, da imprensa e das Forças Armadas.
Nas eleições de outubro, Juscelino Kubitschek (1902–1976) venceu para presidente com 3.077.411 votos. João Goulart (1919–1976) venceu para vice com 3.591.409. Naquela época, presidente e vice eram eleitos separadamente. Jango teve mais votos que JK.
E, talvez, esse seja um detalhe fundamental para entender o que estava acontecendo.
JK era do PSD. Moderado, conciliador, desenvolvimentista. Jango carregava outra herança. Tinha sido ministro do Trabalho de Getúlio, possuía forte ligação com os sindicatos e representava a continuidade do trabalhismo.
O problema, portanto, não era apenas Juscelino. Era Jango.
Carlos Lacerda (1914–1977), um dos principais adversários de Vargas, defendia abertamente que os vencedores não deveriam assumir. O argumento era que JK não obtivera maioria absoluta. A Constituição, porém, não exigia maioria absoluta. As regras eram conhecidas antes da eleição. Mesmo assim, depois das urnas, começou o movimento para impedir a posse.
O Brasil conhece bem esse roteiro.
Café Filho (1899–1970), vice de Vargas que assumira a Presidência depois do suicídio, afastou-se alegando problemas cardíacos. Assumiu Carlos Luz (1894–1961), presidente da Câmara e próximo aos setores contrários à posse dos eleitos.
Então apareceu Henrique Lott.
Ministro da Guerra, disciplinado, austero e legalista, Lott não era um revolucionário. Era um militar conservador que acreditava numa coisa aparentemente simples: eleição realizada deveria ser eleição respeitada.
O estopim ocorreu quando o coronel Jurandir Mamede (1906–1998) fez um discurso contra a posse de JK e Jango. Lott quis puni-lo por quebra da disciplina militar. Carlos Luz não permitiu.
Na madrugada de 11 de novembro de 1955, Lott tomou sua decisão. O Exército saiu dos quartéis. Tanques ocuparam pontos estratégicos do Rio de Janeiro. Carlos Luz, Carlos Lacerda e outros aliados embarcaram no cruzador Tamandaré e deixaram a cidade.
O Congresso afastou Carlos Luz. Nereu Ramos (1888–1958) assumiu a Presidência. Quando Café Filho tentou reassumir o cargo, também foi impedido. O caminho para a posse estava garantido.
Em 31 de janeiro de 1956, JK e Jango tomaram posse. A democracia havia sobrevivido. Mas por pouco.
Existe uma ironia extraordinária nessa história. Em 1955, um general movimentou tropas para garantir o resultado das urnas. Nove anos depois, outros generais movimentariam tropas para derrubar o presidente. E o presidente era justamente João Goulart.
Em 1955, tentaram impedir Jango de assumir como vice.
E, talvez, esse seja um detalhe fundamental para entender o que estava acontecendo.
JK era do PSD. Moderado, conciliador, desenvolvimentista. Jango carregava outra herança. Tinha sido ministro do Trabalho de Getúlio, possuía forte ligação com os sindicatos e representava a continuidade do trabalhismo.
O problema, portanto, não era apenas Juscelino. Era Jango.
Carlos Lacerda (1914–1977), um dos principais adversários de Vargas, defendia abertamente que os vencedores não deveriam assumir. O argumento era que JK não obtivera maioria absoluta. A Constituição, porém, não exigia maioria absoluta. As regras eram conhecidas antes da eleição. Mesmo assim, depois das urnas, começou o movimento para impedir a posse.
O Brasil conhece bem esse roteiro.
Café Filho (1899–1970), vice de Vargas que assumira a Presidência depois do suicídio, afastou-se alegando problemas cardíacos. Assumiu Carlos Luz (1894–1961), presidente da Câmara e próximo aos setores contrários à posse dos eleitos.
Então apareceu Henrique Lott.
Ministro da Guerra, disciplinado, austero e legalista, Lott não era um revolucionário. Era um militar conservador que acreditava numa coisa aparentemente simples: eleição realizada deveria ser eleição respeitada.
O estopim ocorreu quando o coronel Jurandir Mamede (1906–1998) fez um discurso contra a posse de JK e Jango. Lott quis puni-lo por quebra da disciplina militar. Carlos Luz não permitiu.
Na madrugada de 11 de novembro de 1955, Lott tomou sua decisão. O Exército saiu dos quartéis. Tanques ocuparam pontos estratégicos do Rio de Janeiro. Carlos Luz, Carlos Lacerda e outros aliados embarcaram no cruzador Tamandaré e deixaram a cidade.
O Congresso afastou Carlos Luz. Nereu Ramos (1888–1958) assumiu a Presidência. Quando Café Filho tentou reassumir o cargo, também foi impedido. O caminho para a posse estava garantido.
Em 31 de janeiro de 1956, JK e Jango tomaram posse. A democracia havia sobrevivido. Mas por pouco.
Existe uma ironia extraordinária nessa história. Em 1955, um general movimentou tropas para garantir o resultado das urnas. Nove anos depois, outros generais movimentariam tropas para derrubar o presidente. E o presidente era justamente João Goulart.
Em 1955, tentaram impedir Jango de assumir como vice.
Em 1961, tentaram impedir Jango de assumir como presidente. Em 1964, conseguiram derrubá-lo.
Talvez, 1955 não tenha sido apenas uma crise esquecida da República. Talvez, tenha sido um ensaio.
A diferença é que naquele novembro havia Henrique Teixeira Lott no Ministério da Guerra.
E, Lott decidiu que as armas da República deveriam proteger a Constituição, não rasgá-la.
Talvez, 1955 não tenha sido apenas uma crise esquecida da República. Talvez, tenha sido um ensaio.
A diferença é que naquele novembro havia Henrique Teixeira Lott no Ministério da Guerra.
E, Lott decidiu que as armas da República deveriam proteger a Constituição, não rasgá-la.





