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Às vésperas das eleições, “Colateral” provoca a memória e celebra a força da arte na defesa da democracia

Às vésperas das eleições, “Colateral” provoca a memória e celebra a força da arte na defesa da democracia

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Em cartaz nos dias 1, 2 e 3 de outubro, no Teatro Gonzaguinha, “Colateral” acompanha Vavá e Lulu, dois artistas mambembes que ancoram sua caravana de praça em praça, com cenas, palhaçadas e instrumentos gastos pelo tempo. No momento em que o país se prepara para voltar as urnas, a peça revisita episódios da ditadura militar brasileira e investiga a força da arte como forma de resistência. Escrito, dirigido e protagonizado por Enzo Mothê e João Pessanha, o espetáculo já rendeu a dupla quatro prêmios, entre eles Melhor Obra no Festival SATED-RJ.

A montagem surgiu na CAL, Casa de Artes de Laranjeiras, a partir das reflexões provocadas pelos 40 anos do fim da ditadura militar, completados em 2025. No mesmo ano, “Colateral” conseguiu uma curta temporada fora do âmbito acadêmico, no Teatro Candido Mendes. Para os criadores, a reestreia de 2026 ganha uma camada particular por acontecer num contexto que reafirma a importância da cultura na defesa da democracia.

Para João Pessanha, “É fundamental fincar no palco a bandeira de um Brasil essencialmente livre das amarras de um dos períodos mais violentos da história recente do país. Reafirmamos nossa peça como uma busca por um Brasil livre e poético. Essencialmente brasileiro. Um Brasil que não cabe no quintal de nenhum país”.

O título da peça faz referência aos diferentes sentidos da palavra “colateral”: aos efeitos que a ditadura militar deixou na sociedade brasileira e que, segundo os artistas, ainda reverberam no presente; à dualidade entre drama e comédia; à dupla de artistas em cena; e ao encontro entre dois tempos, o passado e o presente. A figura do palhaço e do bufão aparece corporalmente e na maquiagem dos personagens, introduzindo ainda mais uma camada: o humor, em contraponto a uma narrativa marcada pela violência.

Com música tocada ao vivo, o espetáculo passa por canções amplamente conhecidas, como “Tempo Rei” e “Tareco e Mariola”, mas também a autoral “Brilho de Cornalina”. Segundo Enzo Mothê, “A música entra em cena de forma vertebral. Temos um sanfoneiro que introduz o tom popular do acordeon costurando as transições e acompanhando as canções, que versam sobre resistência através da alegria e da solaridade. Esta última, escrita por João Pessanha, é uma música original da peça”, comenta.

A partir da proposta de criar uma linguagem própria, que dialogue com as questões sociais e populares do Brasil, a dupla define seu trabalho como Teatro de Levante. O conceito parte da reflexão de Federico García Lorca sobre o teatro como “a poesia que se levanta das páginas e se faz humana” e estabelece um paralelo com as movimentações sociais e os levantes populares, aproximando a criação cênica das demandas coletivas. Sobre essa proposta artística, os criadores afirmam:

“Nos interessa uma linguagem inédita e original. Um teatro essencialmente brasileiro. Um rocambole enformado por Bertolt Brecht, com massa feita pelo Teatro Vivo e Rueiro de Amir Haddad, recheado por Augusto Boal, confeitado pelo xamã miscelânico José Celso Martinez Corrêa e servido numa festa, onde o brasileiro encontra quem nunca devia ter perdido: O mais genuíno Brasil. Chegou a hora de realizar o Brasil! Através do Novo Teatro. O Teatro de Levante!”.

SERVIÇO

Colateral

Temporada: 1, 2 e 3 de outubro (quinta a sábado)

Horários: 19h.

Endereço: Teatro Gonzaguinha – R. Benedito Hipólito, 125, Rio de Janeiro – Rio de Janeiro

Ingressos: R$60 inteira; R$30 meia

Link para compra: https://bileto.sympla.com.br/event/127119?share_id=1-copiarlink

Classificação: 18 anos

Duração: 80 minutos