FITA: Angra vira a capital do Teatro brasileiro
Há festivais de teatro que escolhem uma linguagem. Há outros que escolhem um público. João Carlos Rabello parece ter decidido fazer diferente: reunir todo mundo.
Na 18ª edição da FITA — Festa Internacional de Teatro de Angra — Angra dos Reis volta a ser, de 7 a 24 de outubro, a capital do teatro brasileiro. A programação principal ocupa a grande Tenda montada no coração da cidade. E, nos dias 9 e 10 de outubro, o Cais Santa Luzia recebe a Mostra Expressões da Terra, ampliando o festival para teatro, música e oficina de DJ.
São mais de 20 espetáculos, reunindo diferentes gerações, linguagens e públicos. E há uma novidade importante: lançamentos nacionais dividem espaço com espetáculos que já conquistaram plateias pelo país. A FITA deixa de ser apenas uma parada no circuito teatral e passa a ser também lugar de estreia e descoberta.
Por Angra passam grandes nomes como Arlete Salles, Fúlvio Stefanini, Julia Lemmertz, Renato Borghi, Soraya Ravenle, Diogo Vilella e Débora Lamm, entre muitos outros.
A programação vai do musical ao drama, da comédia ao infantil, do monólogo ao stand-up. É justamente essa diversidade que faz da FITA uma experiência diferente.
A homenagem desta edição é para Arlete Salles, que aos 88 anos faz seu primeiro monólogo, Mande Notícias do Mundo de Lá, escrito e dirigido por Carlos Jardim.
Carlos Jardim escreve e dirige Mande Notícias do Mundo de Lá, um jogo delicioso para Arlete Salles. Um jogo que permite à atriz levantar, sentar, andar, parar, mudar de humor e de opinião. Ser crítica, engraçada, triste, fiel, infiel, solidária, inconformada. Ser, enfim, uma mulher inteira.
— Claudia Chaves
Mas talvez uma das mudanças mais interessantes esteja justamente fora dos grandes nomes.
A FITA amplia a presença dos talentos de Angra dos Reis, com espetáculos como A Lenda, Maluco Beleza e Funk Brasil. Uma política de inclusão que aproxima a cidade do festival — e o festival da cidade. A Lenda, por exemplo, tem elenco formado por artistas locais e conta uma história diretamente ligada à identidade cultural de Angra.
E terminar com Funk Brasil diz muito.
Depois de Gonzaguinha, Dalva de Oliveira, Cauby Peixoto, grandes autores, atores e diferentes gerações, a FITA termina olhando para a música e para a cultura que estão nas ruas de hoje.
Há ainda o Prêmio FITA, com júri especializado, palestras e participação do público pelo voto popular. O espectador não fica apenas na plateia, influencia as escolhas.
Ao longo de sua história, a FITA já recebeu mais de um milhão de espectadores e se tornou patrimônio imaterial de Angra.
Agora, ao chegar à maioridade, João Carlos Rabello amplia ainda mais a ideia original.
Não é apenas levar teatro para Angra.
É fazer de Angra um lugar de estreia, encontro e circulação do teatro brasileiro.
Uma cidade onde cabem os grandes nomes, os talentos locais, os espetáculos consagrados e aquilo que a cena brasileira está começando a mostrar.
Angra, durante a FITA, de 7 a 24 de outubro, é a capital do teatro brasileiro.


