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Sabores da Região de Visconde de Mauá: um encontro no rio Gastronomia

Sabores da Região de Visconde de Mauá: um encontro no rio Gastronomia

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Eu gosto mesmo é de coisas diferentes. Levantamento de peso nas Olimpíadas, palhaços fazendo coisas desastradas ou com uma erva que nunca vi na vida. Sou novidadeira. Novos repertórios. Coisa de professora, né?
O que ais vejo e gasto tempo no Rio Gastronomia são os pequenos produtores. A manteiga maravilhosa do Sítio da Solidão. Do doce de casa tangerina. Do azeite com coentro. Molhos, os queijos, as coisas feitas por gente que têm histórias para contar.Vontade de levar tudo.
Continuo a procura curiosa tal qual Emília de Rabicó. Passo pelos grandes chefes, a circulação sempre com um copo de vinho, a admiração do público pelos famosos.
Ai praticamente tropeço : Sabores da Região de Visconde de Mauá.
Coisa mais interessante. Adora a região da Mantiqueira. Um exposição de verdadeira cozinha. Nada de estrelas. De pratos com inumeráveis ingredientes. Comida, de primeira.
Olhei o cardápio e lá estava o ora-pro-nóbis, aquela verdura que a gente nem encontra para vender. A truta da Mantiqueira, defumada ainda por cima. Os nhoques: massa leve, molho que não encharca, daquelas que levam 12 horas no fogo baixo, cogumelos fresquinhos.
Outros sabores. Bárbaros.
A proposta reúne pequenos produtores e chefs da Serra da Mantiqueira, mostrando que Mauá tem muito mais do que restaurantes charmosos. Tem uma produção própria, ingredientes que contam de onde vêm e uma maneira particular de cozinhar.
O chef André Murray, do Babel Cozinha, trabalha com esses produtos e chama atenção para uma coisa que às vezes esquecemos quando falamos de gastronomia: por trás de cada ingrediente existe alguém produzindo. Queijos, cogumelos e outros produtos chegam à cozinha de pequenos produtores da região, feitos artesanalmente.
A chef Mônica Rangel, do Gosto com Gosto, encontrou no nhoque uma maneira de juntar esses sabores. Tem nhoque de milho com ragu de linguiça e pesto de ora-pro-nóbis, nhoque com molho de queijos e nhoque com molho de cogumelos.
E eu gostei justamente porque nada tenta esconder nada.
A massa é massa. O molho acompanha, não toma conta. O cogumelo aparece. O ora-pro-nóbis aparece. A truta aparece.
Tem ainda o escabeche de truta e a canjiquinha com costela de porco, paio e couve.
É uma comida que não precisa fazer discurso. Ela simplesmente mostra de onde veio.
E talvez seja esse o encanto de Mauá no meio do Rio Gastronomia.
No meio de tanta gente conhecida, tantos chefs famosos e midiáticos e tantos sabores que já fazem parte do nosso repertório, eu encontrei o que não conhecia.
Teresa, doceira de mão cheia, das receitas da avó não parava de repetir. Comparando o choque com o da mãe. Essa é a verdadeira experiencia de quem gosta de cozinhar, comer, provar e trocar.
Gastronomia é compartilhar, é aprender, é ter vontade de fazer aquele prato no almoço da família. Assim foi o nosso pit-stop nos Sabores de Mauá.
Uma região inteira dentro de um prato.
Para ficar com água na boca, aqui vai o cardápio:
Nhoque frito de espinafre ao sugo – Prato Rio Gastronomia (R$ 30)
Nhoque frito de milho com ragu de linguiça e pesto de ora-pro-nóbis (R$ 44)
Nhoque frito ao molho de queijos (R$ 44)
Nhoque frito ao molho de cogumelos (R$ 40)
Escabeche de truta (R$ 42)
Canjiquinha com costela de porco, paio e couve (R$ 40)

Carioca, professora, publicitária, colunista e doutora em Artes e Indústria do Entretenimento, Claudia Chaves vive entre teatros, restaurantes, bares e museus em busca de boas histórias. Já escreveu para a Mastercard Black, Veja Rio, Jornal do Brasil e outros veículos. Nesta coluna, junta gastronomia e teatro como quem sabe que grandes espetáculos também acontecem à mesa. Observadora profissional da vida carioca, ela acredita que uma boa conversa pode começar num palco e terminar num bar. E faz um ótimo camarãozinho com chuchu