“Chico Vartulli Convida” traz hoje um bate-papo com o músico Nigga
Essa experiência está sendo muuuito especial, eu amo trabalhar com essa construção da trilha sonora do zero junto com o levantamento da peça, assim bem íntimo, ator e músico todo dia ensaiando e descobrindo quais músicas nascem desse processo. Está sendo desafiador, pois temos várias questões ali, trocar de instrumento muito rápido, lembrar de muitas deixas do texto para tocar a músicas seguintes, trocar efeito do pedal e trocar de música em deixas corporais dela também. Mó honra ter levantado um espetáculo com uma temática tão importante para atualidade com uma atriz tão completa como é a Mariana Santos, e mais, com a direção do Victor Garcia Peralta.
JP – Qual foi a importância da sua participação na peça teatral “O Beijo no Asfalto”?
No beijo no asfalto eu tinha um papel importante que foi o “Sodré”, um personagem que trabalhava na repartição e que tem uma fala emblemática que entra na mente do protagonista, o Eduardo Sterblitch, o qual trabalhava no mesmo lugar. A frase era “é viúvo o rapaz” essa frase faz com que ele tenha conflito com a esposa em casa a atriz “Luiza Arraes”. Mas tirando esse papel importante, eu acabei fazendo outro que foi a direção musical, a qual me colocou em cena tocando no Beijo no Asfalto. Essas trilhas sonoras que criei com a Laura de Castro e o Felipe Estorino deram uma atmosfera imersiva para a peça, ainda mais porque eu tocava baixo acústico, sintetizador, tinham percussões da Laura, foi lindo.
JP – No seu ponto de vista, qual é a importância da música ao vivo numa peça de teatro?
Que a música é um personagem, isso já é um fato, mas a música ao vivo em cena, da mais intimidade pra essa imersão. Ela sendo executada é uma performance também, ver a parte artesã das artes é sempre prazeroso, e falando como músico, é muito mais orgânico as trocas de músicas quando ela está sendo executado ao vivo. Fico muito feliz em alimentar esse mercado para os músicos, que possamos estar mais em cena fazendo música!
JP – Como se deu a sua formação como músico?
Eu comecei a estudar música em um projeto social no dona Marta a ASMB, fui para a escola de música vila lobos, acadêmica juvenil da Petrobrás sinfônica, e unirio.
JP – Quais são as suas referências (teóricas e práticas) no campo da música?
Ah, são várias.. vou falar umas que me regem.. amo como a Esperanza spalding explora os sons do contrabaixo e do canto ao mesmo tempo, Ron Carter é outro que eu escuto muito pois admiro como ele executa o pizzicato (ato de tocar as cordas com os dedos), John Cage, Que fala muito de partituras não convencionais, estudo o qual eu tenho explorado muito para fazer música para teatro, e Ennio morricone que vem me inspirado demais a compor trilhas sonoras que conversem entre si durante todo o filme.
JP – Você se prepara para uma experiência internacional. Quais são as atividades que você realizará?
Estou fazendo a direção musical do show da Duda brack, vou soltar uns VS que estamos produzindo e tocarei baixo acústico também. Será um show bem intimista misturando clássicos da mpb, músicas do último álbum da Duda e algumas inéditas!
JP – Por que você escolheu o contrabaixo como instrumento preferido?
Esse instrumento me escolheu, eu juro! Hahahah! Eu queria tocar violino mas quando eu cheguei no projeto social “ação social pela música no brasil” (ASMB) não tinha violino do meu tamanho, e como criança não pode ficar atoa se não faz bagunça, me colocaram na aula de baixo já que eu era todo grandão. Ai já viram, né? Me apaixonei na primeira nota!
JP – Quais são os seus projetos futuros?
Agora tenho um show com a Duda brack na Argentina final de outubro, um tributo ao Louis Armstrong e Frank Sinatra no teatro rival com a minha banda de jazz, temos mais temporada de Morra Amor início de 2027 em sp, e to levantando mais uma peça como diretor musical


