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Que sejam saudados os heróis nacionais legítimos….

Luiz Claudio de Almeida 14 de setembro de 2022 5 minutes read
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Por Ricardo Cravo Albin

“Eu sempre me orgulhei dos meus heróis, afinal são poucos” – Alberto da Costa e Silva
Neste próximo sábado (às 11h da manhã) o projeto vitorioso “Filosofia na Praia”, dirigido pelo embaixador Jerônimo Moscardo, mais uma vez celebra os 200 anos da Independência do Brasil.
Quando ainda se discutem pelos bares da cidade – a verdadeira voz do povo de uma cidade como o Rio – as diretrizes de Bolsonaro em titularizar o feriado do Bicentenário em benefício exclusivo de sua campanha pela reeleição, atendo a pedidos de tantos leitores. E volto a me referir ao livro “Pedro I, Compositor Inesperado”, em que nosso herói nacional é perfilado com sopros de descobertas e ampliações – que só potencializam o brado heroico de “Independência ou Morte”.
Este é um produto original que resulta da paixão pela história e pela cultura. Fruto da mistura da pesquisa acadêmica com o frescor de novos retratos possíveis e necessários sobre a figura de Pedro de Alcântara, o nosso Pedro I. Nosso objetivo foi apresentar, na forma de inéditos oito retratos, fragmentos que possibilitem compor um personagem histórico originalíssimo, Pedro I, titularizando pela primeira vez em livro tanto sua verve multifacetada quanto sua desconhecida obra musical. Porque ele também se expressa na diversidade e revelação de suas composições – muitas desconhecidas do grande público e algumas inéditas, exibidas pela primeira vez no raro CD e QR Code que são agregados a este livro. Sem deixarmos de relacionar, na sequência dos retratos individuais perfilados por alguns dos maiores historiadores do país, em ensaios exclusivos como lerão abaixo. Sua paixão heroica pela aventura se impõe, ao estadista somam-se o guerreiro épico, o pai de família, o defensor de sua linhagem, o homem que proclamou o Império brasileiro independente. E que impôs seu filho Pedro II como Imperador do Brasil e sua filha Maria Segunda como Rainha de Portugal, defenestrando do trono europeu o usurpador Dom Miguel, seu próprio irmão. A iniciativa do Instituto Cultural Cravo Albin de celebrar o Bicentenário da Independência do Brasil em 2022 nasceu da importância capital da data; da busca em seu acervo de partituras, discos e textos; e do encontro com lugares inusitados que guardam memórias, composições e músicas. De muito nos valeu a memória extraordinária e muito viva das celebrações do primeiro opulento Centenário, em 1922, quando se promoveu no Centro do Rio uma das mais extensas exposições já feitas na cidade, exatamente a do primeiro Centenário do Brado Independência ou Morte – de que nos restaram dois resíduos arquitetônicos, os adoráveis prédios do Museu da Imagem e do Som e da Academia Brasileira de Letras.
Este “multilivro” resulta da visão histórico-cultural da Faperj, presidida pelo professor e cientista Jerson Lima Silva. Vale sublinhar aqui a originalidade do edital público realizado pelo Professor Jerson na Faperj, que abriu as atenções iniciais do meio cultural para algumas celebrações a louvar o Bicentenário. Mas ainda sinto falta, creio que todos sentimos, de uma adesão nacional – Estados e sobretudo Governo Federal – para com o realce devido a data tão singular e única.
Quando me refiro a um multilivro ai acima, devo explicitar que ele se compõe de 3 braços distintos, um CD ou QR Code incluído em seu bojo com 18 músicas referentes ao universo de Pedro I, uma opulenta coleção de iconografia de época, E, finalmente, oito ensaios inéditos de historiadores reconhecidos, todos apontados pela curadoria de Mary Del Priore.
Seguem-se ao meu texto inicial os textos dos historiadores. Bruno da Silva Antunes de Cerqueira, que historiciza a relação da Casa de Bragança com a arte musical. O historiador Paulo Rezzutti aprofunda a seguir a proposta, ofertando-nos um texto que trata da formação musical de D. Pedro I. Na sequência, a historiadora Rosana Lanzelotte nos oferece preciso retrato sobre a Rainha Maria Leopoldina como musicista e exemplar figura histórica dentro do Brasil. Depois disso, temos o ensaio da historiadora Isabel Lustosa sobre Pedro I e sua música no Teatro de Rossini. Seguem-se, compondo a ideia de retratos de D. Pedro I, os textos do historiador Paulo de Assunção sobre Amélia de Leuchtenberg – a segunda Imperatriz do Brasil, e o da curadora dos ensaios inéditos Mary Del Priore – reconhecidamente aclamada como especialista na história da família imperial – com o texto “D. Pedro I – Um Pai de muitos filhos”, que nos permite conhecer um pouco mais a figura paterna e familiar do Imperador. O historiador Arno Wehling expõe as ideias políticas em “O anglo-maníaco”, que busca apresentar o ideário político de D. Pedro I, permitindo assim encerrar e ao mesmo tempo abrir os debates com as demais obras que venham a ser produzidas no Bicentenário da Independência. Cabe explicitar que o trabalho de escolha dos autores convidados por Mary Del Priore foi paciente e laboriosamente acompanhado pelo professor Giovanni Codeça da Silva, igualmente responsável, como professor-doutor, por este projeto junto a Faperj em nome do Instituto Cravo Albin.
O CD e QR Code serão contabilizados como uma contribuição cultural raríssima para a memória das Casas Reinantes das famílias imperiais e reais no século XIX. E, por certo, um clarão inesperado em nosso emancipador e primeiro imperador. Razão por que o presidente de Portugal, ao receber o livro há dias exclamou: “Portugal se orgulha do vosso Pedro I, nosso Pedro IV”.

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