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Para ler na rede: Um ano de arrebatamento, reflexão e prazer

Luiz Claudio de Almeida 3 de janeiro de 2024 13 minutes read
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As leituras de 2023

Apontar os melhores livros lançados no ano é tarefa inglória. Depende do interesse de cada autor de lista, e nem sempre obedece ao panorama editorial do momento. Há descobertas de títulos antigos, em edições passadas, que ameaçam o ineditismo. A relação a seguir é muito particular, de leituras que trouxeram arrebatamento, reflexão e prazer, sem buscar seguir tendências do mercado. E nela não falta sequer uma boa autoajuda, segmento mais rejeitado por intelectual do que música sertaneja por quem cultua MPB. 

A pandemia e a PEC das domésticas ampliaram a consciência do escravagismo como traço cultural da classe média brasileira, acostumada a terceirizar as tarefas do lar e desconhecer funções básicas nos cuidados com a casa, desde arrumar a cama até lavar a louça usada. As mulheres de classe média com filhos pequenos formam o público preferencial de Quem tem medo de faxina?  (Intrínseca, R$ 49,90), de Carol Zappa e Suhellen Kessamiguiemon. Os segredos de limpeza e arrumação revelados pela mineira Suhellen em sua conta de Instagram, @diário.da.diarista, são apresentados junto à vivência da jornalista Carol, com dicas para evitar a canseira, entre elas a de distribuir as tarefas entre todos os membros da família e o uso e abuso do vinagre na limpeza geral. 

 

 

 

 

O isolamento social também mostrou o quanto as casas podem se tornar depósitos de quinquilharias jamais utilizadas. Uma prática comum na Suécia é o döstädning, desvencilhar-se da tranqueira acumulada a vida toda quando se chega à idade de previsível fim da existência. O que deixamos para trás – A arte sueca do desapego (Intrínsica, R$ 39,90), da artista plástica Margareta Magnusson, é um guia para desvencilhar-se das bugigangas. Doações, presentes, vale tudo a fim de não deixar um fardo para os herdeiros. Descrevendo-se como alguém entre os 80 e 100 anos, Margareta jura que o minimalismo é um alívio.

 

 

 

 

22 de maio, dia de Santa Rita de Cássia, foi a data escolhida por  Rita Lee para lançar Outra autobiografia (GloboLivros, R$ 64,90), complemento de Uma autobiografia (GloboLivros, R$ 52,90), publicada em 2016. O tratamento contra o câncer, que a levou aos 75 anos, é detalhado no livro da irreverente compositora que se firmou no panteão machista do rock nacional. Sua morte impulsionou a venda das duas biografias, em que a sabedoria da maturidade se alternava com uma iconoclastia alicerçada pelo núcleo familiar bastante tradicional. 

 

 

 

Mulheres que desafiaram suas épocas, não faltam. Violeta (Bebê) Castro Lima, uma socialite que não se conformou em ser apenas a musa inspiradora de admiradores diversos, nem se deixou prender no casamento ruim, buscou a carreira artística, mas pagou o preço de quem tentava romper com a passividade feminina na elite carioca. Em Muito além dos salões: Bebê Lima e Castro, musa do Rio em 1900 (7Letras, R$ 60), o cravista Marcelo Fagerlande conta a história de Violeta, amiga de sua avó. Riquíssima e considerada a mais bela jovem da alta sociedade carioca, ela viveu discretamente depois do insucesso como cantora lírica. Sem herdeiros, deixou imóveis, automóveis e joias para instituições, empregados e amigos, como a família do biógrafo que, graças à venda de  um anel de brilhantes legado por Bebê à sua avó, pôde trazer um cravo da Alemanha, ao voltar para o Brasil, nos anos 1980, depois de acabar seus estudos na Escola Superior de Música de Stuttgart. O episódio é mencionado discretamente na introdução do livro,  totalmente dedicado a trazer luz sobre uma celebridade da Belle Époque na Paris Tropical.

 

 

 

 

Outra mulher a não seguir um destino previamente traçado, a atriz, fazendeira, vendedora de antiguidades e escritora Eliane Lage relança sua autobiografia Ilhas, veredas e buritis (Gryphus, R$ 66), contando uma vida que parece de “mocinha” de cinema. Nascida em berço de ouro na família Lage, que dominava os transportes marítimos e tinha investimentos diversos Brasil afora, ela morou na Ilha de Santa Cruz, na costa de Niterói, e conviveu com a lendária Gabriella Besanzoni, casada com seu tio, o magnata Henrique Lage. Estrela da Vera Cruz por um período curto, que terminou com a falência da produtora, atirou-se nas mais diversas atividades – foi tradutora e guia de turismo também – para sustentar os três filhos, principalmente depois que as propriedades dos Lage foram encampadas pelo governo Vargas. Depois de rodar o mundo, hoje, aos 94 anos, ela mora em Pirenópolis, no interior de Goiás.

 

 

 

 

 

Oppenheimer – O triunfo e a tragédia do Prometeu Americano  (Intrínseca, R$ 99) deu a Kai Bird e Martin J. Sherwin o Pulitzer em 2006. Cientista brilhante, de temperamento introvertido na juventude, J. Robert Oppenheimer foi o principal articulador da construção da bomba atômica norte-americana. Depois das explosões em Nagazaki e Hiroshima, ele se torna ferrenho opositor do uso da bomba, desligando-se do projeto. Acaba presidindo a Comissão de Energia Atômica dos EUA, sendo demitido durante o macarthismo, sob alegada simpatia aos comunistas. A biografia foi a base para o roteiro do filme que deverá ser indicado a várias categorias do Oscar, entre elas a do ator irlandês Cillian Murphy na pele do controverso “Oppie”, personagem fascinante, que deixa o leitor um tanto ressabiado quanto a suas intenções, mas que torna a leitura tão irresistível quanto o biografado.

 

 

 

 

 

O analgésico OxyContin, um opioide extremamente viciante, associado à principal causa de morte acidental nos Estados Unidos, ultrapassando acidentes de carro ou disparos por armas de fogo, rendeu US$ 35 bilhões à família Sackler, proprietária da Pardue, fabricante do medicamento.  O império da dor (Intrínseca, R$ 99,90), do jornalista Patrick Redden Keefe, comprova numericamente a veracidade da adição a opioides, causa da morte de cerca de 450 mil pessoas nos EUA, desde o lançamento do OxyContin, no fim dos anos 1990. Em mais de 500 páginas, que compreendem cerca de 200 entrevistas, Keefe monta a saga da família. Mecenas das artes, os Sackler tiveram o nome retirado de salas e espaços de museus como o Louvre, Guggenheim e Metropolitan, depois do escândalo do opioide. 

 

 

 

 

 

Especulações cinematográficas (Intrínseca, R$ 89,90), de Quentin Tarantino, é para quem os amantes e conhecedores do cinema, principalmente da Nova Hollywood, surgida nos anos 1970, com a trinca Francis Ford Coppola, Martin Scorcese e Steven Spielberg. Menino, ele era levado pela mãe para assistir a filmes nada adequados à sua faixa etária — O poderoso chefão, Bullit, Domingo maldito, Klute, M.A.S.H. ou Ânsia de amar, preferindo os que traziam cenas de ação. Daí surgem análises muito pessoais a respeito de cineastas diversos, como Don Siegel, Brian de Palma e Peter Bogadanovich, ao lado de perfis dos atores que melhor encarnaram os durões naquela época: Steve McQueen e Clint Eastwood. O olhar de Tarantino é amplo e pode espantar o cinéfilo mais rigoroso: com ardor, ele se estende a respeito de Taberna do Inferno para observar o profissionalismo e a arte de Sylvester Stallone. 

 

 

 

 

 

 

Paixão analítica, mas nem por isso menos intensa, devotada à literatura pode ser comprovada em  Como organizar uma biblioteca (Companhia das Letras, R$ 36,90), d o editor italiano Roberto Calasso (1941-2021), que defende a liberdade de manusear e rabiscar os livros, gravando impressões ao longo da leitura. Para Calasso, o bibliófilo que “nem sequer ousa cortar páginas para não lesar a integridade de um livro “é o contrário de um verdadeiro leitor”. O texto, originalmente um discurso de Calasso, trata do amor pela leitura salpicando observações deliciosas, como a inconveniência da obrigatoriedade de ler os livros em voga no momento. Para Calasso, o leitor verdadeiro “está sempre lendo um livro — ou dois ou três ou dez — e a novidade chega como um incômodo … no interior daquela atividade ininterrupta”.

 

 

 

O perigo de estar lúcida (Todavia, R$ 66,90), último ensaio da espanhola Rosa Montero também teve uma tradução de título melhor em Portugal – O perigo de estar no meu perfeito juízo, que exprime de maneira mais direta a relação entre desvarios e criatividade, comum a muitos escritores. Essa estranheza que sempre reconheceu em si. Com pitadas de psicologia, fatos literários e autobiográficos, Montero volta a se expor para discorrer sobre a produção artística, sem romantizar a doença mental, afirmando que “Estar louco é, sobretudo, estar só.”

 

 

 

 

 

 

 

 

A família que devorou seus homens (Tabla, R$ 54,90), de Dima Wannus, parte da relação de uma filha adulta com sua mãe para tratar da diáspora do povo sírio, que se espalha pelo planeta e busca reencontrar a própria cultura nas memórias relatadas. A protagonista quer fazer um documentário sobre a mãe, que desfia suas lembranças, buscando as histórias de outras mulheres. A narrativa fragmentada une tantas personagens no estilo poético e visceral da romancista e jornalista Dima, filha do dramaturgo Sa’dallah Wannus.

 

 

 

 

 

 

A brilhante trilogia Autobiografia Viva, da sul-africana Debora Levy — Coisas que não quero saber (Autêntica, R$ 54,90),  O custo de vida (Autêntica, R$ 54,90) e Bens Imobiliários (Autêntica, R$ 54,90)  — trazem aspectos da vida da escritora que não se restringem à recordação da infância com a prisão do pai por motivos políticos, que determinou a mudança da família para a Inglaterra. Ela trata do ofício de escrever, do ninho abandonado quando as filhas saem de casa, das dificuldades para comprar um imóvel, de lidar com a morte da mãe e o fim de um casamento. Resolver incessantes problemas domésticos e trabalhar em excesso, são parte de uma rotina atulhada de afazeres que não a impedem de racionalizar a nova etapa da vida. “Separar-se do amor é viver uma vida livre de riscos. Qual o sentido desse tipo de vida? (…) Viver sem amor é uma perda de tempo. Eu estava vivendo na República da Escrita e dos Filhos”, conclui, buscando semelhanças com as francesas Marguerite Duras e Simone de Beauvoir, que conheceram a solidão feminina/a dedicação à literatura no tempo em que mulheres precisavam ser casadas, mães e donas de casa. 

 

 

Já em O coração que chora e que ri – Contos verdadeiros da minha infância (Bazar do Tempo, R$ 62,90), Maryse Condé fala sobre sua infância e adolescência entre Guadalupe, onde nasceu, e Paris, destino preferido para longas estadas da família de classe média alta do arquipélago no Caribe. O esnobismo de uma sociedade que desprezava os brancos, descendentes dos invasores, mas que não se enxergava também como ocupante de uma terra cujos habitantes originais eram indígenas, é cristalizado pela mãe, que teve sete filhos antes da temporã Maryse, que se radicou na França para fazer faculdade. Prestigiada entre os colegas da Sorbonne por seus textos e atividades que promovia no grupo cultural Luís Carlos Prestes, ela foi reprovada na Universidade e o pai se recusou a pagar suas férias em Guadalupe. “Essa decisão, dentro de uma certa lógica, teve uma consequência terrível. Eu nunca mais veria minha mãe viva”.

 

 

 

 

 

Caminho semelhante é percorrido pela italiana Rossana Campos em Onde você vai encontrar um outro pai como o meu (Âyiné, R$ 38,80), que recebeu os prêmios Elsa Morante de literatura e o Strega Giovanni, destinado a livros para jovens adultos. Com a morte do pai, Rossana quer descobrir quem ficará na sua lembrança, o homem carinhoso, acolhedor e incentivador da filha, ou o alcoólatra sem ocupação definida desde sua demissão da força policial, violento sempre que se excedia na bebida. A única forma de romper com o modelo feminino submisso ao patriarca é deixar a cidadezinha onde cresceu, para a qual volta apenas no momento de velar o pai. 

 

 

 

 

 

Estreando como contista depois de nove romances publicados, o carioca Fernando Molica traz, em  Náufragos (Malê, R$ 52), personagens de uma megalópole agressiva, que esbarram no dia a dia. É o motorista de táxi que conta ao passageiro como foi traído pela mulher, o passageiro que relata a vida de sua família ao vizinho do banco do ônibus, o taxista pastor evangélico que conhece orixás, pois já foi da umbanda, o brigão pronto a massacrar qualquer pessoas a socos, desde que lhe deem um motivo. Nada mais carioca do que essas explosões de confidências a estranhos, da confiança no encontro que jamais se repetirá tão bem expressos nessas curtas narrativas de pessoas que qualquer leitor já conheceu. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A morte de Andrea Camilleri, em 2019, deixou um vazio na boa literatura policial internacional. Finalmente chegaram ao Brasil, duas aventuras inéditas do comissário Montalbano: O sorriso de Angelica (Record, R$ 50,35), lançado 13 anos atrás, e O método siciliano (L&PM, R$ 50,90) – antepenúltimo romance sobre o comissário, começa com os mesmo toques cômicos dos anteriores, mas toma um andamento pesado e sinistro raramente impresso na série. Se Montalbano continua com o excelente apetite e a argúcia dos velhos tempos, a melancolia envolve o personagem cansado de tanto trabalhar. O sorriso de Angélica é ainda bastante divertido, com a atrapalhada equipe de investigadores tentando descobrir uma quadrilha especializada em roubos a residências. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Dois livros arrebatadores, principalmente se lidos em sequência, têm duas Teresas como autoras. A jornalista Teresa Cremisi recusou a classificação de autobiografia para A triunfante (Ayiné, R$ R$ 20,90 – a editora está fazendo uma excelente promoção para reduzir seus estoques), um romance “inspirado”, em sua vida. A italiana Teresa Ciabatti  apresenta personagens exuberantes ao reconstruir a trajetória de sua família em A mais amada (Ayinê, R$ 39,95). As diferenças são muitas entre as duas Teresas. Enquanto a filha única Teresa Cremisi cresceu no Egito dentro de uma família harmoniosa, Teresa Ciabatti participou de um núcleo familiar agitado. O pai, diretor de um hospital em Orbetello, na Toscana, era figura importante na região, de ligações políticas e com a contravenção insinuadas, porém desconhecidas para a família. A pequena Ciabatti se considera a favorita do pai, privilegiada como uma princesa na sociedade local, e a ele dedica o livro. Já Teresa Cremisi, nascida italiana em solo estrangeiro, decide abraçar o catolicismo na infância para se integrar ao grupo de colegas – e vem a descobrir, adolescente, que tem origem judaica, embora a família não professasse qualquer religião, dedica seu romance aos pais. Vale a pena deixar de lado a vida para mergulhar no passado dessas duas Teresas.

 

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