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Pelos Olhos de Violeta

Luiz Claudio de Almeida 6 de novembro de 2024 5 minutes read
Pelos Olhos de Violeta
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Estreou, para uma segunda temporada, a peça de teatro Azul no teatro do CCBB RIO 3.

 

O espetáculo é da Artesanal Cia. de Teatro, e pela excelência do trabalho foi contemplado  com o Prêmio APTR de Melhor Espetáculo Infantil de 2023.

 

O Texto e Dramaturgia são de autoria de Andrea Batitucci e Gustavo Bicalho. O texto é infanto-juvenil, didático, pedagógico, poético, emocionante, lúdico, é um grito pelo respeito as diferenças, pela valorização da família, e do amor entre irmãos, e enaltecimento da ternura e do afeto. O mundo é plural, a vida é marcada pela diversidade, repleta de cores e possibilidades. O reconhecimento do outro, do diferente, é urgente e necessário. E o texto caminha nessa direção.

 

A história se inicia no carnaval, quando Azul nasceu. E ele chegou incomodando Violeta. Ela estava pronta para curtir a folia. Contudo, com a chegada do irmãozinho, seus pais decidiram brincar em casa mesmo. Para decepção de Violeta.

 

Os primeiros contatos de Violeta com Azul não foram dos melhores. Ela dava carinhos estabanados. Tocava piano e o barulho incomodava o pequeno. E o chamava de garoto chato. Os pais estavam ocupados, ficavam o tempo todo dedicado ao mesmo, e Violeta começou a se considerar em segundo plano.

 

Mas, o tempo foi passando e os dois irmãos começaram a crescer. Começaram a passear de carro, e ir a praia. Eles começam a interagir e a se reconhecer. E os olhos de Violeta observam que Azul vive só no mundo dele. Ela percebe que ele vive o mundo do seu jeito.

 

Violeta era habilidosa no piano. E sempre que tocava, Azul parava de chorar, se aproximava, dançava, e começou a falar as primeiras palavras. A mãe percebeu que na idade dele, a irmã já falava. E percebeu também que ele aprendia as coisas de uma forma diferente. Mas isso não significava que ele fosse um doente. Ele tinha o seu ritmo, o seu tempo. E a terapeuta começou a colaborar para o seu desenvolvimento.

 

Violeta superou aquele momento inicial de implicância, e passou a ser cada vez mais afetuosa e carinhosa com Azul. Ela lhe amava do jeito próprio dele. Ela buscou entender o tempo dele, que era totalmente distinto do tempo calculado, medido pelo relógio, e sim um tempo sentido por coisas mágicas que acontecem na vida. Ela conseguiu compreender o tempo do Azul, que é o tempo do coração, do sentimento. O tempo dele é o da música, o do som do piano, que exala poesia e melodia. Cada ser humano tem a sua forma de sentir passar o tempo.

 

E Violeta ama Azul. E não se importa de dividir o tempo com ele. O tempo passou, voou. E agora vão juntos brincar o carnaval, ele de astronauta, e ela de havaiana, ao lado de papi e mami. O texto teve inicio no carnaval, e terminou na festa de Momo.

 

Toda essa história é colocada em cena por um elenco de ponta, altamente qualitativo, e com uma atuação ímpar, constituído por Alexandre Scaldini, Brenda Villatoro, Bruno de Oliveira, Carol Gomes, Marise Nogueira e Tatá Oliveira. Eles se movimentam intensamente, e também  movimentam os bonecos. Também são eles que dão voz aos bonecos, realizando interpretações corretas e adequadas. Como é um texto voltado para o público infanto-juvenil, eles utilizam uma linguagem simples, de fácil compreensão, e direcionada para o público referido. Eles passam o texto com emoção e poesia.

 

Os figurinos criados por Fernanda Sabino e Henrique Gonçalves são simples e adequados. O elenco veste roupas em tom preto, tanto masculina, quanto feminina. Os atores que representam o pai e a mãe usam máscaras adereçadas.

 

A cenografia criada por Karlla de Luca é constituída por uma estrutura de madeira contendo um platô, e uma rampinha que dá acesso ao piso do palco propriamente dito. Ademais contém objetos como um piano, uma mala que quando aberta tem no interior uma cenografia de uma praia, um relógio pendurado no teto, e um rádio. Há também adereço de cena, e uma escultura de baleia.

 

Os bonecos Azul e Violeta criados por Dante são de uma perfeição, muito bem realizados e criativos, e bem coloridos. Eles se movimentam de forma notável. As máscaras do pai e da mãe seguem as mesmas qualidades.

 

A trilha sonora do espetáculo elaborada por Gustavo Bicalho é agradável e poética, sendo constituída por marchinhas de carnaval, blues, e o Danúbio Azul, valsa de Johann Strauss, que Azul gostava de dançar ao ouvi-la.

 

Azul é um espetáculo infanto-juvenil que trata um tema sério de forma leve e suave, e numa linguagem acessível; apresenta bonecos bem confeccionados e bonitos; e um elenco notável.

 

Excelente produção teatral!

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Luiz Claudio de Almeida

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