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Túnel do Tempo: Carnavalescos Haddad e Bora relembram aventura inusitada ao recriar fantasia de Rosa Magalhães para desfilar ‘na surdina’ nas Campeãs de 2013

Luiz Claudio de Almeida 8 de abril de 2025 4 minutes read
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No dia em que a Unidos de Vila Isabel completou 79 anos (04/04), os carnavalescos recém-contratados Gabriel Haddad e Leonardo Bora contaram sobre o antigo laço que possuem com a tradicional escola carioca. Entre as diversas lembranças compartilhadas com a agremiação, uma delas revela um episódio curioso envolvendo o desfile campeão de 2013, ano em que a azul e branco do bairro de Noel levou para a Sapucaí o enredo “A Vila canta o Brasil Celeiro do Mundo – Água no Feijão que Chegou Mais Um…”, popularmente chamado de “Festa no Arraiá”.

“O ano era 2013 e eu queria muito desfilar na Vila. Foi um pré-carnaval incrível: ensaios lotados, o samba na boca do povo, a escola ainda muito empolgada com o desfile do ano anterior, sobre Angola. A carnavalesca era Rosa Magalhães, a minha maior referência. Eu morava relativamente perto, na Tijuca, e queria participar de tudo, mas acabei me perdendo no tempo, não consegui me inscrever nas alas de comunidade e, por conta disso, não participei do desfile oficial. Eu, Gabriel (Haddad) e alguns amigos vimos o desfile da arquibancada do Setor 10. Quando o último carro passou, eu disse: ‘a Vila vai ser campeã!’. 

A previsão se concretizou: a Vila conquistou o título. E foi dali que surgiu uma ideia inusitada. “Depois que saímos da Sapucaí, na entrada do metrô Praça XI, eu vi um pedaço de fantasia abandonado, encostado numa árvore. Era uma estrutura circular de ferro decorada com muitas folhas verdes feitas de macarrão de piscina. Essa estrutura sustentava uma nuvem de placa de acetato. Não havia a cabeça, a malha e os sapatos. Não tive dúvidas: peguei aquele pedaço de fantasia e falei para o Gabriel: ‘vou levar isso para casa, reformar o que está danificado, refazer o que está faltando e desfilar nas campeãs’. Todos riram da ideia intempestiva, mas levei mesmo assim. Na quarta-feira, a Vila se sagrou campeã. Passei a quinta e a sexta confeccionando uma nova cabeça e providenciando a malha e os sapatos”, lembrou Leonardo Bora.

O processo de restauração aconteceu na casa de Gabriel Haddad. Juntos, os dois assistiram repetidamente aos vídeos do desfile original para reproduzir fielmente os detalhes da fantasia criada pela consagrada Rosa Magalhães. “Desde o momento em que o Leo encontrou a fantasia, eu achei que daria tudo errado. Eram elementos muito específicos. Mas, no dia que ele foi ao Saara, e conseguiu comprar tudo que precisava, até eu me animei. Fomos para minha casa e começamos a produzir, cortar os macarrões de piscina no formato que estávamos vendo nas fotos e nos vídeos publicados para montar o chapéu. Eu nunca tinha ouvido falar no caso de alguém que reproduziu uma fantasia, que não fosse da própria escola de samba, para desfilar.  Incentivei, mas ao mesmo tempo temia por não conseguir desfilar, dele ser barrado na entrada do desfile”, disse Gabriel. 

No sábado, após algumas horas de trabalho, chegou o momento de Leo testar o “disfarce”. “Cheguei na concentração com medo de que o meu ‘truque’ fosse descoberto. Mas o novo chapéu havia ficado idêntico aos demais chapéus da ala – ninguém percebeu a ‘pirataria’”, brincou. “Fiz a maquiagem, junto aos demais componentes, e encontrei o Vinícius Natal (atual pesquisador da Unidos de Vila Isabel e ex-diretor do Departamento Cultural), que tocava tamborim na bateria. Desfilei como se fosse a apresentação oficial. Foi um dos melhores desfiles de que participei! Realizei dois sonhos de uma só vez: vestir uma roupa desenhada por Rosa Magalhães e desfilar na Vila cantando um samba de Martinho, Arlindo Cruz, André Diniz e demais parceiros. Inesquecível!”, destacou o carnavalesco.

Para Haddad, a experiência também revela a essência da agremiação: “A Vila é uma escola muito acolhedora e, hoje vendo de dentro, percebo o acolhimento que o Leo teve na época, na escola, mesmo não tendo participado dos ensaios. Foi mais um desfile maravilhoso da Vila Isabel!”

Mais de uma década depois, a dupla voltará a confeccionar fantasias da Unidos de Vila Isabel. Desta vez, assinando o enredo da agremiação. Sobre o Carnaval de 2026, os artistas fazem mistério: “Estamos mergulhados na pesquisa, desenvolvendo ideias. Em breve o Povo do Samba terá notícias”, finaliza Haddad.

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