
Estreou, para uma nova curta temporada, Visitando Camille Claudel na Sala Multiuso do Centro Cultural do Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro
O texto de Ramon Botelho é biográfico, poético, sensível, potente, emocionante, e valoriza a figura feminina, mostrando-a de forma ativa, com a cabeça erguida, e resistente. Sublinha a importância da escultora Camille Claudel, a sua luta e afirmação por meio da arte, e a resistência frente ao patriarcado, sistema que oprime e submete a figura feminina frente aos desmandos da sociedade machista.
Na virada do século XIX para o XX, época em que viveu Camille Claudel, a mulher ainda estava lutando para ocupar o seu lugar na sociedade, ganhar cidadania política, e se inserir no mercado de trabalho. E Camille estava inserida nesse processo, conforme mostra o texto de Ramon Botelho.
A atriz Adriana Rabelo tem uma atuação comovente e digna de elogios. Ela interpreta com qualidade, e emociona também, apresentando gestuais, e expressões faciais que deixam transparecer sentimentos. Realiza também trabalho com massa, para construir esculturas ao vivo.
Ela faz uma Camille Claudel forte, ativa, resistente, que não deixa se abater, mesmo internada no asilo para alienados. Ele demonstra carinho e afeto por Rodin, seu grande amor, mas que a abandonou, a escondeu, não lhe deu visibilidade no campo artístico, e lhe deixou nas mãos dos credores. Ainda assim, ela não esmoreceu. Ela passa o texto com clareza, determinação e firmeza, utilizando uma linguagem de fácil compreensão. Domina o palco, se movimentando de forma intensa, e preenchendo todos os espaços. Apresenta uma boa comunicação com o público. Portanto, ela tem uma atuação deferida e merecedora de aplausos.
A direção de Ramon Botelho focou no texto, e deixou a atriz livre para interpretar a sua Camille de forma contagiante.
O figurino criado por Wagner Louza é o ponto negativo da peça, deixando transparecer péssimo gosto, fraca combinação de cores, e uma mescla de farrapos. Merecia um cuidado mais adequado.
A cenografia criada por Iuri Frigolleto e Marília Paiva é simples, apresenta os elementos cenográficos disposto corretamente pelo palco, e criativa dentro do contexto do espetáculo.
A trilha sonora de Rodrigo Lima é agradável e suave.
A iluminação de Paulo Cesar Medeiros apresenta uma bonito desenho, diversas tonalidades, e contribui para realçar a interpretação da atriz de sua personagem.
A direção de movimento criada por Ana Amélia Vianna deu um dinamismo à apresentação da atriz, contribuindo para sua comovente apresentação.
Ótima produção cênica!






