
A minha entrevistada dessa semana é a atriz Narjara Turetta. Ela começou na TV aos 4 anos e ao longo de sua trajetória coleciona papéis importantes em novelas, séries, cinema e teatro. Além disso a atriz atua como dubladora e já lançou sua autobiografia. Confira!
JP – Olá Narjara! Qual é o balanço que você faz da sua trajetória como atriz?
Eu faço um balanço de muita gratidão, coragem e resistência. São quase 55 anos de carreira. Comecei aos 4 anos e meio na televisão e praticamente cresci diante das câmeras. Vivi o sucesso muito cedo, enfrentei momentos de silêncio e dificuldades, mas nunca deixei de ser atriz. Minha história não é só de glamour —é de superação. E isso me dá muito orgulho.
JP – Quando despertou o seu interesse para ser atriz?
Despertou naturalmente,eu era uma criança muito comunicativa, gostava de cantar, falar, me apresentar. Aos 2 anos dizia que queria ser cantora e sempre pedia pra minha mãe me levar nos programas de tv da época(década de 70). Aos 3 anos fiz meu primeiro comercial e com 4 anos e meio já estava na TV Record apresentando “A Grande Gincana”. A arte me escolheu antes mesmo de eu entender o que era uma profissão.
JP – Como se deu a sua formação como atriz?
Sou autodidata. Aprendi fazendo. Nunca frequentei uma escola formal de artes cênicas. Minha escola foi o estúdio, foram os diretores, os técnicos, os colegas de cena. Eu observava tudo, escutava, absorvia. Cresci artisticamente na prática, na disciplina e na curiosidade.
JP – Quais foram as suas referências (teóricas e práticas) para a carreira de atriz?
Minhas maiores referências foram práticas. Trabalhar ao lado de grandes atores foi uma verdadeira universidade. Paulo Goulart, Nicete Bruno, Edney Giovenazzi foram meus mestres iniciais. Regina Duarte, por exemplo, foi uma referência não só artística, mas humana. Aprendi observando postura, generosidade e técnica.
Sempre estudei personagens, comportamento humano, e até hoje continuo aprendendo.
Sempre estudei personagens, comportamento humano, e até hoje continuo aprendendo.
JP – Como se deu a sua inserção na Rede Globo de Televisão?
Foi um processo natural dentro da minha trajetória. Eu estava fazendo uma novela na TV Tupi em SP e o Edney Giovennazzi me indicou pra um teste pro seriado Malu Mulher na Globo do RJ. E foram muitos testes antes de ser aprovada, mas minha experiência anterior em novelas contou pontos pra eu ganhar o papel de Elisa no seriado Malu Mulher. A Globo foi uma etapa importante da minha carreira, onde fiz trabalhos marcantes e amadureci como atriz.
JP – Quais foram as suas principais participações nas novelas da Globo?
Participei de novelas que marcaram época, como a série Malu Mulher, onde vivi Elisa, filha da personagem da Regina Duarte e ganhei o prêmio de atriz revelação em 80 pela APCA. Fiz também outras produções importantes na emissora: sempre buscando entregar verdade e intensidade aos personagens Baila Comigo(1981), O Homem Proibido (1982), Amor com Amor Se Paga (1984), onde interpretei Bel, minha primeira vilã, Selva de Pedra (1986), Direito de Amar (1987) e O Salvador da Pátria (1989), Gente Fina (90). Fui pra Record em 2001 onde fiz Vidas Cruzadas. Depois de um afastamento involuntário voltei em Páginas da Vida (2006), fiz Morde E Assopra (2011), Salve Jorge (2012/2013).
Em outubro de 2017, retornei às novelas em O Outro Lado do Paraíso, escrita por Walcyr Carrasco para o horário nobre da Rede Globo. Ainda em 2018 fiz uma participação em um dos últimos episódios da série Sob Pressão. Em 2019 fui pra Record novamente atuar na macrossérie Jezabel dando vida à personagem Dalila, mãe do profeta Eliseu. Essa macrossérie terminou em Agosto de 2019. Em 2020 a Netflix Brasil lançou a série Maldivas onde eu interpretei Glória uma moradora maluquete do Condomínio onde moram as personagens de Bruna Marquesine e Manu Gavassi.
Em 2024 fiz uma delegada na novela Familia é tudo.
Em outubro de 2017, retornei às novelas em O Outro Lado do Paraíso, escrita por Walcyr Carrasco para o horário nobre da Rede Globo. Ainda em 2018 fiz uma participação em um dos últimos episódios da série Sob Pressão. Em 2019 fui pra Record novamente atuar na macrossérie Jezabel dando vida à personagem Dalila, mãe do profeta Eliseu. Essa macrossérie terminou em Agosto de 2019. Em 2020 a Netflix Brasil lançou a série Maldivas onde eu interpretei Glória uma moradora maluquete do Condomínio onde moram as personagens de Bruna Marquesine e Manu Gavassi.
Em 2024 fiz uma delegada na novela Familia é tudo.
JP – Você é uma pessoa simples, humilde e honesta. Em momentos de dificuldade,
você vendeu água de coco na rua e trabalhou no quiosque das Olimpíadas. Uma
vida honesta. Você considera que os valores éticos e morais estão acima de
qualquer suspeita?
Com certeza. Trabalho nunca me diminuiu — pelo contrário, me dignificou. Vendi água de coco com a cabeça erguida. Sempre acreditei que honestidade e caráter vêm antes de qualquer fama. A vida me ensinou que sucesso não é só estar na televisão, é dormir com a consciência tranquila. E desde 2006 sou dubladora
também. Meus valores são inegociáveis.
também. Meus valores são inegociáveis.
JP – Quais são os seus projetos futuros?
Tenho projetos no teatro, meu monólogo contando minha trajetória com humor e ironia, e continuo aberta a trabalhos na televisão, cinema e streaming. Também ministro oficinas de atuação, porque acredito muito na troca e em formar novas gerações. Faço palestras motivacionais, dou aulas on line pra quem tem dificuldades em gravar videos e falar de si nas redes sociais, escrevi minha biografia, enfim, enquanto eu tiver voz e emoção, estarei em cena.





