
Estreou Uma Vida em Cores no Teatro das Artes.
O texto de Cacau Hygino é um diálogo, mescla realidade e ficção, leve, suave, divertido, bem humorado, feminino, humanista, colorido, afetuoso, carinhoso, valoriza a vida e sua diversidade, e emocionante. Narra o encontro entre Íris Apifel, a design de interiores norte-americana que trabalhou por um longo tempo com tecidos, e Emily, jovem jornalista e estagiária da revista Vogue. Nesse encontro entre duas pessoas de diferentes gerações, uma em início de carreira com seus vinte anos, e Íris já aposentada e centenária, são tratados temas como vida, casamento, filhos, orfandade, moda, decorações na Casa Branca, as coleções, saudades do esposo falecido, etarismo, entre outros assuntos.
O elenco é constituído por três atrizes: Rosamaria Murtinho, Sofia Mendonça, e Simone Soares.
As atrizes protagonistas são Rosamaria Murtinho, e Sofia Mendonça. Elas têm uma atuação de mérito e comovente. Elas estão unidas, entrosadas e afinadas. Elas interpretam com qualidade refinada, e emocionam. Divertem também! Elas transbordam alegria, humor e carinho. As duas estabelecem um diálogo bem humorado e pulsante, em que são narradas diversas histórias, reais e ficcionais, interessantes e curiosas, como a montagem de uma foto de capa de revista em que Íris aparece montada num elefante. Elas dominam o texto, transmitindo com clareza, boa retórica, e uma linguagem acessível e simples. Elas estão sentadas a maior parte do tempo. Poucas vezes se levantam. Num desses momentos, Sofia revela seus dotes artísticos cantando uma canção com ritmo e afinação.
À medida que o diálogo vai se processando, a entrevistadora e a entrevistada vão se aproximando e começam a se sentir íntimas. Na ficção elas são Íris e Emily. Na vida real, elas são avó e neta, integrantes de um mesmo núcleo, construindo uma apresentação teatral familiar.
As duas atrizes estabelecem uma boa comunicação com o público. Portanto, elas têm uma atuação deferida e merecedora de elogios.
Simone Soares complementa fazendo a simpática Juliet, a criada sempre pronta a atender as solicitações de Íris.
Rosamaria Murtinho deixa transparecer maturidade, experiência, bom humor e energia. Ela está plena, desfilando pelo palco com sua bengala com decoração colorida. Sua atuação evidencia e reforça o valor dos atores e atrizes veteranos.
A direção é de Cacau Higino que focou no texto, e deu liberdade às duas atrizes para estabelecerem um divertido e colorido diálogo.
Os figurinos de Alex Palmeira e Adilson Salú são coloridos, de bom gosto, e facilitam a atuação das atrizes pelo palco. O figurino de Rosamaria como Íris é de extremo bom gosto, estampado rosa e branco, sobretudo o casaco rosa com pelúcia. Para além das pulseiras, colares, óculos estiloso preto, e bengala decorada.
A cenografia e visagismo de Alex Palmeira é criativa, original, bem distribuída pelo palco. Representa a sala da casa de Íris Apifel, onde é realizada a entrevista. A poltrona de Íris decorada “a la Dálmatas” é uma gracinha!
A iluminação é de Adriana Ortiz apresenta um desenho de luz que contribui para realçar a interpretação das atrizes. A variação luminosa acompanha o contexto das cenas, criando ritmo e dinamismo e complementando as falas.
A trilha sonora de Cacau Hygino é funcional e adequada, e nos brinda com canções de Frank Sinatra.
Texto, direção, elenco, cenografia, figurinos, iluminação e trilha sonora formam um conjunto equilibrado e harmônico, dando o tom de excelência do espetáculo.
Excelente produção de artes cênicas!






