
Minha convidada dessa semana é nascida no Recife, reside no Rio de Janeiro e é formada em comunicação visual pela UFPE, claro, estou falando de Kátia Brasileiro. Ela trabalhou por alguns anos na área da comunicação visual, até se dedicar exclusivamente às artes plásticas. Começou a pintar ainda na infância, e com apenas 7 anos já fazia sua primeira coletiva. Em nosso delicioso bate-papo, falamos de como tudo começou, sua formação, referências e, lógico, dos planos futuros. ”
JP – Olá Kátia! Quais são as recordações que você tem do Recife dos seus tempos de infância?
Minhas lembranças de Recife são muito afetivas e muito coloridas também. Cresci em um ambiente criativo, principalmente por influência da minha mãe, que era uma artista nata. Mesmo sem nunca ter estudado arte, ela pintava lindamente, fazia trabalhos manuais incríveis… e eu ficava encantada com tudo aquilo.
Desde pequena eu já desenhava, pintava, experimentava… e ela sempre me incentivou. Fiz cursos de pintura ainda criança e, com apenas 7 anos, participei da minha primeira exposição coletiva com pintura a óleo sobre tela. Acho que, de alguma forma, a arte já tinha me escolhido ali.
JP – Por que você veio para a cidade do Rio de Janeiro?
Minha vinda para o Rio aconteceu por conta da transferência do meu marido, que é engenheiro. Mas antes disso ainda passei por João Pessoa, e em cada lugar onde morei sempre busquei me aproximar da arte, fazendo cursos, estudando, me aprimorando. Quando cheguei ao Rio, mergulhei ainda mais,
fiz diversos cursos, inclusive no Parque Lage, há mais de 30 anos. Depois fomos para São Paulo, e foi lá que realmente me firmei como artista plástica.
JP – Quando você começou a se interessar pelas artes visuais?
Desde sempre. A arte nunca foi uma escolha, foi uma presença constante na minha vida. Desde a infância, com as influências da minha mãe, até os primeiros cursos, exposições… tudo foi acontecendo de forma muito natural. Eu simplesmente nunca consegui me afastar disso.
JP – Como se deu a sua formação na área?
Sou formada em Comunicação Visual pela UFPE, o que me deu uma base importante para o meu olhar. Mas sempre acreditei muito no aprendizado contínuo. Ao longo da vida, fiz e continuo fazendo muitos cursos, experimentando técnicas e buscando novas referências. “Me inspiro no que vivo, no que sinto e nas histórias que atravessam minha vida”, resume. Confira!
Recentemente, por exemplo, fiz um curso de curadoria na Zait e sigo fazendo aulas avulsas. Eu gosto desse movimento de estar sempre aprendendo, me renovando. A arte pede isso da gente, essa inquietação, essa vontade constante de evoluir.
JP – Quais são as suas referências (teóricas e práticas) na área?
Minhas referências vêm muito da vida, do que sinto, do que vivo e das histórias que me atravessam. Sempre fui uma pessoa extremamente criativa, em tudo o que faço, e isso se reflete naturalmente no meu trabalho.
Minha produção se constrói a partir de um gesto intuitivo e sensível, guiado pela experiência e pelo sentir.
Coloco muito amor em tudo o que crio. Para mim, pintar é um processo de prazer, quase terapêutico, um momento de entrega e conexão profunda, onde tudo silencia e só a obra importa.

JP – Como se caracteriza o seu “fazer artístico”?
Meu fazer artístico é muito intuitivo e sensorial. Trabalho com a matéria… cores, texturas e camadas, e gosto de sentir a obra acontecendo, quase como um processo vivo.
Existe um diálogo constante entre mim e a tela. Eu começo, mas muitas vezes é a própria obra que vai me conduzindo, se revelando aos poucos. Não é algo rígido, é um fluxo.
E, por muitas vezes, eu mesma me surpreendo com o resultado final, como se a obra tivesse encontrado o seu próprio caminho.
JP – Quais são os temas principais que você retrata em suas pinturas?
Pinto muito a partir do que eu vivo e sinto. Minhas obras têm muito da minha história, das minhas lembranças e das minhas raízes.
A cor e a textura são muito presentes no meu trabalho, assim como uma brasilidade forte, especialmente do meu Nordeste, que aparece de forma natural nas minhas pinturas.
Mesmo quando experimento caminhos diferentes, existe uma essência que permanece. É isso que faz com que as pessoas reconheçam…é uma obra da Kátia Brasileiro!
JP – Quais são os seus planos futuros?
Tenho muitos planos, e isso me anima muito. Estou vivendo um momento especial de retomada da minha trajetória, me sentindo realizada, com a sensação de missão cumprida na vida pessoal, o que me permite, agora, investir ainda mais em mim.
Nunca desisti do que amo, e hoje colho isso com alegria. Quero continuar produzindo, estudando, expondo e me desafiando. A arte ainda tem muito para me oferecer e eu ainda tenho muito para entregar a ela.





