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Rio, Cidade Ciclística

Carlos Monteiro 15 de junho de 2026 3 minutes read
Texto e Foto Carlos Monteiro
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Saí cedo, quando o sol ainda ensaiava os primeiros acordes sobre a Baía de Guanabara. A bicicleta deslizava leve pela ciclovia, e o Rio de Janeiro, antes de despertar por completo, parecia pertencer apenas aos pássaros, aos pescadores e aos ciclistas. Há cidades que se observam pela janela; o Rio, não. O Rio foi feito para ser percorrido. E poucas formas de conhecê-lo são tão prazerosas quanto pedalando.

A roda gira e, com ela, a paisagem muda como páginas de um álbum fotográfico. De um lado, o azul do mar. Do outro, o verde das montanhas. Entre ambos, a fita vermelha da ciclovia conduzindo homens e mulheres que descobriram um segredo simples: a felicidade pode ter duas rodas.

Pedalar na orla é como passear dentro de um cartão-postal em movimento. Em Copacabana, o calçadão ainda boceja enquanto corredores disputam espaço com ciclistas silenciosos. Mais adiante, em Ipanema, o sol nasce atrás das ilhas Cagarras e pinta de dourado os rostos dos que seguem viagem. No Leblon, o Morro Dois Irmãos parece vigiar a cena como um velho guardião da paisagem carioca.

Mas o encanto não termina ali. A ciclovia acompanha lagoas, parques e praias. Contorna a Lagoa Rodrigo de Freitas, onde as águas refletem o Cristo Redentor como um espelho caprichoso. Segue pela Barra da Tijuca, onde o horizonte parece não acabar nunca. Em cada curva, uma fotografia pronta; em cada parada, uma nova descoberta.

O mais bonito, porém, não está apenas na paisagem. Está nas pessoas. O senhor de cabelos brancos que pedala com a mesma disposição de um garoto. A família inteira ocupando a ciclovia numa manhã de domingo. O trabalhador que troca o engarrafamento pelo vento no rosto. O turista que, surpreso, percebe que a cidade pode ser contemplada sem a pressa dos automóveis.

A bicicleta tem essa virtude democrática. Aproxima o cidadão da cidade. Faz com que ele repare na árvore florida, no pescador paciente, na garça pousada à beira da lagoa. Devolve ao olhar detalhes que a velocidade costuma roubar.

Enquanto pedalava, pensei que o Rio possui uma vocação natural para o ciclismo. Poucas cidades no mundo oferecem um cenário tão generoso. Mar, montanha, lagoa e céu parecem ter firmado um acordo silencioso para acompanhar quem passa sobre duas rodas.

Quando terminei o percurso, já com o sol alto e a cidade completamente acordada, percebi que a bicicleta havia me dado mais do que exercício. Havia me oferecido uma forma diferente de enxergar o Rio. Uma forma mais lenta, mais próxima e mais humana.

E então compreendi que, para conhecer verdadeiramente a Cidade Maravilhosa, não basta olhar suas paisagens. É preciso atravessá-las pedalando, sentindo o vento no rosto e deixando que cada quilômetro conte uma nova história. Afinal, no Rio, a beleza não está apenas no destino. Está também no caminho.

Texto e Foto Carlos Monteiro
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