
Impedido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal(STF), Alexandre de Moraes de visitar o pai, condenado e preso, Jair, por 90 dias, por divulgar a carta que recebeu dele, Flávio Rachadinha ficou atordoado. Não acerta uma. Tiro no pé. Resolveu dar o troco. Decidiu ele próprio escrever carta para o pai amado e aguardar a repercussão Há quem diga que Flávio chocolate tem pendores literários para vir a ser colega de Merval Pereira e Miriam Leitão, na Academia Brasileira de Letras. Vamos a comovente carta: É demais, papai. Xandão não dá trégua para nós dois. Tenho evitado falar bobagens, mas a campanha política é dura. Puxei seu temperamento. Chuto a barraca. Depois do mal feito, peço desculpas e boto a culpa nos outros. Papai, sei que não deveria ter tornada pública a carta que você fez para mim. Achei que ajudaria a melhorar minha campanha. Papai, sei que sou fraco. Fraquíssimo, sem condições de disputar a Presidência da República. Deveria me contentar com o senado. Onde também sou inútil. Ocorre que fui empurrado por você e pelo Valdemar, que levavam fé no meu taco. Estou tentando dar tudo de mim. Errar menos. Deixar a arrogância e a prepotencia em casa. Mas, convenhamos, este temperamento explosivo ganhei de você. Pai, como estou impedido de visitar você, não esqueça de tomar os remédios. Tomar banho direito. Cuidado para não cair. Nada de mexer na tornozeleira. Não piore as coisas. Cuide-se bem. Beijos do filho que ama você, Flávio. Brasilia, 14 de julho.





