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Por Henrique Pinheiro – Economista e produtor executivo do documentário “Terra Revolta-João Pinheiro Neto e a Reforma Agrária”, autor de “Crônicas de um Mercado sem Pudor”, organiza o livro Crônicas que nunca contaram na escola – Colunista convidado.
Em 15 de novembro de 1889, o movimento que pôs fim à Monarquia e deu origem à República brasileira é considerado pela maior parte da historiografia um golpe de Estado.
Naquele dia, poucos participaram da decisão. Como escreveu Aristides Lobo (1838–1896), jornalista, advogado e um dos principais propagandistas da República, o povo “assistiu bestializado” aos acontecimentos, sem compreender plenamente o que estava ocorrendo.
Passaram-se 133 anos. Embora separados por mais de um século, esses dois momentos da história brasileira suscitam uma mesma reflexão.
Entre o resultado das eleições de 30 de outubro de 2022 e os acontecimentos de 8 de janeiro de 2023, o Brasil viveu uma das mais graves crises institucionais desde a redemocratização. As interpretações sobre aquele período continuam dividindo juristas, historiadores e a sociedade. Esse debate certamente continuará por muitos anos.
Mas existe uma questão que antecede esse episódio e ajuda a compreendê-lo: por que, diante de crises políticas, parte da sociedade brasileira continua enxergando nas Forças Armadas um possível árbitro da vida nacional?
Essa expectativa não surgiu em 2022. Tampouco começou em 1964. Ela acompanha a própria história da República.
Foi um marechal quem proclamou o novo regime em 1889. Ao longo do século XX, os militares voltaram ao centro da política em diferentes momentos, consolidando, em parte do imaginário nacional, a ideia de que poderiam exercer uma espécie de tutela sobre os conflitos civis.
Não significa que essa visão seja compartilhada por toda a sociedade, nem pelas próprias Forças Armadas. Significa, porém, que ela reaparece sempre que as instituições enfrentam momentos de forte tensão.
Talvez essa seja uma das heranças menos discutidas da nossa história republicana.
Democracias maduras não eliminam crises. Elas aprendem a resolvê-las pelas regras do jogo, fortalecendo as instituições, respeitando o resultado das urnas e preservando a alternância de poder.
Conhecer o passado não serve para procurar culpados permanentes. Serve para compreender como determinadas ideias sobrevivem ao tempo e por que continuam reaparecendo em momentos decisivos.
Mais de um século separa 1889 de 2023. Ainda assim, algumas perguntas permanecem surpreendentemente atuais. Talvez o maior desafio da democracia brasileira seja transformar a memória histórica em aprendizado institucional, para que rupturas deixem definitivamente de ser vistas como alternativas legítimas diante das crises.
Naquele dia, poucos participaram da decisão. Como escreveu Aristides Lobo (1838–1896), jornalista, advogado e um dos principais propagandistas da República, o povo “assistiu bestializado” aos acontecimentos, sem compreender plenamente o que estava ocorrendo.
Passaram-se 133 anos. Embora separados por mais de um século, esses dois momentos da história brasileira suscitam uma mesma reflexão.
Entre o resultado das eleições de 30 de outubro de 2022 e os acontecimentos de 8 de janeiro de 2023, o Brasil viveu uma das mais graves crises institucionais desde a redemocratização. As interpretações sobre aquele período continuam dividindo juristas, historiadores e a sociedade. Esse debate certamente continuará por muitos anos.
Mas existe uma questão que antecede esse episódio e ajuda a compreendê-lo: por que, diante de crises políticas, parte da sociedade brasileira continua enxergando nas Forças Armadas um possível árbitro da vida nacional?
Essa expectativa não surgiu em 2022. Tampouco começou em 1964. Ela acompanha a própria história da República.
Foi um marechal quem proclamou o novo regime em 1889. Ao longo do século XX, os militares voltaram ao centro da política em diferentes momentos, consolidando, em parte do imaginário nacional, a ideia de que poderiam exercer uma espécie de tutela sobre os conflitos civis.
Não significa que essa visão seja compartilhada por toda a sociedade, nem pelas próprias Forças Armadas. Significa, porém, que ela reaparece sempre que as instituições enfrentam momentos de forte tensão.
Talvez essa seja uma das heranças menos discutidas da nossa história republicana.
Democracias maduras não eliminam crises. Elas aprendem a resolvê-las pelas regras do jogo, fortalecendo as instituições, respeitando o resultado das urnas e preservando a alternância de poder.
Conhecer o passado não serve para procurar culpados permanentes. Serve para compreender como determinadas ideias sobrevivem ao tempo e por que continuam reaparecendo em momentos decisivos.
Mais de um século separa 1889 de 2023. Ainda assim, algumas perguntas permanecem surpreendentemente atuais. Talvez o maior desafio da democracia brasileira seja transformar a memória histórica em aprendizado institucional, para que rupturas deixem definitivamente de ser vistas como alternativas legítimas diante das crises.





