
A peça teatral Rita Lee: A Balada da Louca se apresentou nos dias 04 e 05 de agosto de 2026 no teatro Riachuelo.
A idealização é de Guilherme Samora.
O texto de Guilherme Samora – adaptado de Rita Lee: Outra Autobiografia, segundo volume da autobiografia da própria cantora lançado em 2023 – é um monólogo; autobiográfico, com recorte nos três últimos anos de sua vida, quando foi diagnosticada com câncer de pulmão; emocionante; poético; sensível; oscila momentos de humor com aqueles de tristeza; franco: fraternal; de luta e resistência; memorialístico; musicado; celebra a cantora Rita Lee; contemporâneo. Trata temas como a finitude da vida; espiritualidade; o amor aos bichos e às plantas; a importância da família, entre outros.
A protagonista é a atriz Lilia Cabral. Ela tem uma atuação notável, e merecedora de elogios. Lilia interpreta Rita Lee de forma notável. É uma encenação concentrada na figura da atriz e na valorização do texto narrado em primeira pessoa. Só há um único momento, próximo ao fim da apresentação, que Lilia deixa a personagem para ser ela própria. Nessa ocasião, ela comenta ser fã da “rainha do rock” desde a juventude. A seguir retorna a ser Rita Lee.
Lilia apresenta uma interpretação refinada, de alta qualidade, e emociona. Ela toca o coração do público. Incorpora a cantora, e deixa transparecer a sua luta e resistência contra o câncer, o amor aos animais e às plantas, o apego à família, o carinho das cuidadoras, a sua espiritualidade, e a dor quando soube da metástase. Lilia além de interpretar, também canta, e nos brinda com um momento comovente com a música “Nem luxo nem lixo”. Ela também toca um instrumento musical, o acordeom, e argumenta que lembra o movimento de abrir e fechar os pulmões (respira/expira).
Domina o texto, transmitindo com singeleza e delicadeza, clareza, com retórica de primeira qualidade, uma linguagem acessível. Domina o palco, com movimentação intensa e dinâmica, apresentando-se de pé, e sentando nas poltronas Estabelece boa comunicação com o público, interagindo com a plateia. Portanto, uma atuação impecável, merecedora de muitos elogios.
A direção de Beatriz Barros valorizou o texto e deixou Lilia à vontade no palco, do jeito que ela gosta: livre para atuar e realizar sua exímia interpretação.
O figurino criado por Walério Araújo é de bom gosto, elegante, em tom azul, e facilita a locomoção da atriz pelo palco.
A cenografia criada por Pedro Levorin é mínima, sendo constituída por três poltronas com suas respectivas mesinhas. Suspenso no teto há um elemento cenográfico que gira com símbolos como o sol, a mão, entre outros.
A direção musical é de Dani Nega, que nos brindou com as músicas poéticas de Rita Lee, produzindo uma sonoridade que emocionou a plateia.
A iluminação criada por Ana Luzia Molinari de Simoni apresenta um desenho de luz que contribui para realçar a interpretação da atriz. A variação luminosa acompanha o contexto das cenas, criando ritmo, dinamismo e complementando as falas de Lilia.
Rita Lee: A Balada da Louca é um monólogo que apresenta um texto sensível e emocionante; uma atriz com uma apresentação repleta de méritos; e figurino, cenografia e iluminação criativos, e bem solucionados.
Excelente produção cênica!





