
A história do meu convidado dessa semana começou quando ele tinha apenas 8 anos de idade e assistiu ao filme “Billy Elliot” durante o Corujão da TV Globo e saiu com uma certeza: queria ser bailarino. Gabriel Lopes de Mogi das Cruzes, em São Paulo, transformou esse desejo em profissão.Formou-se pela Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, em 2016, construiu carreira na Rússia e, recentemente, subiu ao palco do Theatro Municipal do Rio de Janeiro ao lado da russa Natalia Osipova, uma das maiores bailarinas do mundo.
Agora, Gabriel realiza outro grande sonho. Nos dias 21, 23 e 25 de agosto, o bailarino estreia como convidado do Ballet do Theatro Municipal no papel de Basílio, protagonista de Don Quixote, contracenando com a primeira bailarina Juliana Valadão, no papel de Kitri. A direção geral é de Hélio Bejani. Confira!
JP – Olá Gabriel! Qual é a sua expectativa para dançar o ballet Dom Quixote no Theatro Municipal do Rio de Janeiro?
Estou muito honrado com este convite. Minha expectativa é entregar ao histórico Theatro Municipal do Rio de Janeiro e ao caloroso e apaixonado público carioca nada menos do que o melhor de mim, como artista e como cidadão. É uma questão de honra.
JP – Como está o entrosamento com a primeira bailarina Juliana Valadão?
Eu e Juliana estamos em nosso segundo encontro em cena, desta vez como o casal protagonista da história. Os ensaios têm sido de muito trabalho e ótima sintonia; tudo tem acontecido de forma muito natural. Sinto que faremos um excelente trabalho juntos.
JP – Como será o personagem Basílio que você fará no ballet?
Costumo me dedicar bastante às referências para construir meus personagens, então essa é uma pergunta desafiadora. Posso dizer que estou trabalhando para apresentar um Basílio clássico de repertório: galante, ágil, apaixonado e carismático. Essa é também uma forma de homenagear e agradecer aos grandes artistas que me inspiram e que realizaram interpretações memoráveis desse personagem.
JP – Quando surgiu o seu interesse pela dança?
Esse interesse surgiu quando eu tinha sete anos, após assistir a um filme sobre balé. Fiquei encantado com a ideia de contar histórias por meio do corpo, dançando, vivendo personagens e dando vida a diferentes seres ao som da música clássica. Foi algo inesperado, mas meus pais acreditaram no meu sonho e me levaram a uma escola de balé na minha cidade, que me concedeu uma bolsa de estudos para iniciar essa jornada.
JP – Como se deu a sua formação como bailarino?
Estudei durante oito anos na Escola de Bailados Marcela Campos, em Mogi das Cruzes. Aos 16 anos, fui aprovado na Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, em Joinville, onde concluí minha formação e integrei a Cia. Jovem Bolshoi Brasil. Essa trajetória foi fundamental para me preparar para o mercado profissional.
JP – Quais são as suas referências (teóricas e práticas) no campo da dança?
Há artistas que merecem aplausos eternos. Mikhail Baryshnikov, Vladimir Vasiliev, Maya Plisetskaya, Rudolf Nureyev, Ekaterina Maximova e tantos outros foram acontecimentos históricos para a dança. Entre eles está também Cecília Kerche, uma grande bailarina brasileira que construiu um legado neste teatro e no mundo. Além deles, meus professores são referências fundamentais para mim, e é ao lado deles que trabalhamos todos os dias em busca da nossa melhor versão.
JP – Como é viver na Rússia? Há proximidades com o Brasil?
A Rússia é, sem dúvida, uma descoberta constante. A valorização da história e da cultura no país é fascinante, e viver no lugar que ajudou a popularizar o balé no mundo é uma experiência profundamente enriquecedora. Também sinto que brasileiros e russos têm mais semelhanças do que se imagina. Uma delas é o apreço pela família e pelos amigos; tanto nós quanto os russos valorizamos muito a convivência e a união.
JP – Onde você atua como bailarino na Rússia?
Em 2018 comecei meu trabalho com o Teatro de Ópera e Balé de Perm na Rússia onde me tornei primeiro bailarino. Recentemente, encerrei minha última temporada na companhia, pois estou me preparando para ingressar em um novo teatro neste segundo semestre.
JP – Quais são os seus ballets preferidos?
São muitos os balés que marcaram minha trajetória, mas alguns ocupam um lugar especial no meu coração. Amo os grandes clássicos, como O Lago dos Cisnes, Dom Quixote, Sherazade, A Fonte de Bakhchisarai, O Corsário e Anyuta. No entanto, Romeu e Julieta, de Kenneth MacMillan, foi um marco importante artisticamente para mim.
JP – Quais são os seus planos futuros?
Pretendo continuar trabalhando, estudando e evoluindo para que, no futuro, eu possa compartilhar minha experiência, ensinar e contribuir para a formação das novas gerações de talentos brasileiros.







