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Por Henrique Pinheiro – Economista, produtor executivo do documentário “Terra Revolta-João Pinheiro Neto e a Reforma Agrária”, autor de “Crônicas de um Mercado sem Pudor”, organiza “Crônicas que nunca contaram na escola” e a série “Entre Duas Cidades” – Colunista convidado.
Brasília, setembro de 1962. João Goulart era presidente, mas o Brasil ainda vivia sob o parlamentarismo adotado durante a crise da Legalidade. Naquele mês, um jovem de 33 anos assumia o Ministério do Trabalho e Previdência Social. João Pinheiro Neto (1928–2006). Meu pai.
Ele era subsecretário de Hermes Lima (1902–1978). Em 18 de setembro de 1962, quando Hermes assumiu a presidência do Conselho de Ministros, meu pai chegou ao ministério.
O campo vivia enorme efervescência. Trabalhadores rurais se organizavam e sindicatos ganhavam força. Esse movimento avançaria até a criação da CONTAG, Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura, entidade nacional de representação dos trabalhadores rurais.
Mas sua passagem pelo ministério seria curta. Meu pai era contrário ao acordo com o Fundo Monetário Internacional que vinha sendo negociado por Roberto Campos (1917–2001), então embaixador brasileiro em Washington. Para ele, aquelas condições significavam submeter a política econômica brasileira aos interesses de Washington.
Em 2 de dezembro de 1962, foi às Mesas-Redondas de Gilson Amado, na TV Continental, Canal 9, e tornou pública sua divergência. Criticou Roberto Campos, Lincoln Gordon, embaixador dos Estados Unidos no Brasil, e Octávio Gouveia de Bulhões, diretor da SUMOC, autoridade monetária que antecedeu o Banco Central.
A crise chegou ao Palácio do Planalto.
Jango pediu que meu pai apresentasse sua demissão. Ele se recusou.
Entendia que havia dito publicamente aquilo em que acreditava e, portanto, não pediria para sair.
Jango teve de exonerá-lo.
Samuel Wainer, jornalista, amigo e mentor de meu pai, resumiu a lição:
“João, em política não tem certo ou errado, tem quem ganha e quem perde. Nesse episódio, Jango perdeu e você também.”
Em 1963, João Pinheiro Neto voltaria ao governo, agora à frente da SUPRA, Superintendência de Política Agrária.
Mas o Brasil já era outro.
Em janeiro de 1963, as urnas devolveram a Jango os poderes presidenciais
E, a reforma agrária caminhava para o centro da disputa política brasileira.
Foto: Reunião do Conselho de Ministros durante o governo parlamentarista de João Goulart, em 1962. Da esquerda para a direita: João Pinheiro Neto, ministro do Trabalho e Previdência Social; Eliézer Batista, ministro das Minas e Energia; Darcy Ribeiro, ministro da Educação e Cultura; general Amaury Kruel, chefe do Gabinete Militar; e Hugo de Faria, chefe do Gabinete Civil. À frente, de costas, João Goulart, presidente da República.





