“Chico Vartulli Convida” traz hoje um bate-papo gostoso com a escritora Cristina Ferreira
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Hoje vamos de Literatura. Fui conversar com a escritora e professora Cristina Ferreira que lecionou por 38 anos e agora atua como escritora para a infância. Seu livro “O caleidoscópio de Tininha” é baseado na sua experiência com a partida de sua mãe, quando ela tinha apenas seis anos de idade.
Nosso rico bate-papo ela fala do processo de criação, da ilustrações que integram a obra, de seus autora preferidos e sonhos para o futuro. Confira!
Nosso rico bate-papo ela fala do processo de criação, da ilustrações que integram a obra, de seus autora preferidos e sonhos para o futuro. Confira!
JP – Olá Cristina! Como se deu o processo de criação da sua mais recente publicação O Caleidoscópio de Tininha?
Minha mãe – Maria – faleceu quando eu tinha seis anos, seis dias após o nascimento do meu irmão Carlos Eduardo. E essa sempre foi uma história muito cercada de lacunas na minha infância. Durante muito tempo eu ouvia que ela morreu de leucemia, mas descobri que, na verdade, ela foi vítima de um erro médico.
Em 2021, eu fiz um curso sobre Literatura para a Infância com a pesquisadora Eunícia Fernandes e ela nos propôs um exercício de escrita. Eu sempre gostei de escrever, mas nunca havia escrito sobre esse assunto. Eu fiz um texto poético contando a minha história com a morte da minha mãe. Depois disso, eu procurei a escritora Andrea Taubman – que sempre ia na minha escola, e perguntei se ela fazia leitura crítica. Ela disse que não e me indicou a escritora Anna Claudia Ramos. Bom, a Anna leu a história e foi direta: “Sua história é boa, mas você precisa mergulhar nela.”
Mergulhar na minha história era reencontrar um pai violento e que depois que fomos viver com meus avós, tornou-se um pai ausente.
E a Anna ponderou: “E quem foi que disse que você tem que contar a sua história exatamente como ela aconteceu? Você está escrevendo um texto literário, que baseado nas suas vivências poderá ajudar tantas outras pessoas a lidar com essa perda. Você é a autora da sua própria história: a real e a inventada”.
Foram três meses de trabalho para que o caleidoscópio começasse a girar e refletir novas imagens e a Tininha passou a ter vida própria. Não sou mais eu apesar de ela ter muito de mim.
Em 2021, eu fiz um curso sobre Literatura para a Infância com a pesquisadora Eunícia Fernandes e ela nos propôs um exercício de escrita. Eu sempre gostei de escrever, mas nunca havia escrito sobre esse assunto. Eu fiz um texto poético contando a minha história com a morte da minha mãe. Depois disso, eu procurei a escritora Andrea Taubman – que sempre ia na minha escola, e perguntei se ela fazia leitura crítica. Ela disse que não e me indicou a escritora Anna Claudia Ramos. Bom, a Anna leu a história e foi direta: “Sua história é boa, mas você precisa mergulhar nela.”
Mergulhar na minha história era reencontrar um pai violento e que depois que fomos viver com meus avós, tornou-se um pai ausente.
E a Anna ponderou: “E quem foi que disse que você tem que contar a sua história exatamente como ela aconteceu? Você está escrevendo um texto literário, que baseado nas suas vivências poderá ajudar tantas outras pessoas a lidar com essa perda. Você é a autora da sua própria história: a real e a inventada”.
Foram três meses de trabalho para que o caleidoscópio começasse a girar e refletir novas imagens e a Tininha passou a ter vida própria. Não sou mais eu apesar de ela ter muito de mim.
JP – Qual é o tema central da obra?
O tema central é a questão da finitude da vida e como a verdade é sempre o melhor caminho para falar sobre perdas com as crianças.
JP – Como está estruturada a narrativa da obra?
É um livro dividido em pequenos capítulos que contam a jornada de Tininha que começa radiante: ela vai ganhar um irmãozinho e ainda ganha um presente de irmã mais velha: um caleidoscópio! Depois que sua mãe vai para o hospital coisas estranhas começam a acontecer e Tininha decide começar uma investigação para saber por que ela não volta para casa. Essa história fala das dificuldades que os adultos têm para lidar com as emoções das crianças quando é preciso falar de temas sensíveis como a finitude da vida. E é a relação de amor e confiança entre Tininha e uma professora que a ajudará a desvendar o mistério do “sumiço” da mamãe. O caleidoscópio de Tininha reflete o amor que transcende, o amor que ultrapassa a existência e mostra como as mães podem ser meio mágicas mesmo, sempre dando um jeito de ficar perto dos filhos!
JP – Qual é o público que você pretende alcançar com a publicação?
Este é um livro para todas as infâncias, especialmente a dos adultos.
JP – De que forma as ilustrações que integram a obra dialogam com a narrativa do texto?
As imagens, assinadas por Vitor Bellicanta, vão se modificando de acordo com a narrativa. A cor está presente e forte no início, pulsando a relação da Tininha com a mãe. A perda gradual da cor acontece quando a menina se vê diante de um mistério: a ausência da mãe.
As imagens em preto e branco refletem o que o texto verbal não diz: Tininha está elaborando o seu luto. É como se esse período de busca pela solução do mistério, fosse o momento de ressignificar a perda, a saudade, a solidão – um momento em que tudo parece mesmo sem cor…
Quando ela descobre a verdade, mesmo dolorosa, a cor vai retornando aos poucos. É como a vida – que vai se encarregando de manter o caleidoscópio de memórias e vivências girando, fazendo com que a lembrança da mãe se torne presença através delas.
O livro ficou lindo de viver, de ler e de girar!
As imagens em preto e branco refletem o que o texto verbal não diz: Tininha está elaborando o seu luto. É como se esse período de busca pela solução do mistério, fosse o momento de ressignificar a perda, a saudade, a solidão – um momento em que tudo parece mesmo sem cor…
Quando ela descobre a verdade, mesmo dolorosa, a cor vai retornando aos poucos. É como a vida – que vai se encarregando de manter o caleidoscópio de memórias e vivências girando, fazendo com que a lembrança da mãe se torne presença através delas.
O livro ficou lindo de viver, de ler e de girar!
JP – Quando despertou em você o interesse pela escrita de livros?
Desde que eu era criança, já gostava de inventar histórias e criar livros com restos de papel para contar minhas histórias para alunos inventados. Eu sonhava ser professora e escritora, e olha que maravilhoso: realizei os dois sonhos!
JP – Quais são os seus autores preferidos? Justifique.
JP – Quais são os seus autores preferidos? Justifique.
São muitos os autores que admiro e me nutrem. Da Literatura voltada para as infâncias, cresci com Sylvia Orthof, Ruth Rocha, Ziraldo, Ana Maria Machado que trazem o humor e a irreverência em seus textos, que eu acho fundamentais na vida. Além destes, destaco Anna Claudia Ramos e Ninfa Parreiras que são autoras Inspiradoras e minhas professoras em oficinas de escrita que frequento até hoje.
JP – Quais são os seus projetos futuros?
Terei, em novembro, um livro lançado pelo Clube de Leitura Leiturinha, o maior do país, que se chama Boi de toda a cor – uma brincadeira com o acalanto Boi da cara preta, e para o próximo ano já tenho mais três livros em processo de finalização.


