A Juventude e os idosos
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Por Aurélio Wander Bastos ( jurista) e Xico Chaves (artista plástico) são irmãos e lutaram contra a ditadura militar, na Universidade de Brasília – Colunistas convidados.
Todos nós, idosos, daquela juventude brasileira que enfrentou mais de vinte anos de ditadura, estamos, hoje, com idades entre os 70 e os 90 anos.
Muitos de nós entregaram seus verdes anos nos presídios, no exílio, na tortura, muitos jovens morreram na luta armada.
Não sabíamos que enfrentaríamos um novo golpe, mascarado de eleições, permeadas pelo golpismo bolsonarista, herdeiro radical dos piores momentos daquela repressão de 1964 e 1968, até 1985, quando o general João Figueiredo deixou a presidência da República.
Jair Bolsonaro, com mão invisível, manipulou o filho derrotado que fugiu depois de ser derrotado.
Na fragilidade de sua história, o candidato derrotado assumiu uma fuga traiçoeira para os EUA e abandonou, na surdina, seus próprios correligionários , para viver uma vida folgada, com vantagens.
Na fuga, Flávio Bolsonaro deixou
carta mal ajambrada, depois de perder as eleições e fugir, com ameaças de provocar uma tragédia e um novo golpe. Uma nova manobra golpista, com o fim de esconder sua vergonha de candidato derrotado, encostado em denúncias e investigações .
Estamos a postos, pela democracia, somos quase todos idosos, mas lúcidos na defesa da pátria de nosso altivo destino .
Nosso filhos e netos puxaram o cordão da grandes manifestações, milhares de jovens pela Rio Branco pela Paulista, onde estivemos na juventude, como se nós mesmos estivéssemos pelas ruas aplaudindo as passeatas para preservar a democracia e a liberdade que os nossos guerreiros, na sua tenra idade, assumiram a luta.
Para preservar o Brasil de todos, inclusive dos pobres e humildes, aqueles que estão no trabalho de infraestrutura mas sabem que a luta é contra o bolsonarismo, a vergonha do PL e de seus aliados que aceitaram uma escusa proposta para o fascista. Nossa luta foi contra o bolsonarismo, movimento que tem como líder um homem preso e ressentido, que usou o próprio filho ( e sua própria esposa) para alcançar resultados políticos.
As pessoas de bem não confiam no Flávio Bolsonaro. Deixaram ele ir embora, ele estava marcado pelo ódio. O pai dele, Jair Bolsonaro, também não é confiável, foi um prisioneiro que deixou um rastro, a presidência
da República.
Flávio Bolsonaro fugiu, nos primeiros acordes do STF.
O Supremo Tribunal Federal teve importante papel nas eleições. Os
incautos e cegos esqueceram e acusaram o STF.
Mas o STF tem a sua história. Os inimigos não podem destruir.
A presidência do Brasil também deve ser respeitada. Será, a partir de agora, símbolo dos que querem construir um país de grandeza e sabedoria.
O Brasil não é um país para
aqueles que vieram “ao deus dará” e entraram pelos espaços obscuros, e que não foram escolhidos pela sua sabedoria e grandeza.
Eles, os bolsonaristas, tiveram a ousadia de plantar no STF nomes para estragar a democracia e jogar os ministros, um contra os outros, de inventar mentiras para destruir a referência simbólica da ordem jurídica brasileira e a sua aplicação.
Os idosos votaram e voltaram, com seus filhos e netos, comprometidos com o povo brasileiro, os trabalhadores, lutadores, para preservar o Estado Democrático de Direito.
O Brasil está salvo.
Vamos em frente e lembremos da juventude e de seus velhos avós, a voz da história não deixou o Brasil capitular.


