1 de dezembro de 2022

“Se minha teoria da relatividade não estiver certa os franceses dirão que eu sou alemão. E os alemães de pronto dirão que eu sou judeu”.  (Albert Einstein).

Esta frase proferida por um dos mais reverenciados gênios da humanidade significou sempre para mim uma das mais cruéis provas de preconceito contra o judaísmo, além da claríssima percepção de discriminação racial pelo gênio Einstein contra suas origens pessoais, seu povo e sua religião, professasse ele ou não.

De há muito venho observando um fenômeno assustador na Rede Mundial. Em conversas com um dos meus muitos amigos judeus, em especial o doce e saudoso Tom Job Azulay, um intelectual de primeira linha, que me indicou um site inacreditável e repugnante de atuações e propagandas nazistas. Imaginei que fosse encontrar algumas poucas referências ao ensandecimento que mergulhou o mundo no inferno de 1939 a 1945 e catapultou ao horror mundial a figura de Hitler que assassinou ao menos seis milhões de judeus. Por nada, para nada. Apenas pela vertigem maligna de crenças em raças superiores e inferiores.

O fato é que desde então me sentia no dever de escrever sobre esse “fenômeno” devastador. E ainda muito mais devastador pelas consequências indesejáveis que a polarização e a intolerância da recente eleição presidencial permitiu, propiciou e estimulou. O efeito mais preocupante foi dissecado pelo Presidente da Confederação Israelita do Brasil, Claudio Lottenberg, em entrevista recente ao Globo, quando acentuou que a intolerância política atingiu um nervo central da sociedade brasileira, o ambiente escolar de jovens ainda em formação.

Há dias, um aluno de escola em Valinhos (SP) publicou uma foto de Hitler e escreveu: “se ele fez com os judeus, eu posso fazer com os petistas”. Ora, vistoriando esse anuncio, pesquisei o assunto mais a fundo e observei o pensamento quase geral tanto de pensadores judeus como não judeus sobre o aumento do antissemitismo no nosso outrora pacífico país. A maioria insiste em exemplos didáticos, como a tragédia do holocausto ser analisada em aulas, até porque a tragédia alemã é até hoje o mais radical exemplo a que podem conduzir a discriminação e a intolerância.

A visualização do crescimento de células nazistas que comprovei na internet virou um assunto quase banal, porque as estatísticas que acessei indicam vertiginoso aumento desses núcleos, tão despudorados que manipulam símbolos, frases e até lideranças nacionais e internacionais de extrema direita.

Segundo afirmou Lottenberg “o perigo já está ao alcance de nossas vistas, e há que se colocar o Ministério Público para verificar o quanto muitas escolas podem estar desatentas a tal risco”. As pessoas e em especial os diretores de escolas devem estar alertas à discriminação e preconceitos raciais e/ou religiosos, fonte de desagregação social e de falta de respeito ao próximo, além de ausência de comiseração dentro do tecido básico da sociedade como um todo.

De qualquer modo, sirvo-me daqui deste espaço para sugerir ao Ministério Público, agora em especial às portas do novo governo recém-eleito de Lula, que atente para a célula básica e formadora que é a escola, nossos adolescentes. Eles serão a salvação do país – ou sua danação. Cabe jamais esquecer. Como ainda vale fazer uma recomendação: assistir ao filme alemão “A Conferência”, que aborda em minúcias a famosa reunião do dia 20 de janeiro de 1942, na casa de campo de Eichmann – em Berlim, quando o Estado Maior de Hitler decidiu pela solução final aos judeus, a exterminação por gás mortífero.

 

Post Scriptum: Daqui uma lágrima pela morte de Paulo Jobim, querida figura de violonista, flautista e arranjador, presidente do Instituto Antonio Carlos Jobim, de quem era o filho amado. Assim como o pai, cursou Arquitetura. E seria responsável pelo importantíssimo Cancioneiro Jobim – com a biografia e a transcrição da obra completa do músico brasileiro mais reconhecido no mundo.

 

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